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Bolsa ensaia novo recorde com Previdência; dólar e juros têm leve queda

Ana Carolina Neira, Marcelo Osakabe e Victor Rezende

Aprovação da reforma ainda repercute nos mercados, em dia de noticiário mais tranquilo no exterior A aprovação da reforma da Previdência em segundo turno, com a votação dos dois destaques remanescentes, ainda repercute nos mercados nesta quarta-feira, na ausência de outras notícias de impacto sobre os ativos.

O Ibovespa tentou atingir novos recordes, mas certa cautela ainda se impõe e a euforia com a reta final da reforma passou. Assim, perto das 15h, o índice subia apenas 0,05%, aos 107.440 pontos. Nas máximas, o Ibovespa chegou aos 107.959 pontos, com os investidores aproveitando um momento mais tranquilo no mercado internacional e os bons fundamentos locais para ainda realizar algumas compras.

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Os agentes acompanharam a votação das duas últimas emendas à reforma e permanecem otimistas com a perspectiva de cortes adicionais nos juros e a permanência das taxas mais baixas, capazes de garantir o estímulo econômico necessário.

"A euforia foi ontem, mas hoje ainda consegue subir porque o tom entre China e Estados Unidos agora é um pouco mais tranquilo, os ruídos políticos no Brasil também diminuíram. Aproveitamos a calma lá fora para ainda subir o quanto der aqui dentro", afirma o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus, sem descartar um movimento de realização em breve.

As ações da Petrobras (0,19% a ON e 0,70% a PN) também oferecem algum suporte ao Ibovespa hoje, após dados sobre a queda de estoques de petróleo nos EUA. O petróleo WTI subia 0,70% no início da tarde.

O destaque de alta no Ibovespa é WEG ON, com valorização de 3,92%, a R$ 25,71. A empresa teve lucro de R$ 418,2 milhões no terceiro trimestre, alta de 9,6% na comparação anual. Em números absolutos, os resultados da fabricante de máquinas e equipamentos são recordes, conforme análise de Nelson Niero no Valor.

Braskem PNA (1,78%) e Fleury ON (0,77%) também avançam nesta quarta-feira. O Bradesco BBI elevou o preço-alvo dos papéis do laboratório para R$ 28. A empresa química e petroquímica reapresentou os resultados do segundo trimestre, com lucro líquido de R$ 84 milhões, queda de 85% sobre o mesmo período do ano passado. Além disso, anunciou oferta de recompra de títulos no exterior.

Entre as principais baixas do índice estão Natura ON (2,33%) e Eletrobras ON (0,64%).

Dólar segue em queda

O clima positivo com a aprovação da reforma da Previdência em segundo turno mantém o viés de queda do dólar, que operava aos R$ 4,0472, baixa de 0,69%, por volta das 15h.

Pela manhã, ainda restava alguma preocupação com os destaques que foram deixados para esta quarta-feira, diz Victor Beyruti, economista da Guide, o que fez a moeda americana operar em leve alta nas primeiras horas de negociação.

No início da tarde, porém, após governo e Senado chegarem a um acordo sobre um último ponto da proposta, os senadores concluíram a análise da matéria e a reforma foi aprovada. Segundo o secretário da Previdência, Rogério Marinho, o acordo preserva a economia de R$ 800 bilhões em dez anos com a reforma.

A queda expressiva do dólar na véspera começa a fazer integrantes de mercado avaliarem se ou quando será possível um retorno do câmbio para o patamar psicológico de R$ 4,00. Para Fernanda Consorte, economista-chefe e estrategista de câmbio do banco Ourinvest, tal perspectiva depende do que o governo pretende apresentar como agenda pós-Previdência. “Se vierem com planos e ideias concretas, pode continuar essa onda de otimismo”, avalia. “Isso do lado do ministério da Economia. Ao mesmo tempo, seria interessante que a ala mais barulhenta, que faz parte do entorno do presidente Jair Bolsonaro, deixe um pouco o noticiário”, completa.

Outro fator que pode ajudar, nesse sentido, é o dólar continuar perdendo força no exterior. Analistas do TD Securities avaliam que os maiores drivers do enfraquecimento recente da moeda americana - Brexit e guerra comercial - parecem ter exaurido sua contribuição neste mês. Nas próximas semanas, continuam, o calendário volta a se tornar mais centrado nos EUA. “Reunião do Federal Reserve, PIB, ISM e payroll serão cruciais para entender quais serão os próximos movimentos do dólar.”

Juros futuros têm correção

Com oscilações restritas, os juros futuros exibem ligeira baixa desde o início do dia, em uma correção dos excessos da véspera. Com a aprovação da reforma da Previdência no Senado, os investidores continuaram a abraçar a perspectiva de queda da Selic, embora o ritmo de redução do juro básico seja alvo de divergência.

Por volta das 15h, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 caía de 4,85% no ajuste de ontem para 4,84%; a do DI para janeiro de 2021 operava estável a 4,53%; a do contrato para janeiro de 2023 passava de 5,52% para 5,48%; e a do DI para janeiro de 2025 recuava de 6,20% para 6,14%.

Ontem, o IPCA-15 em 0,09% em outubro levantou uma pulga atrás da orelha dos investidores quanto ao ritmo de aceleração da inflação, o que gerou ajustes na curva. Hoje, porém, o que impera é um movimento de ajuste. “Vemos uma leve correção após a abertura da curva causada pelo IPCA-15. Apesar do indicador ‘cheio’ ligeiramente diferente, os núcleos mostram que o ambiente continua saudável e indicam que a economia está na mesma batida”, diz Cássio Andrade Xavier, gestor de renda fixa da Sicredi Asset.

Xavier diz que há espaço para que o Banco Central (BC) seja mais agressivo no ritmo de acomodação monetária. No cenário-base da Sicredi, o juro básico deve cair a 4,50% em dezembro, antes de ir a 4% em fevereiro, nível que seria mantido ao longo de 2020. “Não esperávamos antes e não olhávamos com muito carinho para a chance de um corte de 0,75 ponto percentual nos juros, mas, nas últimas revisões de cenário, essa possibilidade entrou na nossa pauta de discussões”.

A inflação bem comportada é um dos fatores que fazem a Sicredi adotar tal postura. Hoje, a Fundação Getulio Vargas informou que, na terceira quadrissemana de outubro, o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) desacelerou para -0,07%, após marcar -0,01% na prévia anterior. Também de acordo com a FGV, a expectativa de inflação dos consumidores brasileiros recuou 0,2 ponto percentual entre setembro e outubro, para 4,9% ao ano.

A conclusão da reforma da Previdência também esteve no radar dos investidores. Trader da Nova Futura Investimentos, André Alírio diz que a aprovação em segundo turno no Senado “traz um efeito positivo para os negócios hoje, ainda mais após os episódios de crise no PSL”.