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Bolsa cai 4,8% em setembro e tem pior mês desde março

JÚLIA MOURA
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*ARQUIVO* São Paulo, SP, Brasil, 24-01-20109 - Cédulas de dólar. Papel Moeda. Dinheiro. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)
*ARQUIVO* São Paulo, SP, Brasil, 24-01-20109 - Cédulas de dólar. Papel Moeda. Dinheiro. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Bolsa brasileira teve o segundo mês seguido de desvalorização em setembro, com recuo de 4,8%, maior queda desde março, quando a OMS (Organização Mundial da Saúde) declarou pandemia de Covid-19 e o Ibovespa tombou quase 30%.

Nesta quarta-feira (30), o Ibovespa recuperou parte da forte queda do início da semana e subiu 1,09%, encerrando o período a 94.603 pontos, patamar semelhante a junho, quando o índice se recuperava da queda no primeiro trimestre, o pior de sua história. Neste terceiro, o índice teve leve queda de 0,5%.

O dólar terminou o mês com alta de 2,55%, a R$ 5,6180 --queda de 0,42% nesta quarta. Esta é a segunda alta mensal seguida da moeda e o terceiro trimestre consecutivo de valorização, com avanço de 3,3%.

Segundo analistas, o desempenho negativo da Bolsa e do real em setembro reflete o aumento aversão a risco no exterior, que levou à queda das ações de tecnologia nos Estados Unidos, combinada a um maior risco fiscal.

A Nasdaq, Bolsa americana que reúne grande parte das ações de tecnologia, caiu 5,2% no mês. Segundo Alexandre Espírito Santo, economista da Órama, a Bolsa brasileira acompanhou o movimento

"Antes da pandemia, o Ibovespa acompanhava a Nasdaq em 30% das situações. Agora, a correlação está em 80%. Com perspectiva de crise, os mercados tendem a funcionar de uma mesma maneira. Em 2008, também foi assim."

O índice S&P 500 caiu 4,7% no mês e o Dow Jones, 3,4%. No pregão desta quarta, Nasdaq subiu 0,74%, S&P 500, 0,83% e Dow Jones, 1,20%.

O avanço dos novos casos de coronavírus na Europa e nos EUA, com desaceleração da atividade econômica nessas regiões levou o mercado a reavaliar a força e a rapidez da retomada, levando às baixas nos índices em setembro.

Além disso, o início da corrida presidencial americana aumenta a volatilidade das aplicações e leva investidores a buscarem investimentos de proteção, o que levou grande parte das moedas emergentes perdeu valor ante o dólar.

O real também foi impactado pela perspectiva de aumento de gastos do governo. Enquanto as reformas seguem paradas, a equipe do ministro Paulo Guedes (Economia) busca uma alternativa para bancar o Renda Cidadã, substituto do Bolsa Família.

A proposta inicial do governo é financiar a ampliação do programa social, que está dentro do teto de gastos, com recursos do Fundeb (fundo para a educação) e precatórios --dívidas de ações judiciais a serem pagas depois das sentenças definitivas--, alternativas consideradas inadequadas pelos analistas por estarem fora do teto de gastos.

Após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e aliados defenderem o modelo na terça (29), Guedes disse, nesta quarta, que os precatórios não vão ser utilizados pelo Renda Cidadã.

"Se queremos respeitar teto, temos que passar lupa em todos os gastos, para evitar propostas de romper teto, de financiar programa de forma equivocada, que nunca foi nossa ideia", disse o ministro.

Apesar de Guedes tranquilizar o mercado, investidores estão preocupados com a hostilidade entre o ministro e Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara.

Na tarde de terça, Maia afirmou que Guedes interditou a reforma tributária. O ministro, por sua vez, disse que há boatos de que Maia fez um acordo com a esquerda para travar privatizações.

"Paulo Guedes está desequilibrado. Recomendo ao ministro assistir o filme 'A Queda' ", rebateu Maia. "A Queda" retrata as últimas horas de Adolf Hitler à frente da Alemanha nazista. A história conta o cerco a Hitler na Segunda Guerra Mundial e a derrota do ditador.

"O forte ruído entre Guedes e Maia é a grande interrogação do mercado. Esse mal estar dificulta trânsito das reformas, que, se seguirem neste ano, será uma tarefa hercúlea", diz Espírito Santo.