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Bolsa cai nesta sexta, mas fecha semana em alta; ação da Americanas vale R$ 0,71

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Bolsa caiu nesta sexta-feira (20), mas conseguiu acumular alta na semana, com o desempenho de Petrobras e Vale compensando os efeitos de um discurso mais agressivo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) questionando a meta de inflação atual e a independência do Banco Central, fator que levou dólar e juros a subir.

O Ibovespa fechou em baixa de 0,78% nesta sexta, aos 112.040 pontos. Na semana, o índice teve alta de 1%. O dólar comercial à vista fechou com avanço de 0,73% ante o real, a R$ 5,207. Assim, a moeda fecha a semana com valorização de quase 2%.

Os juros subiram com mais intensidade nos vencimentos mais longos. Os contratos para 2024 fecharam em alta de 13,48% ao ano no fechamento desta quinta-feira (19) para 13,54%. No vencimento para 2025, a taxa subia de 12,61% para 12,82%. Para 2027, os juros avançavam de 12,53% para 12,85%.

Nesta quinta-feira, os investidores já haviam reagido às críticas do presidente Lula sobre a independência do Banco Central e às metas de inflação, feitas na noite de quarta-feira (18). Mas as declarações do ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, negando qualquer predisposição do governo de mexer no BC, deu fôlego à Bolsa e diminuiu o ritmo de alta do dólar.

Nesta sexta-feira, com a continuidade do tom crítico do presidente Lula às políticas de juros do BC, os investidores elevam a cautela. Em seu relatório matinal, a Guide Investimentos cita os rumores de que o governo quer "mudar a cara" do Copom (Comitê de Política Monetária) a partir da substituição de Bruno Serra, diretor que deixará o cargo em fevereiro.

A Mirae Asset afirma que a intervenção do ministro Padilha ontem não teve efeito prático. "Lula, com a verve afiada, segue reclamando da meta de inflação, que pela leitura dele, está muito baixa para o contexto atual", diz a corretora em relatório.

A questão fiscal também preocupa. Segundo cálculo feito pelo Sindifisco (Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Federal), a isenção do IR (Imposto de Renda) para quem ganha até R$ 5.000,00 poderia ter um custo superior a R$ 100 bilhões para a União, podendo encostar nos R$ 200 bilhões.

Entre as ações, hoje é o último dia de negociação da ação ordinária da Americanas como parte do Ibovespa. Ontem, a ação fechou o dia valendo R$ 1,00, depois de realizar o pedido de recuperação judicial. E nesta sexta, depois de registrar alta no começo do pregão, a ação caiu mais 29%, cotada a R$ 0,71.

Analistas explicam que a retirada da ação da Americanas não faz muita diferença para o Ibovespa. A ação possui um peso pequeno dentro do índice.

Mas ao ser retirada, os fundos de investimentos em ações que seguem de perto a composição do índice, muitas vezes identificados como fundos Ibovespa, começam a vender as ações da Americanas para manter essa proximidade com o Ibovespa.

Outro detalhe é que a partir desta sexta, a ação da Americanas entra na categoria conhecida como penny stock, quando vale menos de R$ 1,00. Se permanecer nesta situação por 30 dias seguidos, a empresa será notificada pela B3, e terá 15 dias para apresentar uma solução. Caso contrário, será punida com multa diária pela Bolsa.

Pesa também sobre a ação a expectativa de que a recuperação judicial seja longa. A Levante Ideias de Investimentos lembra que o processo da Oi levou seis anos.

"Dentro do processo, os advogados acabam conseguindo dilatar bastante os prazos, e as Assembleias são marcadas e remarcadas estrategicamente por várias vezes, como forma de manobra para arrastar esse prazo", explica o time de análise da Levante.

Leonardo Santana, analista e sócio da Top Gain, lembra que as ações dos bancos ainda refletem a situação da Americanas, com destaque para as Units do BTG Pactual, com recuo de 2,40%.

Enquanto isso, a ação ordinária do Magazine Luiza apresenta trajetória oposta à da sua concorrente. Levantamento feito pelo TradeMap mostra que o papel acumula alta de quase 40% em 2023, ante queda de 92% para a Americanas. Hoje, o papel do Magazine Luiza teve leve alta de 0,26%.

No exterior, as bolsas operam em alta, depois que um dirigente do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, declarou ser a favor de uma diminuição no ritmo de alta dos juros pela autoridade monetária.

Em Nova York, o índice Dow Jones subia 0,84% às 17h40 (horário de Brasília), enquanto S&P 500 e Nasdaq avançavam 1,63% e 2,45%, respectivamente.

A alta do Nasdaq foi impulsionada pelos anúncios de demissão em massa feitos por Microsoft e Google. Para Santana, o desempenho das bolsas nos Estados Unidos serão muito direcionados pelos balanços das gigantes de tecnologia referentes ao quarto trimestre de 2022, que começam a ser divulgados na próxima semana, com Microsoft e Tesla.

"Se os resultados vierem bons, a interpretação deve ser de que a inflação está caindo sem comprometer tanto o crescimento. Se vierem ruins, acenderá o alerta da recessão", projeta o analista da Top Gain.