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Bolsa cai 2,58% ante temores sobre gastos da gestão Lula

SÃO PALO, SP (FOLHAPRESS) - Ações negociadas na Bolsa de Valores brasileira nesta quarta-feira (16) sofreram acentuada desvalorização e o dólar fechou o pregão com expressivo ganho em relação ao real. O mercado financeiro doméstico foi pressionado ao longo do dia por rumores sobre o nome do futuro ministro da Fazenda e pela espera por uma definição quanto aos gastos extra-teto que serão incluídos na PEC da Transição.

O índice Ibovespa tombou 2,58%, aos 110.243 pontos, depois de ter mergulhado mais de 3% ao longo do dia. O dólar comercial à vista avançou 1,52%, valendo R$ 5,3840 na venda.

Reforçando sinais de que investidores consideram neste momento que há risco de aceleração da inflação devido ao aumento dos gastos públicos no ano que vem, o mercado de juros futuros também apresentou forte alta. A taxa DI (depósitos interbancários) para 2024 passava dos 14,1% ao ano no final desta tarde.

A equipe do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pretende apresentar nesta quarta a minuta da PEC (proposta de emenda à Constituição) da Transição para retirar R$ 175 bilhões em despesas previstas com o Bolsa Família do alcance do teto de gastos.

O vice-presidente eleito e coordenador da transição de governo, Geraldo Alckmin, apresentará o texto da PEC da Transição nesta quarta, às 19h, no Senado, informou a assessoria do senador Marcelo Castro (MDB-PI), relator-geral do Orçamento de 2023.

Uma entrevista coletiva deve ocorrer às 20h, segundo a assessoria de Castro.

Mais cedo, o líder do PT no Senado, Paulo Rocha (PA), havia dito que a apresentação da Proposta de Emenda à Constituição deveria ocorrer um pouco antes, às 18h.

Rocha afirmou que a medida vai retirar do teto, exclusivamente, o Auxílio Brasil de R$ 600 reais, com adicional de R$ 150 por criança nas famílias beneficiadas pelo programa, que deverá ser renomeado como Bolsa Família.

Analistas explicam que, ao abrir mais brechas para ampliar gastos sem uma limitação como a imposta pelo teto de gastos, o governo gera condições para que a inflação tome fôlego devido ao aumento de dinheiro público circulando no mercado.

Para controlar essa pressão inflacionária, o Banco Central pode retomar as elevações da taxa de juros do país, hoje em 13,75% ao ano. Juros altos tendem a esfriar o mercado de ações, pois investidores se voltam para os ganhos oferecidos pela renda fixa. Isso reduz a capacidade das empresas financiarem seus projetos, prejudicando a geração de emprego.

Além disso, o descontrole dos gastos públicos pode dificultar a execução do plano financeiro traçado pelo governo. É o chamado risco fiscal. Investir no país fica mais arriscado e investidores levam seus dólares para fora, tornando a moeda americana mais cara por aqui. Esse processo gera inflação e requer juros ainda mais altos.

"O mercado segue precificando risco fiscal com forte alta nos juros futuros e penalizando ativos de risco com desvalorização de quase todas as ações do índice Bovespa", comentou Leandro De Checchi , analista da Clear Corretora.

"Ao colocar gastos com benefícios sociais fora do teto, a PEC cria uma imprevisibilidade sobre a política fiscal e, com o fiscal em dúvida, a gente vê imediatamente a curva de juros estressar", disse Nicolas Farto, chefe de renda variável da Renova Invest.

Rumores sobre o nome do futuro ministro da Fazenda também influenciaram os preços dos ativos após a agência Reuters ter noticiado que o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad era o favorito de Lula no momento.

Especulava-se no mercado que o nome de Haddad poderia até mesmo ser anunciado nesta quarta-feira, segundo Alexsandro Nishimura, sócio da BRA BS, o que não se confirmou.

O mercado doméstico também teve o seu desempenho prejudicado pela baixa no exterior, onde investidores da Bolsa de Nova York venderam ações para receber os lucros obtidos nos últimos dias. O S&P 500, parâmetro do mercado americano, caiu 0,83%.