Mercado abrirá em 1 h 7 min
  • BOVESPA

    106.363,10
    -56,43 (-0,05%)
     
  • MERVAL

    38.390,84
    +233,89 (+0,61%)
     
  • MXX

    51.714,60
    -491,99 (-0,94%)
     
  • PETROLEO CRU

    81,00
    -1,66 (-2,01%)
     
  • OURO

    1.800,50
    +1,70 (+0,09%)
     
  • BTC-USD

    60.968,79
    +1.814,70 (+3,07%)
     
  • CMC Crypto 200

    1.469,76
    -4,57 (-0,31%)
     
  • S&P500

    4.551,68
    -23,11 (-0,51%)
     
  • DOW JONES

    35.490,69
    -266,19 (-0,74%)
     
  • FTSE

    7.241,70
    -11,57 (-0,16%)
     
  • HANG SENG

    25.555,73
    -73,01 (-0,28%)
     
  • NIKKEI

    28.820,09
    -278,15 (-0,96%)
     
  • NASDAQ

    15.658,25
    +71,00 (+0,46%)
     
  • BATS 1000 Index

    0,0000
    0,0000 (0,00%)
     
  • EURO/R$

    6,4215
    -0,0032 (-0,05%)
     

Bolsa do Brasil cai 12% no ano enquanto pregões de Nova York sobem dois dígitos

·7 minuto de leitura
***Arquivo**SÃO PAULO, SP, 09.05.2015 - Gráficos das recentes flutuações dos índices de mercado no pregão da BM & F Bovespa, na Bolsa de Valores de São Paulo. (Foto: Diego Padgurschi/Folhapress)
***Arquivo**SÃO PAULO, SP, 09.05.2015 - Gráficos das recentes flutuações dos índices de mercado no pregão da BM & F Bovespa, na Bolsa de Valores de São Paulo. (Foto: Diego Padgurschi/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) Com avanços no combate à pandemia estimulando a retomada econômica mundial e injeções de incentivos financeiros governamentais, os mercados de ações globais entregaram ganhos consistentes ao longo de 2021. No Brasil, porém, os negócios andaram para trás devido a uma combinação de sucessivas crises internas com um contexto externo desafiador para economias emergentes.

De janeiro a setembro, o Ibovespa, índice de referência da Bolsa de Valores brasileira, caiu 6,75%. Se considerada a variação do dólar no período, a queda é aprofundada para 11,67%. Nos Estados Unidos, os três principais indicadores acumulam ganhos. Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq subiram 10,58%, 14,68% e 12,11%, respectivamente.

O desempenho brasileiro também destoa do crescimento de outras Bolsas relevantes no continente americano. Ao norte, os índices S&P/TSX, do Canadá, e S&P BMV IPC, do México, avançaram 15,86% e 12,93%, enquanto ao sul, o índice Merval, da Argentina, entregou lucro de 28,70%.

No mesmo período, o índice Euro Stoxx 50, que reúne 50 ações de empresas com maior volume de negociação da Europa, avançou 7,85%. Também cresceram os índices de referência das Bolsas de Londres (8,16%), de Paris (11,16%) e de Frankfurt (4,74%).

Entre as Bolsas de economias desenvolvidas que estão fora da América do Norte e da Europa, o índice S&P/ASX 200, da Austrália, subiu 4,35%, enquanto o Nikkei, do Japão, recuou 0,57%. Todas as comparações consideram as cotações em dólar americano, com base em dados da Bloomberg.

Parte importante desses ganhos pode ser atribuída a políticas monetárias expansionistas de países desenvolvidos, que empenharam capital nos mercados por meio da compra de ativos e reduziram taxas de juros, medidas adotadas para amenizar os prejuízos causados pela restrições impostas pelo combate à pandemia.

O pacote de estímulos mais significativo é o adotado pelo Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos), que ainda mantém compras mensais de ativos de US$ 120 bilhões (cerca de R$ 660 bilhões) enquanto segura uma taxa de juros básicos perto de zero. Com o dinheiro entrando nas Bolsas e a renda fixa pagando pouco, investidores formam tomados por um sentimento positivo em relação aos mercados de risco, mesmo em um mundo ainda em crise.

Os efeitos dessas políticas expansionistas sobre as economias em desenvolvimento, porém, não foram homogêneos. Entre os cinco grandes mercados emergentes quem formam o bloco denominado Brics, do qual o Brasil é parte, as Bolsas da Índia e da Rússia se valorizaram em 23,98% e 11,68%, respectivamente, enquanto a da África do Sul caiu 9,82%. A Bolsa de Xangai, a principal da China, recuou 5,42%, assim como houve retração de 10,12% no índice Hang Seng, referência para o mercado de Hong Kong, também na China.

A desaceleração da China é parte da explicação para que o Brasil não tenha conseguido aproveitar a janela mundial de crescimento. Destino da maior parte das commodities produzidas por algumas das principais empresas que compõem o Ibovespa, o gigante vermelho encontrou na pandemia obstáculos para continuar a sua planejada mudança para matrizes energéticas eólica e solar, reduzindo assim a sua dependência do carvão mineral na tentativa de reduzir suas emissões de aproximadamente 10 gigatoneladas de CO2 (dióxido de carbono) por ano.

