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Bolsa brasileira cai 1,5% com atrito entre Marinho e Guedes e queda do petróleo

JÚLIA MOURA
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*ARQUIVO* São Paulo, SP, Brasil, 24-01-20109 - Cédulas de dólar. Papel Moeda. Dinheiro. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)
*ARQUIVO* São Paulo, SP, Brasil, 24-01-20109 - Cédulas de dólar. Papel Moeda. Dinheiro. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Bolsa brasileira não resistiu à queda dos índices globais com o diagnóstico de coronavírus do presidente americano, Donald Trump, e acompanhou a tendência após operar em alta pela manhã.

O Ibovespa fechou com desvalorização de 1,5%, a 94.015 pontos, após críticas entre os ministros Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional) e Paulo Guedes (Economia) e queda de mais de 4% no preço do petróleo.

Em evento fechado a analistas e economistas em São Paulo, Marinho disse que o programa Renda Brasil, possível substituto do Bolsa Família, vai sair, resta saber se será da melhor maneira ou da pior -o que foi interpretado como uma disposição do governo de violar a regra do teto de gastos.

Ao tomar conhecimentos dos comentários, Guedes rebateu as críticas, chamando o colega de despreparado, desleal e fura-teto.

Investidores temem o financiamento do programa fora do teto de gastos e sem cortes em outras áreas, o que pioraria a situação fiscal do país.

O aumento do risco fiscal levou os juros futuros a uma nova sessão de forte alta. O juro para janeiro de 2025 saltou 4,4%, de 6,5% para 6,8%. Na segunda (28), com o anúncio do Renda Cidadã e da proposta de financiá-lo com recursos de precatórios e do Fundeb (fundo para educação básica), o juro para janeiro de 2025 saltou 6,3%.

O dólar fechou em leve alta de 0,17%, a R$ 5,66, maior valor desde 5 de maio. O turismo está a R$ 5,80. Na semana, marcada pela preocupação fiscal, a moeda acumulou alta de 1,9%.

Já o Ibovespa caiu 3% na semana, a pior desde maio.

Neste pregão, ao índice foi puxado por Petrobras. As ações preferenciais (mais negociadas) da estatal caíram 4,2%, a R$ 19,02 e as ordinárias (com direito a voto), 3,9% a R$ 19,18.

A queda seguiu a desvalorização dos preços internacionais de petróleo. O barril de Brent (referência internacional) recua 4,6%, a US$ 39,03, ao fim do pregão, menor valor desde 28 de maio.

O preço da matéria-prima é pressionado pela incerteza dos mercados nesta sexta e um aumento na produção da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) em setembro. Além disso, analistas veem uma menor demanda com o avanço do coronavírus na Europa.

Com a notícia de que o Trump está com Covid-19 e entrou em quarentena a 32 dias da eleição americana, as principais Bolsas globais fecharam em queda.

Investidores se preocupam com o rumo da campanha de Trump contra o democrata Joe Biden, o que levou a Nasdaq, Bolsa de tecnologia dos EUA, a cair 2,2% e Dow Jones, 0,5%. S&P 500 teve queda de 1%.

A Bolsa de Tóquio caiu 0,7% e a da Austrália, 1,4%. Os mercados chineses permaneceram fechados devido a feriado local.

Na Europa, a Bolsa de Frankfurt caiu 0,3%, Paris fechou estável e Londres subiu 0,4%. O índice Stoxx 600, que reúne as principais empresas da região, teve alta de 0,25%.