Mercado fechado

Bolsa despenca e tem segunda semana de interrupção nos negócios

TÁSSIA KASTNER E JÚLIA MOURA
SÃO PAULO, SP, 16.03.2020 - CORONAVÍRUS-ECONOMIA - Bolsa de Valores de São Paulo opera em queda de 12,53% nesta segunda-feira (16) em função do efeito causado pelo surto do novo coronavírus. (Foto: Guilherme Rodrigues/MyPhoto Press/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Bolsa brasileira abriu em forte queda e atingiu o limite de 10% de baixa logo no começo do pregão desta segunda-feira (16), mostrando que a forte volatilidade deve persistir nos mercados financeiros. Esse é o quinto circuit breaker desde a segunda passada (9).

O mecanismo suspende as negociações por 30 minutos em quedas superiores a 10%. Logo na abertura do pregão, o Ibovespa caiu 12,52%, a 72.321 pontos logo na abertura. Por volta das 11h25, na volta das negociações, o índice se desvalorizava cerca de 13%, chegando a 72 mil pontos.

Caso o índice caia 15%, um segundo circuit breaker é acionado, desta vez de uma hora. Em 2020, já são cinco circuit breakers, número próximo à marca de seis pausas em 2008, ano da crise financeira.

O motivo do tombo desta segunda foi a decisão do Fed (banco central americano) de cortar ainda no domingo (15) a taxa de juros do país para perto de zero, nesta que foi a segunda decisão extraordinária causada pelo coronavírus. O calendário do Fed previa reunião nesta semana, mas a decisão monetária foi antecipada.

O mercado leu a medida como um indicativo de que a economia do país deve tombar por causa do coronavírus, temor que tem se disseminado pelo mundo.

Na abertura do pregão, os Estados Unidos também acionaram o circuit breaker, com queda de mais de 8% do S&P 500. Por volta das 11h25, o índice havia caído 9,5%.

Na China, dados consolidados de janeiro e fevereiro mostraram queda de 20% nas vendas do comércio, de 25% nos investimentos e de 13,5% na produção industrial. O país paralisou suas fábricas e comércio por causa da doença ao longo de fevereiro. Além disso, encontrou dificuldades de retomar a produção após a redução dos bloqueios.

O dólar abriu em alta, beirou os R$ 5, mas desacelerou para R$ 4,95 por volta das 11h25. Os juros futuros de longo prazo voltam a subir, e o risco-país medido pelo CDS (Credit Default Swap) avança mais de 10% nesta manhã.

"O mercado local continua refém da retórica vivida no cenário internacional, na falta de notícias da mesma relevância no âmbito doméstico. Tanto o Tesouro quanto o Banco Central já se comprometeram a tomarem medidas de forma a amenizar o pânico nos mercados de títulos e de câmbio, mas a turbulência é certa na falta de mudanças na maneira que o mercado inicia a semana", escreveu a corretora Guide em relatório.

Na Europa, o índice Stoxx 50, que reúne as principais empresas da região, cai 8%.

O petróleo também tem forte queda. O contrato futuro do barril de Brent cai 10,25%, a US$ 30,38.