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Bolívia prende primeiro oficial militar por violência política de 2019

·2 minuto de leitura
A polícia de choque boliviana fica de guarda durante uma manifestação em Cochabamba, em 18 de novembro de 2019

A promotoria prendeu nesta terça-feira um general da Força Aérea Boliviana, dentro de uma investigação sobre os confrontos políticos que deixaram nove mortos na cidade de Sacaba em novembro de 2019. Essa é a primeira prisão de um oficial pela onda de violência ocorrida no país no ano passado.

A polícia cumpriu a ordem da promotoria, confirmou ao canal de TV Unitel o chefe da Força Especial de Luta contra o Crime (FELCC), coronel Alberto Aguilar. "Sobre a detenção do general Alfredo Cuéllar, ele se encontra na FELCC, onde irá aguardar até que um juiz defina a sua situação jurídica", informou.

Edwin Paredes, advogado do general, afirmou que "ele apenas cumpriu funções administrativas, nunca tomou decisões operacionais. O militar exercia funções de chefe da guarnição militar do departamento de Cochabamba (centro), onde fica Sacaba, cenário de confrontos violentos entre militares e camponeses plantadores de coca.

Em Sacaba, os militares interceptaram os camponeses quando estes pretendiam seguir para a cidade de Cochabamba, a 18 quilômetros de distância. Uma primeira investigação da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) estabeleceu que a violência causou a morte de nove civis.

Os incidentes começaram após as eleições gerais de 20 de outubro de 2019, em meio a denúncias da oposição sobre uma suposta fraude do então presidente, Evo Morales, para se manter no poder até 2025. Primeiramente, foram registrados confrontos de rua entre opositores e apoiadores de Morales; depois, entre civis e forças militares e policiais.

O presidente renunciou, mas os protestos continuaram. Os conflitos mais sérios ocorreram entre 15 e 19 de novembro, em Sacaba e na região de Senkata, cidade de El Alto, vizinha a La Paz, onde houve 10 mortos, segundo a CIDH.

A violência política ocorrida entre outubro e novembro passados deixou 35 mortos, segundo um primeiro relatório da organização internacional de direitos humanos, que enviou esta semana uma nova comissão investigadora para questionar o antes, durante e depois dos incidentes.

str-jac/gma/lb