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Bolsa cai 3% e dólar sobe na abertura de 2023 após posse de Lula

*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 09.05.2015 - Gráficos das recentes flutuações dos índices de mercado no pregão da BM & F Bovespa, na Bolsa de Valores de São Paulo. (Foto: Diego Padgurschi/Folhapress)
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 09.05.2015 - Gráficos das recentes flutuações dos índices de mercado no pregão da BM & F Bovespa, na Bolsa de Valores de São Paulo. (Foto: Diego Padgurschi/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O mercado financeiro iniciava 2023 com a Bolsa de Valores em forte queda e o dólar comercial em alta.

Na primeira sessão após a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), analistas dizem que investidores receberam com ressalvas declarações e medidas que apontam para um governo que fará mais intervenções na economia, com consistente uso de empresas públicas.

Com as principais Bolsas do exterior fechadas devido ao prolongamento do feriado de Ano-Novo, existe ainda uma tendência de que as oscilações dos indicadores do mercado sejam exageradas neste dia devido ao menor volume movimentado.

Às 12h03 desta segunda-feira (2), a moeda americana avançava 1,34%, cotada a R$ 5,35. Na Bolsa, o índice de referência Ibovespa caía 3,24%, aos 106.171 pontos.

A queda do mercado de ações era direcionada principalmente pelas desvalorizações de companhias controladas pelo governo federal. Os papéis mais negociados da Petrobras tombavam 5,92%, enquanto o Banco do Brasil perdia 3,71%. O setor bancário, em geral, iniciava o ano no vermelho, com destaque para as quedas perto de 3% de Bradesco e Itaú.

"O Estado tem uma fatia de responsabilidade na indução de crescimento de uma economia, mas ele não deve ser o protagonista do crescimento", diz Vinícius Teixeira, sócio da Messem Investimentos.

Lula fez em seus discursos de posse uma forte defesa do Estado no desenvolvimento econômico do país. Ao falar em sessão no Congresso, citou bancos públicos e outras empresas estatais como atores do processo e citou especificamente o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e empresas indutoras "de crescimento e inovação, como a Petrobras".

O presidente assinou ainda no domingo as primeiras medidas na área econômica, entre as quais uma determinação para que os ministros tomem providências para retirar as estatais do programa de privatizações.

A medida atinge em especial a Petrobras e os Correios, que estavam em processo para privatização já sob análise de membros do TCU (Tribunal de Contas da União).

Essa mudança de postura quanto à condução das estatais é observada por investidores como o encerramento de um programa de desestatização em curso desde a gestão do ex-presidente Michel Temer (MDB) e que agradava o mercado, segundo Matheus Pizzani, economista da CM Capital.

"Além disso, há um peso bastante negativo das falas de Lula por conta do papel das estatais na indução do desenvolvimento econômico, sobretudo dos bancos, como Banco do Brasil, Caixa e do próprio BNDES", afirma Pizzani.

Há também dúvidas sobre como o governo limitará os gastos, medida apontada como necessária para manter o país atrativo para investidores sem que a necessidade de ampliar ainda mais o prêmio de risco, ou seja, os juros da dívida pública.

Nesse sentido, Pizzani avaliou como positivo o compromisso reforçado pelo ministro Fernando Haddad (PT). Ao assumir a Fazenda nesta segunda-feira (2), ele reafirmou que enviará ao Congresso Nacional ainda no primeiro semestre a proposta de substituição ao teto de gastos.

Na véspera, durante a posse, Lula chamou o teto de gastos de "estupidez", lembrando que ele será revogado. A medida já era prevista pela proposta articulada pelo governo e aprovada pelo Congresso, que expandiu o Orçamento em 2023 e demanda do Executivo a apresentação de uma nova regra para as contas públicas para substituir a atual norma.

Lula assinou também a MP (medida provisória) que prorroga a desoneração de combustíveis no país, medida criada por Jair Bolsonaro (PL) em meio ao avanço dos preços do petróleo e que tinha como prazo 31 de dezembro de 2022.

Escolhido pelo PT para a presidência da Petrobras, o senador Jean Paul Prates (PT-RN) afirmou que a desoneração é válida por 60 dias e defendeu a reoneração em março. Segundo ele, no entanto, para o diesel e o GLP (gás liquefeito de petróleo, o gás de cozinha) está sendo estudada uma continuidade maior da desoneração —de seis meses a um ano.

Prates também disse na última sexta-feira (30) que pretender revisar a política de preços dos combustíveis da estatal, adotada no governo Michel Temer e reforçada pelo governo Jair Bolsonaro, que prevê o acompanhamento da paridade de importação, conceito que simula quanto custaria para importar os produtos.

