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Boeing aposta em realidade virtual para treinar astronautas na nave Starliner

Daniele Cavalcante

A NASA e a SpaceX entraram para a história juntas recentemente com o lançamento da nave Crew Dragon em um foguete Falcon 9, que levou dois astronautas estadunidenses à Estação Espacial Internacional (ISS) no final de maio. Em contrapartida, a Boeing trabalha para também tirar do chão sua própria nave espacial, a CST-100 Starliner, que também levará astronautas da agência espacial dos Estados Unidos ao espaço. Agora, a empresa anuncia que a cápsula não apenas está funcionando, como apresentou o mecanismo de realidade virtual utilizada para treinar a tripulação, além de ambientes virtuais fotorrealistas.

Comparando as cabines de pilotagem da Crew Dragon e da Starliner, as diferenças são notáveis. Enquanto a primeira conta com telas sensíveis ao toque - os astronautas Bob Behnken e Doug Hurley, na filmagem do lançamento da SpaceX, mal as tocavam, já que boa parte do trajeto era realizado em pilotagem automática -, a segunda está repleta de botões, válvulas, monitores e teclas, além de um joystick, para aumentar a precisão dos comandos.

Behnken demonstrou seu entusiasmo em vídeo semanas antes do lançamento, dizendo que voar em uma nave espacial totalmente nova é o sonho de qualquer piloto. Também foi enfatizado, desta vez por Hurley, como é diferente estar em uma nave em que exerce pouco controle de direção.

Outro ponto que destaca as diferenças das espaçonaves são as roupas. Hurley e Behnken elogiaram os trajes espaciais da SpaceX, afirmando que eram “muito fáceis de colocar e tirar em gravidade zero”, além de sua própria estética lembrar a de ternos formais. Já os uniformes azuis da Starliner tem características mais simples e esportivas, com modelagem típica da empresa Reebok.

Para o treinamento dos astronautas, a Boeing usará os dispositivos de realidade virtual VR-2 da Varjo, sediada na Finlândia, que vai simular os painéis de controle e o design de interiores das cápsulas Starliner. “Este é um sistema de treinamento portátil que abrirá a possibilidade de treinar astronautas em diferentes locais - é o futuro”, disse Connie Miller, engenheira de software da Boeing no Texas.

O dispositivo é algo que “pode ser carregado em uma maleta e usado onde quer que você tenha uma conexão à Internet”, disse Steven Siceloff, porta-voz da Boeing para a Estação Espacial Internacional. “Você pode conectar-se diretamente ao sistema de treinamento, estando fora do local aqui em Houston, na Flórida ou no futuro em qualquer local do mundo”.

Embora haja muito mais controles na cápsula Starliner, ela também é “altamente automatizado e altamente autônomo”, de acordo com Miller. Mas também há recursos que permitem aos astronautas que assumam todo o controle, se necessário. Todo o painel complexo da nave é reproduzido com grande realismo na realidade virtual, em uma resolução de 60PPD - cada usuário verá 3.600 pixels por grau de visão, que é focado na parte mais nítida da visão humana. O sistema também possui rastreamento ocular e rastreamento manual Ultraleap.

A NASA já anunciou que três astronautas americanos estarão no voo de teste tripulado da Starliner feito pela Boeing e marcado para abril de 2021. Mas, devido aos problemas de software em seu voo de teste em 20 de dezembro de 2019, esta data ainda corre risco de ser alterada, caso a nova tentativa de voo não tripulado (marcado para novembro de 2020) apresente novos problemas.

Fonte: Canaltech