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Boeing 737 MAX voltará aos céus após duas tragédias e uma longa agonia

Juliette MICHEL
·3 minuto de leitura
Nesta foto de 12 de março de 2019, trabalhadores são fotografados perto de uma aeronave da Boeing 737 MAX na pista da fábrica da empresa em Renton, Washington
Nesta foto de 12 de março de 2019, trabalhadores são fotografados perto de uma aeronave da Boeing 737 MAX na pista da fábrica da empresa em Renton, Washington

Os Estados Unidos suspenderam nesta quarta-feira (18) a proibição do Boeing 737 MAX, em solo desde março de 2019, após dois acidentes com cinco meses de intervalo, que deixaram 346 mortos.

2011

30 de agosto - A Boeing apresenta a nova família 737 MAX (737-7, 737-8 e 737-9), versões atualizadas do 737 NG de um corredor só, com motores mais econômicos no consumo de combustível. Os MAX visavam a concorrer com o A320 Neo, apresentado meses antes pela Airbus.

2017

8 de março - A Agência Federal de Aviação (FAA) dos Estados Unidos certifica o 737 MAX 8.

22 de maio - O 737 MAX realiza seu primeiro voo comercial com a companhia malaia Malindo Air.

2018

29 de outubro - Um 737 MAX da companhia malaia Lion Air cai no mar dez minutos após a decolagem em Jacarta, deixando 189 mortos.

6 de novembro - A Boeing reconhece implicitamente que um sensor poderia estar envolvido no acidente e atualiza suas instruções para as companhias aéreas que enfrentam o mesmo problema. A FAA ordena aos operadores dos 737-8 e 737-9 em todo o mundo a realizarem "imediatamente" a revisão recomendada pela fabricante.

2019

10 de março - Um 737 MAX da Ethiopian Airlines cai seis minutos depois da decolagem, deixando 157 mortos.

11 de março - a China determina manter em solo os 737 MAX, medida seguida pelos reguladores aéreos em todo o mundo.

13 - Após uma resistência inicial, a FAA ordena imobilizar todos os 737 MAX.

4 de abril - A Boeing admite que seu programa MCAS foi em parte responsável pelos acidentes, após um relatório preliminar das autoridades etíopes no qual afirma que os pilotos executaram os procedimentos de emergência recomendados pela empresa.

24 de abril - A Boeing abandona seus objetivos financeiros do ano e suspende os programas de recompra de ações.

24 de julho - A empresa sofre um prejuízo trimestral de quase 3 bilhões de dólares.

25 de outubro - Investigadores indonésios concluem que um defeito de projeto, uma formação inadequada dos pilotos e um rendimento deficiente da tripulação provocaram o acidente da Lion Air.

28-29 de outubro - O chefe da Boeing, Dennis Muilenburg, depõe no Senado, na presença das famílias das vítimas.

16 de dezembro - A Boeing anuncia a suspensão da fabricação do 737.

23 de dezembro - Dennis Muilenburg anuncia sua demissão.

2020

10 de janeiro - O Congresso dos Estados Unidos publica antigas mensagens internas de funcionários da Boeing que denigrem a FAA e os projetistas do 737 MAX, chamando-os de "palhaços" e "macacos".

13 de janeiro - O novo diretor-executivo da Boeing, David Calhoun, assume o cargo.

29 de janeiro - A Boeing informa uma perda líquida de 636 milhões de dólares em 2019, o primeiro déficit anual em 22 anos.

9 de março - Investigadores etíopes questionam a formação "inadequada" proporcionada pela Boeing.

27 de maio - A Boeing anuncia a retomada da produção do 737 MAX em ritmo lento.

29 de junho - Primeiro voo de testes para a recertificação do 737 nos Estados Unidos.

7 de julho - A Boeing anuncia acordos para mais de 90% das demandas dos familiares das vítimas do acidente da Lion Air.

16 de setembro - Uma investigação de 18 meses, realizada por um Comitê de Transporte da Câmara de Representantes conclui que os acidentes representam a "horrível culminação" de falhas de engenharia, má administração da Boeing e falta de supervisão da FAA.

30 de setembro - O chefe da FAA, Steve Dickson, um ex-piloto, realiza um voo de avaliação de quase duas horas em um 737 MAX e diz que "apreciou" o que viu.

18 de novembro - A FAA suspende a proibição de voo do 737 MAX.

jum/lo/pcm/yow/mps/mvv