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Bolsa avança 0,55% e fecha em alta pela primeira vez em 2022

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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 09.05.2015 - Gráfico de indicadores econômicos na sede da Bolsa de Valores de SP. (Foto: Diego Padgurschi/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 09.05.2015 - Gráfico de indicadores econômicos na sede da Bolsa de Valores de SP. (Foto: Diego Padgurschi/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após fechar em queda nas três primeiras sessões do ano, a Bolsa de Valores brasileira ensaiou uma recuperação tímida nesta quinta-feira (6).

O Ibovespa, principal índice de ações do mercado local, oscilou com ganhos moderados ao longo de praticamente toda a sessão, para terminar o dia com valorização de 0,55%, aos 101.561 pontos.

O movimento veio após a forte queda de 2,4% registrada na véspera, que quase fez com que o índice de mercado perdesse a marca dos 101 mil pontos, na esteira de sinalizações vindas dos Estados Unidos sobre o início do aperto nas condições financeiras e monetárias na maior economia global em 2022.

Segundo Victor Lima, analista da Toro Investimentos, o dia de ganhos para a Bolsa local se deveu principalmente pelo apoio prestado por papéis de empresas exportadoras de commodities, caso da Vale, que viu suas ações avançarem 2,02%, negociadas a R$ 79,38 ao final da sessão.

Também fecharam no campo positivo os papéis do Carrefour, com alta de 2,22%, a R$ 14,27. O movimento nesse caso veio na esteira de uma reportagem publicada pela Bloomberg relatando que a rede francesa de supermercados Auchan estaria mantendo conversas junto a grupos de investidores com o objetivo de fazer uma proposta para adquirir uma participação relevante do concorrente.

As notícias sobre o possível negócio fizeram as ações da rede de supermercados destoarem dos pares --as ações do Pão de Açúcar tiveram baixa de 3,77% nesta quinta, a R$ 19,42, enquanto as da Via recuaram 4,60%, para R$ 4,36.

Na agenda doméstica, o destaque do dia foram os dados da produção industrial divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A produção industrial brasileira recuou 0,2% em novembro de 2021, na comparação com outubro. É a sexta queda consecutiva do indicador.

O resultado representa mais um sinal de fragilidade da economia no quarto trimestre do ano passado. Com o novo desempenho negativo, a produção industrial ficou 4,3% abaixo do patamar pré-pandemia, de fevereiro de 2020, apontou o IBGE.

O dado de novembro veio em nível inferior ao esperado pelo mercado. Analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam avanço de 0,1%.

Segundo Rodolfo Margato, economista da XP, as restrições nas cadeias de suprimentos --sobretudo a escassez de semicondutores e chips-- vêm prejudicando severamente os setores automotivo e de fabricação de produtos eletrônicos.

"Olhando para 2022, esperamos redução gradual dos gargalos nas cadeias de suprimentos que vêm travando a produção industrial. Por exemplo, cada vez mais empresas na Ásia relatam que as paralisações de fábricas, interrupções no fornecimento de energia e limitações nas estruturas portuárias diminuíram de forma significativa ao longo das últimas semanas", apontou Margato, em nota.

Ele acrescenta que não espera por restrições de mobilidade severas devido à disseminação da variante ômicron do coronavírus, embora reconheça que o problema é um fator de risco relevante a ser monitorado.

Já nos Estados Unidos, aponta o analista da Toro, as ações estiveram sob intensa volatilidade, em especial as do setor de tecnologia, com os investidores ainda repercutindo as sinalizações do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) sobre o ciclo de alta dos juros antes do previsto na maior economia global em 2022.

Autoridades do Fed indicaram na quarta-feira (5) que pode ser preciso aumentar a taxa de juros antes do esperado diante da pressão inflacionária, de acordo com ata da reunião de política monetária ocorrida em dezembro.

Os formuladores de política monetária concordaram em acelerar o fim do programa de compras de títulos --implementado no início da pandemia-- e previram uma antecipação do aumento de juros, alcançando 0,75 ponto percentual durante 2022.

O S&P 500 fechou em leve queda de 0,10%, enquanto o Nasdaq recuou 0,13%, e o Dow Jones registrou perdas de 0,47%.

No dólar, o dia também foi de algum ajuste após a sessão anterior de volatilidade acentuada. A moeda americana encerrou em queda de 0,54% frente ao real, cotada a R$ 5,6790 para venda, depois de ter alcançado a marca de R$ 5,71 na véspera.

"Aparentemente, ontem [quarta, 5] o mercado já absorveu quase todo o tom mais duro da ata do Fed", afirma Fernanda Consorte, economista-chefe do Banco Ourinvest, em referência ao comportamento da moeda nesta quinta.

De toda forma, o patamar ainda elevado no qual a divisa norte-americana continua sendo cotada, acrescenta a especialista, incorpora o ambiente de menor liquidez global, bem como as incertezas relativas à evolução das contas públicas no Brasil em um ano eleitoral. "Devemos seguir vendo o dólar próximo ao patamar de R$ 5,70 nos próximos pregões", diz a economista.

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