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Boeing imobiliza toda a sua frota com motor envolvido em incidente no Colorado

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A Boeing confirmou nesta segunda-feira (22) que todos os seus modelos 777 com motores similares ao avião envolvido em um incidente no Colorado foram imobilizados no mundo, com proibição de voar no espaço aéreo do Reino Unido.

Um voo da United Airlines, que decolou no sábado em Denver, rumo ao Havaí com 231 passageiros e 10 tripulantes a bordo voltou rapidamente ao aeroporto após parte do motor se incendiar.

A aeronave aterrissou no aeroporto de Denver e ninguém se feriu, mas os moradores do subúrbio de Broomfield encontraram grandes peças do avião espalhadas na vizinhança, inclusive uma peça circular gigante de metal que caiu no quintal de uma casa.

Na noite de domingo, a companhia americana tinha "recomendado" a suspensão dos voos deste tipo de aeronave e nesta segunda um porta-voz confirmou à AFP que 128 aviões 777 com o mesmo motor Pratt & Whitney estavam em solo.

A United Airlines, as duas grandes companhias japonesas, ANA e JAL, e a sul-coreana Asiana Airlines já tinham anunciado entre domingo e segunda a imobilização de seus aviões deste tipo.

O jornal estatal egípcio Al Ahram noticiou nesta segunda-feira que a companhia nacional Egyptair deixou em terra seus quatro 777 com motor Pratt & Whitney.

A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) determinou no domingo inspeções adicionais em alguns aviões de passageiros do modelo Boeing 777.

O chefe da FAA, Steve Dickson, disse que uma revisão preliminar de dados de segurança deu conta da necessidade de verificações adicionais das pás do ventilador do motor a reação, exclusivas do modelo 777.

- Investigações -

O Departamento de Transportes e Segurança dos Estados Unidos (NTSB) investiga o incidente e destacou que uma avaliação preliminar revelou que duas pás do ventilador se quebraram no segundo motor.

"O avião sofreu danos menores", disse a NTSB em um comunicado no domingo. "O exame e a documentação do avião estão em curso".

A Pratt & Whitney informou que está cooperando com as investigações do NTSB e "continuará trabalhando para garantir a operação segura da frota".

O especialista da consultoria AIR, Michel Merluzeau, informou que é preciso determinar se se trata de um problema metalúrgico, de defeito de fabricação ou do tipo operacional, o que vai levar um tempo.

O ministro britânico dos Transportes, Grant Shapps, anunciou nesta segunda-feira uma proibição temporária de voo para esta série no espaço aéreo do Reino Unido.

O Ministério japonês dos Transportes informou que tinha ordenado inspeções mais estritas depois que um avião JAL 777 que fazia a rota entre Tóquio e Naha, na ilha de Okinawa, sofreu problemas com "um motor da mesma família" em dezembro.

O Ministério de Transportes da Coreia do Sul, por sua vez, disse nesta segunda-feira que por enquanto não tinha a intenção de deixar aviões em solo, mas que monitora a situação.

Mas a Asiana Airlines, segunda maior companhia da Coreia do Sul, já tomou a decisão de não usar os sete Boeing 777 de que dispõe.

Quanto à Korean Air, a principal companhia aérea do país, que em um primeiro momento deixou em terra seus seis Boeing 777 equipados com motores PW4000, disse esperar instruções oficiais dos reguladores sul-coreanos.

Enquanto isso, a Holanda iniciou também uma investigação e Luisa Hubregtse, da Junta de Segurança holandesa, a organização responsável por investigar incidentes de aviação, disse à AFP que "nesta etapa é cedo demais para tirar conclusões".

- Um duro golpe -

A fabricante de aeronaves americana teve sérios problemas nos últimos anos com outro de seus modelos, o 737 MAX. O avião foi proibido de voar em março de 2019 após dois acidentes que deixaram 346 mortos, o da Lion Air na Indonésia em outubro de 2018 (189 mortes) e o da Ethiopian Airlines, em março de 2019, na Etiópia (157 mortes).

Decorridos mais de 20 meses, e após a modificação do programa de comando de voo e a implantação de novos protocolos no treinamento de pilotos, foi autorizada a retomada dos voos da aeronave, a partir de dezembro de 2020.

A pandemia de covid-19 e suas desastrosas consequências no transporte aéreo internacional levaram ao cancelamento de encomendas de centenas de aeronaves, tanto da Boeing quanto de sua concorrente europeia, a Airbus.

O 777, que está em serviço há 25 anos "tem uma reputação sólida", mas este incidente nos lembra que estas frotas estão envelhecendo, informou Merluzeau.

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