Entre os efeitos das restrições geradas pela Covid, porém, a desorganização das cadeias de abastecimento afetou a produção de componentes para equipamentos necessários à expansão de turbinas eólicas e placas de células fotovoltaicas em um momento em que a China já havia fechado parte das suas minas de carvão.

Sem os recursos suficientes à sua demanda de energia, o país realiza racionamentos, afetando sua produção industrial e agravando ainda mais a escassez de produtos manufaturados no mundo, ao mesmo tempo em que também pressiona os preços de insumos para a produção energética, como o petróleo.

"A China é o maior player de manufatura do planeta, a fábrica do mundo, e essas questões estão gerando um choque de oferta: o planeta precisa produzir mas não tem capacidade porque faltam insumos", diz Roberto Dumas, professor de economia chinesa do Insper.

Com isso, o Brasil não só é prejudicado pela redução da demanda chinesa por commodities, como o minério de ferro produzido pela Vale, mas também se torna menos atraente diante da expectativa da elevação dos juros básicos nos Estados Unidos e na Europa, cenário dado como certo devido à escalada da inflação global.

O descolamento da Bolsa brasileira em relação às demais em um período de expansão, porém, não pode ser inteiramente atribuído à virada no contexto internacional, segundo Dumas. "As economias globais estão crescendo menos, mas não estão paradas. China e Estados Unidos vão acabar crescendo, diferente do que está acontecendo no Brasil, que não consegue avançar devido às suas peculiaridades e características estruturais", diz.

"Primordialmente temos fatores domésticos afetando a Bolsa por aqui, como a PEC [Proposta de Emenda à Constituição] dos precatórios, o auxílio emergencial e a crise hídrica, tudo isso em um cenário em que as eleições de 2022 estão se aproximando", diz Jennie Li, estrategista de ações da XP.

A PEC dos precatórios e o auxílio emergencial resumem o quadro de ameaças fiscais do país para o próximo ano: enquanto a equipe econômica do governo não consegue avançar nas suas tentativas em fechar acordos no Congresso e no Judiciário para adiar parte do pagamento de R$ 89 bilhões de dívidas judiciais reconhecidas previstas para 2022, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pressiona por recursos para ampliar a distribuição de renda no ano eleitoral.

O risco leva mais investidores a buscar proteção no dólar e aumenta a pressão sobre o câmbio, enquanto a falta de chuvas amplia o custo de geração de energia, uma combinação que acelera ainda mais a inflação que já seria alta em um contexto de escassez global.

A resposta do Banco Central é a elevação dos juros básicos para frear a alta nos preços por meio da contração do crédito. O efeito colateral é a desaceleração da economia e um mercado ainda menos atraente aos investidores. Solução, entretanto, que pode não ser suficiente enquanto houver ameaça de desequilíbrio das contas públicas, segundo Daniel Miraglia, economista-chefe da Integral Group.

Miraglia ainda destaca que, apesar do efeito da China sobre o Brasil, há poucos motivos comuns entre os recuos das Bolsas nos dois países.

No país asiático até mesmo a crise do setor imobiliário provocada pela quebra da incorporadora Evergrande está relacionada a decisões planejadas pelo Partido Comunista da China, que busca equilibrar sua economia majoritariamente voltada à produção de bens para dar mais espaço ao consumo interno, segundo o analista.

"São situações muito diferentes, uma vez que na China o planejamento é para os próximos cem anos, enquanto no Brasil a disputa eleitoral influencia decisões a cada quatro anos", diz.

Investidor deve evitar pulverização de ações Apesar da visão turva do horizonte, o investidor deve evitar a pulverização de ações neste momento de baixa e, caso tenha estômago para suportar o balanço do mercado, pode até mesmo aumentar a exposição a ativos sólidos eventualmente baratos.

A ideia, nesse caso, é reforçar uma carteira de investimentos para o longo prazo desvinculados de objetivos pontuais, como a compra de um imóvel em um determinado prazo ou a aposentadoria, orienta Ivens Gasparotto, head de consultoria da Suno.

"Você deve investir na Bolsa porque quer participar do lucro das empresas, da economia, receber dividendos, mas não deve fazer isso se espera lucrar o suficiente para comprar uma casa em cinco anos", afirma.

"A aplicação deve ser pensada para dez ou vinte anos, no mínimo, porque é improvável que nesse intervalo o investimento resulte em prejuízo", diz Gasparotto.

Para quem aplicou enquanto a Bolsa ascendia aos 130 mil pontos na virada do primeiro para o segundo semestre deste ano e somente agora se descobriu avesso ao risco, Paloma Brum, analista de investimentos na Toro, indica a manutenção de ao menos parte dos ativos.

"Ao longo dos anos, a Bolsa converge para o lucro", diz. "Se tomarmos como exemplo as ações da Vale, a empresa está em uma condição melhor do que os pares dela no mercado internacional, o que é uma boa medida para sabermos que as ações estão baratas."

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos