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Bolsa atinge maior patamar desde os 100 mil pontos

JÚLIA MOURA
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Bolsa atinge maior patamar desde os 100 mil pontos

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Bolsa brasileira voltou ao patamar dos 98 mil pontos nesta terça-feira (11), próximo ao pico histórico, quando atingiu os 100 mil pontos durante o pregão nos dias 18 e 19 de março.  O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que irá "blindar a Câmara de qualquer crise", sem fazer referência direta ao caso das mensagens entre o ministro Sergio Moro (Justiça) e procuradores da Lava Jato na época que era juiz. O mercado, que aposta na independência das reformas, abandonou a cautela da véspera. O Ibovespa fechou a 98.960 pontos, maior valor desde a máxima histórica. O dólar acompanhou o viés positivo e cedeu 0,90%, a R$ 3,8500, menor patamar desde abril. A alta do índice foi puxada pelas ações de Vale e CSN. Os papéis da mineradora, que compõem 9,8% do índice, registraram alta de 6,39% a R$ 51,44, maior patamar desde abril. A siderúrgica teve alta de 5,68%, a R$ 18,22. As companhias acompanharam a valorização do minério de ferro, cujo contrato mais ativo subiu 4% nesta terça, a US$ 107,79. O valor é próximo da máxima do ano, de US$ 109,98.  A escassez da oferta de minério, com a tragédia de Brumadinho e um ciclone que afetou a produção na Austrália, impulsionam a valorização da commoditie. Além disso, a China, maior consumidor, registrou aumento da demanda em maio com relação ao mês anterior, quando teve o pior nível de importação em 18 meses. Outro fator que impulsionou os mercados foi o anúncio de novos incentivos econômicos do governo chinês. O país vai permitir que governos locais usem recursos de títulos especiais como capital para projetos de investimento, incluindo estradas, oferta de gás e energia e ferrovias. Com a notícia, o índice CSI 300, que reúne as Bolsas de Xangai e Shenzhen, subiu 3%. Os índices de Nikkei e Hong Kong tiveram alta de 0,33% e 0,76%, respectivamente. Bolsas europeias acompanharam o viés positivo. Londres e Paris valorizaram 0,31% e 0,48%, respectivamente. Frankfurt, que voltou de feriado, subiu 0,92%. Nos Estados Unidos, a incerteza sobre fusão de duas gigantes interferiu na alta do mercado e deixou os índices estáveis. As companhias United Technologies e Raytheon, que negociam se juntar para criar uma nova empresa aeroespacial, tiveram fortes quedas após incertezas quanto a aprovação do negócio por parte do governo americano. United cedeu 3,89% e Raytheon, 4,94% . A Symantec também pressionou os índices americanos. As ações da companhia cederam 2,45%, a US$ 18,74 depois que o banco Morgan Stanley rebaixou as recomendações do papel devido à alta competitividade do setor. Além disso, a tensão quanto a guerra comercial com a China continua. Nesta terça, o presidente americano Donald Trump afirmou que não está interessado em uma resolução, a menos que seja um grande acordo. Trump disse ainda que espera se reunir com o presidente chinês, Xi Jinping, na cúpula do G20 no Japão neste mês, mas que a China precisa reverter sua decisão de rejeitar algumas das medidas negociadas anteriormente no acordo. Na véspera, o presidente afirmou que estava preparado para impor outra ronda de tarifas sobre as importações chinesas caso as negociações no G20 não progridam. No Brasil, a aprovação do crédito extra de R$ 248,9 bilhões na CMO (comissão mista de Orçamento) do Congresso, que libera dinheiro para pagamento de benefícios assistenciais e aposentadorias, impulsionou o viés otimista.  Além do andamento da pauta, fundamental para o governo Bolsonaro, investidores aguardam o relatório da reforma da Previdência que será apresentado nesta quinta (13). O Ibovespa subiu 1,53%, a 98.960 pontos, com giro financeiro de R$ 16,959 bilhões, acima da média diária para o ano. A marca de 100 mil pontos, no entanto, pode não estar tão próxima quanto parece, afirma Betina Roxo, analista da XP Investimentos. "Por enquanto, os projetos econômicos seguem tramitando, mas há o medo de um possível ruído das reportagens do The Intercept Brasil nas reformas. À curto prazo a sustentação do Ibovespa neste patamar é desafiadora pois a reforma da Previdência ainda está tramitando, sendo preciso passar por um processo de negociação até ser aprovada na comissão especial e no plenário, gerando volatilidade no mercado", diz Betina.

