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Bolsa despenca e tem segunda semana de interrupção nos negócios

TÁSSIA KASTNER E JÚLIA MOURA
*ARQUIVO* Bolsa despenca e tem segunda semana de interrupção nos negócios. (Foto: Diego Padgurschi/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Bolsa brasileira abriu em forte queda e atingiu o limite de 10% de baixa logo no começo do pregão desta segunda-feira (16), mostrando que a forte volatilidade deve persistir nos mercados financeiros. Esse é o quinto circuit breaker desde a segunda passada (9).

O mecanismo suspende as negociações por 30 minutos em quedas superiores a 10%. Logo na abertura do pregão, o Ibovespa caiu 12,52%, a 72.321 pontos logo na abertura. Por volta das 12h33, na volta das negociações, o índice se desvalorizava cerca de 8%, chegando a 76 mil pontos.

Caso o índice caia 15%, um segundo circuit breaker é acionado, desta vez de uma hora. Em 2020, já são cinco circuit breakers, número próximo à marca de seis pausas em 2008, ano da crise financeira.

O motivo do tombo desta segunda foi a decisão do Fed (banco central americano) de cortar ainda no domingo (15) a taxa de juros do país para perto de zero, nesta que foi a segunda decisão extraordinária causada pelo coronavírus. O calendário do Fed previa reunião nesta semana, mas a decisão monetária foi antecipada.

O mercado leu a medida como um indicativo de que a economia do país deve tombar por causa do coronavírus, temor que tem se disseminado pelo mundo.

Na abertura do pregão, os Estados Unidos também acionaram o circuit breaker, com queda de mais de 8% do S&P 500. Por volta das 12h32, o índice caía 5,5%.

Na China, dados consolidados de janeiro e fevereiro mostraram queda de 20% nas vendas do comércio, de 25% nos investimentos e de 13,5% na produção industrial. O país paralisou suas fábricas e comércio por causa da doença ao longo de fevereiro. Além disso, encontrou dificuldades de retomar a produção após a redução dos bloqueios.

O dólar abriu em alta, beirou os R$ 5, mas desacelerou para R$ 4,97 por volta das 12h35. O turismo está cotado a R$ 5,16 na venda. Os juros futuros de longo prazo voltam a subir, e o risco-país medido pelo CDS (Credit Default Swap) avança mais de 20% nesta manhã, a 316 pontos, mesmo patamar de dezembro de 2016, ano marcado pelo impeachment de Dilma Rousseff (PT).

"O mercado local continua refém da retórica vivida no cenário internacional, na falta de notícias da mesma relevância no âmbito doméstico. Tanto o Tesouro quanto o Banco Central já se comprometeram a tomarem medidas de forma a amenizar o pânico nos mercados de títulos e de câmbio, mas a turbulência é certa na falta de mudanças na maneira que o mercado inicia a semana", escreveu a corretora Guide em relatório.

Na Europa, o índice Stoxx 50, que reúne as principais empresas da região, cai 7,5%.

O petróleo também tem forte queda. O contrato futuro do barril de Brent cai 10,25%, a US$ 30,38.

As ações preferenciais (mais negociadas) da Petrobras caem 11,7%, a R$ 13,60. As ordinárias (com direito a voto) recuam 10,3%, a R$ 14,34.