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Bolsa cai 2,28% em reação do mercado a texto da reforma do IR e economia fraca

·2 minuto de leitura
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 28.06.2018: Investidores lotam o saguão da B3 (Bolsa de Valores) em São Paulo. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 28.06.2018: Investidores lotam o saguão da B3 (Bolsa de Valores) em São Paulo. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Bolsa de Valores brasileira encerrou esta quinta-feira (2) com queda de 2,28%, a 116.677 pontos, em um dia em que o mercado, já estressado com as perspectivas de baixo crescimento econômico, respondeu negativamente ao resultado da votação da reforma do Imposto de Renda na Câmara. O dólar fechou estável, a R$ 5,1820.

"A dinâmica de hoje é explicada quase integralmente pela reforma tributária, que, ao ser enviada para a Câmara, já vinha fazendo o Brasil operar com preços piores em relação a outros países emergentes", diz Daniel Miraglia, economista-chefe da Integral Investimento.

Para Miraglia, o mercado tem avaliado a reforma do IR como sendo "populista" e que ela "complica a vida do contribuinte", afirma.

Entre os pontos que desagradam investidores está o fato de o substitutivo aprovado na Câmara acabar com o JCP (Juros sobre Capital Próprio), segundo Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora.

Hoje, o JCP pode ser utilizado pelas empresas para distribuir lucros aos acionistas e computado como despesa, ou seja, ajuda a abater impostos.

Para ser aprovada, a reforma tributária ainda precisará ser analisada pelo Senado.

Dados recentes da atividade econômica também pesaram no resultado da Bolsa nesta quinta, de acordo com o analista.

Também nesta quinta, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou que a produção industrial teve queda de 1,3% em julho, em relação a junho. Analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam recuo de 0,8%.

O setor industrial está pressionado pela escassez de insumos e pelo aumento de custos nas fábricas, situação agravada pela alta da energia.

"O resultado reduz a expectativa de crescimento das empresas e acaba afetando o potencial de valorização das ações", diz Ribeiro.

Na quarta-feira (1º), a divulgação do PIB do segundo trimestre mostrou retração de 0,1% da economia em relação ao período imediatamente anterior, frustrando expectativas do mercado, que estimava alta de 0,2%.

No pregão desta quinta, o mercado doméstico operou novamente descolado do bom desempenho do exterior.

Os índices americanos Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq encerraram o dia com altas de 0,37%, 0,28% e 0,14%, respectivamente.

O petróleo Brent, referência mundial, subiu 1,73%, a 72,83 dólares (R$ 376,78).

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