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Bolsa brasileira voltou ao patamar dos 98 mil pontos nesta terça-feira (11), próximo ao pico histórico, quando atingiu os 100 mil pontos durante o pregão nos dias 18 e 19 de março. 

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que irá "blindar a Câmara de qualquer crise", sem fazer referência direta ao caso das mensagens entre o ministro Sergio Moro (Justiça) e procuradores da Lava Jato na época que era juiz.

O mercado, que aposta na independência das reformas, abandonou a cautela da véspera. O Ibovespa fechou a 98.960 pontos, maior valor desde a máxima histórica. O dólar acompanhou o viés positivo e cedeu 0,90%, a R$ 3,8500, menor patamar desde abril.

A alta do índice foi puxada pelas ações de Vale e CSN. Os papéis da mineradora, que compõem 9,8% do índice, registraram alta de 6,39% a R$ 51,44, maior patamar desde abril. A siderúrgica teve alta de 5,68%, a R$ 18,22.

As companhias acompanharam a valorização do minério de ferro, cujo contrato mais ativo subiu 4% nesta terça, a US$ 107,79. O valor é próximo da máxima do ano, de US$ 109,98. 

A escassez da oferta de minério, com a tragédia de Brumadinho e um ciclone que afetou a produção na Austrália, impulsionam a valorização da commoditie. Além disso, a China, maior consumidor, registrou aumento da demanda em maio com relação ao mês anterior, quando teve o pior nível de importação em 18 meses.

Outro fator que impulsionou os mercados foi o anúncio de novos incentivos econômicos do governo chinês. O país vai permitir que governos locais usem recursos de títulos especiais como capital para projetos de investimento, incluindo estradas, oferta de gás e energia e ferrovias.

Com a notícia, o índice CSI 300, que reúne as Bolsas de Xangai e Shenzhen, subiu 3%. Os índices de Nikkei e Hong Kong tiveram alta de 0,33% e 0,76%, respectivamente.

Bolsas europeias acompanharam o viés positivo. Londres e Paris valorizaram 0,31% e 0,48%, respectivamente. Frankfurt, que voltou de feriado, subiu 0,92%.

Nos Estados Unidos, a incerteza sobre fusão de duas gigantes interferiu na alta do mercado e deixou os índices estáveis. As companhias United Technologies e Raytheon, que negociam se juntar para criar uma nova empresa aeroespacial, tiveram fortes quedas após incertezas quanto a aprovação do negócio por parte do governo americano. United cedeu 3,89% e Raytheon, 4,94% .

A Symantec também pressionou os índices americanos. As ações da companhia cederam 2,45%, a US$ 18,74 depois que o banco Morgan Stanley rebaixou as recomendações do papel devido à alta competitividade do setor.

Além disso, a tensão quanto a guerra comercial com a China continua. Nesta terça, o presidente americano Donald Trump afirmou que não está interessado em uma resolução, a menos que seja um grande acordo.

Trump disse ainda que espera se reunir com o presidente chinês, Xi Jinping, na cúpula do G20 no Japão neste mês, mas que a China precisa reverter sua decisão de rejeitar algumas das medidas negociadas anteriormente no acordo.

Na véspera, o presidente afirmou que estava preparado para impor outra ronda de tarifas sobre as importações chinesas caso as negociações no G20 não progridam.

No Brasil, a aprovação do crédito extra de R$ 248,9 bilhões na CMO (comissão mista de Orçamento) do Congresso, que libera dinheiro para pagamento de benefícios assistenciais e aposentadorias, impulsionou o viés otimista. 

Além do andamento da pauta, fundamental para o governo Bolsonaro, investidores aguardam o relatório da reforma da Previdência que será apresentado nesta quinta (13).

O Ibovespa subiu 1,53%, a 98.960 pontos, com giro financeiro de R$ 16,959 bilhões, acima da média diária para o ano. A marca de 100 mil pontos, no entanto, pode não estar tão próxima quanto parece, afirma Betina Roxo, analista da XP Investimentos.

"Por enquanto, os projetos econômicos seguem tramitando, mas há o medo de um possível ruído das reportagens do The Intercept Brasil nas reformas. À curto prazo a sustentação do Ibovespa neste patamar é desafiadora pois a reforma da Previdência ainda está tramitando, sendo preciso passar por um processo de negociação até ser aprovada na comissão especial e no plenário, gerando volatilidade no mercado", diz Betina.