"A expectativa é que o futuro presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, promova uma redução dos preços nas refinarias que compense, em parte, o efeito do fim da desoneração dos impostos federais em determinado momento do governo atual", afirmou João Augusto Frota, da Senso Investimentos, acrescentando que o presidente Lula frisou que os preços vão cair com a nova diretoria da Petrobras.

O conjunto de medidas toca em pontos que regularmente trazem incerteza aos investidores quanto ao risco de crescimento dos gastos públicos. "Possivelmente teremos muita volatilidade neste início de 2023 no mercado até que possamos entender o que é fato e o que é boato", afirmou Camila Abdelmalack, da Veedha Investimentos.

João Abdouni, analista da INV, também atribui às declarações de Lula quanto ao papel das empresas públicas o fator a exercer o principal peso negativo sobre a Bolsa. "Só podemos imaginar que esse descontentamento do mercado esteja relacionado às falas de Lula, sobretudo quanto à Petrobras", comentou.

Na quinta-feira (29), a Bolsa de Valores brasileira fechou 2022 com um ganho acumulado de 4,69%. O resultado positivo da Bolsa era difícil de ser previsto há poucos dias, situação representativa para um ano marcado pela volatilidade nos investimentos provocada por uma crise inflacionária mundial e pelo conturbado cenário político nacional.

Duas semanas antes, o indicador de referência do mercado acionário doméstico, o Ibovespa, acumulava queda anual de quase 2%. Os últimos dias, porém, foram de forte recuperação —a Bolsa subiu quase 7% em duas semanas— conforme investidores passaram a considerar que o governo eleito se mostrava mais atento ao equilíbrio das contas públicas e que o Congresso poderia colocar freios em excessos, como ocorreu com a desidratação da PEC que autorizou a expansão de gastos em 2023.

Na sessão desta quinta, a última do ano, o Ibovespa, recuou 0,45%, aos 109.734 pontos. O dia teve baixo volume de negócios devido à proximidade das festas de fim de ano.

No mercado de câmbio, o dólar comercial à vista fechou o pregão em alta de 0,51%, cotado a R$ 5,2790, na venda. A moeda americana terminou 2022 com uma queda acumulada de 5,3%, a primeira baixa anual desde 2016, quando a divisa havia despencado 17%.

O mercado de ações dos Estados Unidos encerrou na sexta-feira (30) o seu pior ano desde a crise do setor imobiliário americano de 2008. A rápida elevação da taxa de juros no país, medida adotada para combater a maior inflação em quatro décadas, está por trás desse resultado.

Além da concorrência que a renda fixa representa para o mercado de ações, analistas passaram a temer que o aperto à oferta de crédito poderá resultar em uma recessão global em 2023, o que seria um cenário ainda pior para as empresas e isso afugentou ainda mais investidores dos chamados mercados de risco.

Referência para os papéis negociados na Bolsa de Nova York, o indicador S&P 500 fechou o ano em queda de 19,5%, o pior resultado anual desde o tombo de 38,5% há 14 anos.

Com um mergulho ainda maior, o índice Nasdaq perdeu 33% neste ano, chegando perto da queda de 40,5% no ano da crise financeira. É neste segmento que estão as médias empresas com grande potencial de crescimento, muitas da área de tecnologia. É um setor sensível à alta dos juros porque o crédito barato se faz necessário para a expansão desses negócios.

MERCADO ESPERA AVANÇO DA INFLAÇÃO EM 2023

Analistas consultados pelo Banco Central encerraram 2022 elevando as projeções para inflação e prevendo menos cortes para a taxa básica de juros neste novo ano, de acordo com a pesquisa Focus divulgada nesta segunda-feira (2).

O levantamento, que capta a percepção do mercado para indicadores econômicos, foi fechado na sexta-feira, dia 30 de dezembro, antes da posse de Luiz Inácio Lula da Silva para seu terceiro mandato como presidente, no domingo.

O Focus apontou que a expectativa é de que o IPCA tenha encerrado 2022 com alta de 5,62%, contra 5,64% antes. Mas para este ano a conta subiu em 0,08 ponto percentual, para 5,31%. Para 2024 também houve aumento, de 0,05 ponto, para 3,65%.

Em todos os casos, as perspectivas para a inflação superam o centro da meta para cada ano --3,5% para 2022, 3,25% para 2023 e 3,00% para 2024, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

A pressão inflacionária levou os especialistas consultados a preverem uma taxa básica de juros mais alta este ano, de 12,25% contra 12,00% antes, calculando assim menos cortes para a Selic ante o patamar atual de 13,75%. Para 2024 segue a expectativa de que a taxa encerre a 9,00%.

Étore Sanchez e André Coelho, da Ativa Investimentos, afirmaram em análise divulgada nesta manhã que o primeiro Focus de 2023 mostra "uma piora significativa da conjuntura, em especial na continuidade do processo dedesancoragem das expectativas de inflação para horizontes mais longos".