Mercado abrirá em 9 h 17 min

Bolsa brasileira deve voltar do Carnaval em forte queda

JÚLIA MOURA
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 08.08.2011 - MERCADO-FINANCEIRO: Painéis de indicadores econômicos da Bovespa, em São Paulo. (Foto: Alessandro Shinoda/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Bolsa brasileira deve voltar do feriado de Carnaval em forte queda nesta quarta-feira (26), quando reabre às 13h. Enquanto as negociações brasileiras permaneceram paralisadas, o fundo de índice (ETF) que replica o Ibovespa em dólar (iShares MSCI Brazil) recua 6,4% desde segunda (24) na Bolsa de Nova York.

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A queda reflete o aumento da preocupação de investidores com o impacto econômico do coronavírus, que se alastra fora da China, em especial, na Europa.

"A tendência é que o Ibovespa caia também. Os dois índices andam, em tese, juntos. Tudo indica que a queda do Ibovespa vai ser bem pesada amanhã", afirma o economista-chefe da Necton, André Perfeito.

Os recibos de ações (ADRs) de Petrobras e Vale negociados na Bolsa de Nova York caíram 8,8% e 10%, respectivamente, desde segunda (24). Os ADRs da Gerdau acumulam queda de 8,6% e as do Bradesco, de 5%. 

O risco-país da brasileiro medido pelo CDS (Credit Default Swap) de cinco anos subiu 12,5% nos últimos dois dias para 104,9 pontos, maior valor desde 27 de janeiro.

Como o EWZ e os ADRs brasileiros são negociados em dólar, a queda do mercado brasileiro pode ser ainda mais acentuada uma quarta, por incorporar uma eventual alta da moeda americana. 

Nesta terça, porém, o dólar perdeu força ante as principais moedas globais. O índice DXY, que mede a força internacional do dólar, caiu 0,4% após subir 0,1% na segunda. 

A desvalorização reflete a aposta de investidores de novos cortes na taxa de juros americana. O mercado precifica uma chance de 50% de um corte de 0,25 ponto no início de abril e mais de 0,50 ponto em reduções até o final do ano. Os cortes seriam uma maneira de estimular a economia, que deve ser impactada pelo coronavírus.

Na segunda (24), as principais Bolsas globais tiveram fortes quedas com o surgimento de novos surtos da doença em países fora da China, especialmente na Itália.

Na Europa, índices tiveram a pior queda desde 2016 e o ouro, ativo de segurança, foi ao maior patamar desde 2013.

Nesta terça, o movimento os mercados seguiram em queda depois que o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) alertou que os americanos devem começar se preparar para a disseminação do vírus. 

O índice Dow Jones caiu 3,15% e foi ao menor patamar desde outubro de 2019. S&P 500 e Nasdaq foram aos menores valores desde dezembro, com queda de 3% e 2,7%, respectivamente. 

O título do Tesouro americano de dez anos caiu para o menor rendimento já registrado, a 1,354% ao ano.

"Pela primeira vez em algum tempo, nós finalmente estamos acordando para o fato de que esse problema pode continuar por um período e ter um impacto significativo no crescimento econômico chinês e global e potencialmente nos Estados Unidos", afirma Randy Frederick, vice-presidente de negociação e derivativos da Charles Schwab Corporation.

O Stoxx 50, índice que reúne as ações das maiores empresa da Europa caiu 2% após recuar 4% na segunda. 

Nesta terça, Suíça, Croácia, Áustria e Espanha registraram seus primeiros casos. O caso suíço é de um homem que esteve recentemente em Milão.

A Itália registrou a 11ª morte pelo novo coronavírus e já conta com mais de 320 casos. As principais regiões atingidas são o norte e o nordeste do país, embora a epidemia tenha avançado em direção ao sul.

A região norte da Itália compõe um importante polo industrial da Europa junto ao sul da Suíça, Áustria e Alemanha e investidores temem que a atividade manufatureira na área fique paralisada.

A Bolsa de Milão caiu 1,44% depois de despencar 5,4% na segunda.

Os preços do petróleo continuam a cair. O barril de Brent recuou 2,3% para US$ 55 e o WTI caiu 2,6% para US$ 50. 

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