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Bolsa argentina acumula queda de 11% em dois dias

JÚLIA MOURA
·3 minuto de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em apenas dois dias, a Bolsa de Valores argentina acumula queda de 11,05%. Depois de 21 pregões seguidos de alta, o índice Merval, principal índice acionário do país, caiu 5,55% na segunda (26) e 5,82% nesta terça (27). Dentre os catalisadores para as quedas nesta semana estão a maior aversão a risco global com a segunda onda de coronavírus na Europa e a proximidade das eleições americanas, maior controle do governos sobre a desvalorização do dólar e a possibilidade da Argentina tomar mais recursos emprestados com o FMI (Fundo Monetário Internacional). Segundo relatos da mídia local, agentes do governo estão em contato com corretoras para abaixar a cotação do dólar blue, o câmbio paralelo. Diferente do câmbio oficial, que está sob o controle do governo de Alberto Fernández, o paralelo segue a oferta e demanda. Nos últimos dias, porém, oficiais teriam entrado em contato com corretoras para que elas reduzam os negócios e abaixem o preço da moeda, que chegou a 195 pesos argentinos na sexta (23). Nesta terça, foi a 181 pesos. O governo também interviu no mercado com a venda de dólar bono --títulos de dívida dolarizado. O país vive a maior diferença entre as cotações paralela e oficial em 31 anos. Na cotação oficial, o dólar está a 78 pesos. "Desvalorizar [o peso] é fácil, mas é uma máquina de gerar pobreza. Queremos gerar dólares por meio de exportações, não estabelecendo ele a um preço que beneficie poucas pessoas" , disse Fernández em um evento em Buenos Aires na segunda (26). No último mês, o peso argentino sofreu uma profunda depreciação no mercado paralelo devido às incertezas econômicas que cercam o país, o que ampliou a defasagem com a cotação oficial e aumentou a pressão de desvalorização. Especulava-se que o país poderia receber do FMI entre US$ 3 bilhões e US$ 5 bilhões para recuperar a confiança dos investidores. A vinda de novos recursos "pode gerar alguma confiança no mercado, já que se encontra aguardando sinais de um programa econômico e preferencialmente ortodoxo para poder fazer frente à forte crise que atravessa o país", disse Joaquín Candia, analista da Rava Stock Market. Nesta terça, Sergio Chodos, o representante do país no FMI, disse em entrevista à Rádio La Red de Washington que o governo poderia concordar em receber um novo montante. "É verdade que podem haver necessidades um pouco maiores, que poderiam chegar a ocorrer. Mas não consigo imaginar algo que seja muito exorbitante em comparação a antes. A intenção é sair, não voltar a entrar", disse ele. O empréstimo viria no âmbito da renegociação do acordo de 2018, pelo qual o país já recebeu cerca de US$ 44 bilhões. Segundo Chodos, um novo acordo antes de julho de 2021 "é absolutamente necessário". No domingo (25), a vice-presidente do país (ex-mandatária), Cristina Kirchner, escreveu uma carta em homenagem ao aniversário de morte de seu marido e ex-presidente da Argentina, Néstor Kirchner, na qual critica a economia bimonetária do país -o dólar é uma moeda de troca comum no país-, dizendo ser o problema estrutural da economia argentina. "O problema da economia bimonetária, sem dúvida o mais grave que nosso país possui, é impossível de resolver sem um acordo que englobe todos os setores político, econômico, midiático e social da República Argentina. Quer queiramos ou não, isso é realidade e com ela você pode fazer qualquer coisa, menos ignorá-la", escreveu Cristina.