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Bolsa brasileira fecha em queda com dados abaixo do esperado de vendas no varejo

***ARQUIVO*** São Paulo, SP, Brasil, 24-01-2019 - Cédulas de dólar. Papel Moeda. Dinheiro. (foto Gabriel Cabral/Folhapress)
***ARQUIVO*** São Paulo, SP, Brasil, 24-01-2019 - Cédulas de dólar. Papel Moeda. Dinheiro. (foto Gabriel Cabral/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Descolado das Bolsas nos Estados Unidos, que experimentaram uma leve recuperação nesta quarta-feira (14) após o tombo na sessão passada, o Ibovespa encerrou os negócios em queda de 0,22%, aos 110.546 pontos.

O índice acionário do mercado local foi pressionado por empresas do setor de consumo, após dados abaixo do esperado de vendas no varejo. As ações do Magazine Luiza recuaram 5,11%, enquanto as das Via tiveram desvalorização de 3,56%, e as das Americanas, de 1,8%.

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou nesta quarta que as vendas no varejo brasileiro recuaram em julho, na terceira queda seguida do comércio sobre o mês anterior. As vendas caíram 0,8% sobre junho, em dado com ajuste sazonal, maior declínio para o mês desde 2018 (-0,9%). Na comparação com julho do ano passado, o varejo encolheu 5,2%.

A expectativa em pesquisa da Reuters era de alta de 0,30% na comparação mensal e de queda de 3,50% sobre um ano antes.

Exportadoras de commodities metálicas também contribuíram para a queda do Ibovespa —as ações da Gerdau cederam 3,72%, as da Usiminas caíram 3,17%, e as da Vale, 1,83%.

O movimento esteve alinhado à queda de 1,1% do minério de ferro no mercado internacional, que repercutiu, por sua vez, a desvalorização das Bolsas asiáticas, com os investidores da região digerindo os dados da inflação americana divulgados no dia anterior.

A alta das ações da Petrobras, de 1,53% das preferenciais, e de 1,20% das ordinárias, acompanhando o movimento das cotações do petróleo no mercado internacional, impediu uma baixa mais expressiva da Bolsa local.

Após recuar 0,9% no pregão anterior, o preço do barril de petróleo do tipo Brent oscilava em alta de 1,3% nesta quarta, por volta das 17h40, negociado a US$ 94,36 (R$ 488,48).

No câmbio, o dólar, que havia subido 1,8% na terça, operou em queda frente ao real ao longo de todo o dia, e encerrou os negócios em baixa de 0,19%, cotado a R$ 5,1790 para venda.

BOLSAS NOS EUA SE RECUPERAM PARCIALMENTE DAS PERDAS REGISTRADAS NA SESSÃO ANTERIOR

No mercado externo, as ações nas principais Bolsas dos Estados Unidos operaram sob intensa volatilidade, se alternando entre perdas e ganhos, após a forte baixa registrada na véspera, provocada por dados de inflação nos Estados Unidos.

Já perto do final da sessão, os principais índices acionários do mercado americano acabaram se firmando no terreno positivo, com ganhos de 0,34% do S&P 500, de 0,10% do Dow Jones e de 0,74% do Nasdaq.

A alta, contudo, compensou apenas parcialmente o tombo verificado na terça-feira (13), quando os índices tiveram queda de 4,32%, 5,16% e 3,94%, respectivamente, a maior desde junho de 2020.

O tombo veio na esteira da forte aversão ao risco que dominou os mercados na sessão anterior, por causa de dados sobre a inflação nos Estados Unidos acima das expectativas, que renovaram os temores dos investidores acerca de um aperto monetário mais agressivo por parte do Federal Reserve (Fed), o banco central americano.

"O receio de uma desaceleração econômica se intensificou no mercado, trazendo novamente o sentimento de aversão ao risco", afirmou Antônio Sanches, analista da Rico Investimentos.

A inflação americana subiu 0,1% em agosto em relação a julho. No acumulado em 12 meses, a alta dos preços ficou em 8,3%.

Analistas de mercado esperavam que o CPI, sigla em inglês para índice de preços ao consumidor, mostrasse deflação. A agência Bloomberg projetava taxa negativa de 0,1% no mês e, no acumulado em 12 meses, apontava que o índice cairia de 8,5% para 8,1%.

Dado que melhor demonstra a persistência da alta de preços nos EUA, o núcleo da inflação de agosto, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, subiu 0,6% e passou a acumular um avanço de 6,3% em relação aos 5,9% registrados em julho.

Os rumos da inflação americana são essenciais para a formação dos preços ao consumidor e dos juros também no Brasil. Isso vai além da pressão inflacionária exercida pela alta da taxa de câmbio sobre os valores de matérias-primas cotadas em dólar e das importações.

O custo do crédito no Brasil depende da taxa nos Estados Unidos. Para atrair e manter investimentos por aqui, o país precisa que seus títulos soberanos ofereçam juros suficientemente altos para compensar instabilidades políticas e econômicas.

Os juros americanos estão atualmente na casa dos 2,5%. No Brasil, a taxa básica Selic está em 13,75% ao ano.

"No prognóstico de taxa terminal já se fala em 4% ou mais. O pico da inflação pode não ter se mostrado ainda e a mesma é uma batalha árdua a ser vencida, até porque os núcleos seguem pressionados", aponta Julio Hegedus Netto, economista-chefe da Mirae Asset, em relatório.

Sem a redução esperada no CPI, o mercado passa a esperar que o Fed continue a aumentar com rapidez os juros no país.

Aumentar juros é uma medida adotada por bancos centrais para segurar a inflação. O crédito mais caro reduz a circulação de dinheiro, e os preços tendem a cair. Um efeito colateral é o aumento do desemprego. Nos Estados Unidos, porém, há quase duas vagas abertas para cada pessoa à procura de trabalho.

Na próxima quarta-feira (21), o Fed deverá divulgar um novo aumento da sua taxa de juros. O mercado esperava uma elevação entre 0,50 e 0,75 ponto percentual. Mas após a surpresa com a inflação de agosto, analistas consideram até mesmo um aumento de 1 ponto percentual.

Na semana passada, Jerome Powell, presidente do Fed, disse que os Estados Unidos devem continuar a agir energicamente para reduzir a demanda e conter a pressão sobre os preços para evitar um pico de inflação como o observado nas décadas de 1970 e 1980.