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Boicote ao Facebook é um apelo à consciência, diz líder de movimento

Mark Zuckerberg, fundador e CEO do Facebook, tem recebido pressão pela falta de políticas contra fake news e mensagens de ódio (Foto: Sven Hoppe/picture alliance via Getty Images)

O boicote aos anúncios no Facebook começou como um protesto contra as políticas de moderação de conteúdo e a forma como os algoritmos do aplicativo lidam com discursos de ódio e preconceitos. Em poucos dias, essa ação já tinha mais de 100 adeptos, inclusive grandes marcas de produtos para atividades ao ar livre, como The North Face, REI, Patagonia e Arc´Teryx.

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O boicote, chamado de "Stop Hate for Profit" (Parem de usar o ódio para lucrar), é liderado por organizações como NAACP, Liga Antidifamação, Color for Change, Common Sense, Sleeping Giants, Mozilla e muitas outras.

"A ideia [das empresas] é mostrar que a atitude permissiva do Facebook em relação ao preconceito deixa o ódio se espalhar na plataforma e não promove a justiça racial", explica Jonathan Greenblatt, CEO da Liga Antidifamação e um dos organizadores do movimento, ao The Ticker do Yahoo Finanças. “Essa postura simplesmente não se alinha aos valores dessas marcas".

Da mesma forma que com as campanhas de "exclusão do Facebook" que surgiram depois do escândalo da Cambridge Analytica em 2018, a renda da empresa, que fatura bilhões com marketing, não deve ser muito afetada. A receita gigantesca do Facebook vem de investimentos em anúncios feitos por milhares de pequenas e grandes empresas.

Greenblatt sabe disso, mas diz que o objetivo não é só prejudicar receita do Facebook, que foi de US$ 70,7 bilhões em 2019. "É uma questão de consciência”, comenta ele.

“Não queremos provocar a redução da receita do Facebook, mas sim questionar a consciência da empresa", explica Greenblatt. Segundo ele, a ideia da ADL, da NAACP e dos outros grupos responsáveis pelo boicote, que já dura um mês para muitas empresas, é chamar a atenção para essa questão.

"Só queremos deixar claro que essa situação chegou ao limite. Pedimos para as empresas fazerem uma pausa de apenas um mês nos gastos com publicidade na plataforma. Isso não significa que elas não possam interagir com os consumidores no Facebook", explica Greenblatt.

Os organizadores do boicote têm recomendações claras para o Facebook, como oferecer mais apoio a vítimas de racismo, antissemitismo e ódio (inclusive disponibilizando funcionários para oferecer suporte em tempo real), liberar dados sobre denúncias, parar de gerar receita com anúncios que contêm informações incorretas e conteúdo negativo e aumentar a moderação em grupos privados.

O Facebook não quis se pronunciar, mas divulgou que respeita as decisões das empresas em relação ao boicote.

Ethan Wolff-Mann

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