Mercado fechará em 4 h 54 min
  • BOVESPA

    109.051,26
    +1.037,79 (+0,96%)
     
  • MERVAL

    38.390,84
    +233,89 (+0,61%)
     
  • MXX

    52.823,23
    -408,97 (-0,77%)
     
  • PETROLEO CRU

    86,60
    -0,36 (-0,41%)
     
  • OURO

    1.846,00
    +2,80 (+0,15%)
     
  • BTC-USD

    42.392,96
    +190,07 (+0,45%)
     
  • CMC Crypto 200

    1.008,52
    +13,77 (+1,38%)
     
  • S&P500

    4.532,76
    -44,35 (-0,97%)
     
  • DOW JONES

    35.028,65
    -339,82 (-0,96%)
     
  • FTSE

    7.573,17
    -16,49 (-0,22%)
     
  • HANG SENG

    24.952,35
    +824,50 (+3,42%)
     
  • NIKKEI

    27.772,93
    +305,70 (+1,11%)
     
  • NASDAQ

    15.194,50
    +161,00 (+1,07%)
     
  • BATS 1000 Index

    0,0000
    0,0000 (0,00%)
     
  • EURO/R$

    6,1411
    -0,0263 (-0,43%)
     

Boate Kiss: espuma que espalhou fogo era desnecessária, diz engenheiro em depoimento

·3 min de leitura

SÃO PAULO — Apontada por perícia como uma das causas do incêndio que causou a morte de 242 pessoas na boate Kiss, em janeiro de 2013, a espuma usada no palco e no teto da casa noturna era desnecessária para o controle do nível de ruído. A afirmação foi feita na tarde desta quinta-feira, no segundo dia do julgamento do caso, que está sendo realizado em Porto Alegre, pelo engenheiro Miguel Ângelo Teixeira Pedroso.

Ao prestar depoimento, Pedroso, responsável pelo projeto de reforma acústica do estabelecimento, afirmou que existe, sim, uma espuma especial para isolamento acústico, chamada elastômero, mas que serve apenas para garantir o conforto de músicos em estúdios de gravação e, por isso, não foi incluída.

— Só posso deduzir que foi feita numa obra posterior à minha — afirmou Pedroso.

O engenheiro disse que, no início da reforma, viu espuma numa parede da boate, à esquerda da entrada.

— Eu entrei na boate e na hora falei: "Isso aqui não adianta nada, pode tirar" -- contou, acrescentando que de fato a espuma foi tirada no decorrer da obra.

— Só um leigo poderia achar que espuma seja conveniente dentro de uma boate — concluiu Pedroso, que teria feito o projeto entre o fim de 2011 de início de 2012.

Segundo perícia usada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul, a espuma usada como revestimento de palco e no teto da boate era altamente inflamável e tóxica, sem tratamento antichamas. Teria sido comprada numa loja de colchões.

Pedroso afirmou que havia revendedor de espuma especial para isolamento acústico em Santa Maria e que ouviu de seu representante que uma pessoa da Kiss fez o orçamento, mas depois disse ter comprado espuma por um preço muito mais baixo.

O MP afirma que os sócios foram gananciosos ao economizar na compra de uma espuma inadequada para revestimento acústico, não investirem em segurança contra o fogo e lucrar com a superlotação do estabelecimento. Na denúncia, os promotores afirmaram que os sócios da boate chegavam a desligar o sistema de ar condicionado para aumentar o consumo de bebidas.

O MP diz que também os dois integrantes da banda usaram fogos inadequados para economizar: compraram fogos de artifício de uso externo, por R$ 2,50, muito mais barato do que o indicado para ambientes internos, que na época custavam cerca de R$ 50,00.

Antes do engenheiro, um dos sobreviventes, Emanuel Pastl, que tinha 19 anos na época da tragédia e veio a se casar com a enfermeira que tratou seus ferimentos causados pelo fogo, foi o primeiro a ser ouvido.

Pastl afirmou que nenhum alarme soou durante o incêndio e que a rota de emergência não estava clara durante a tentativa de fuga naquela noite.

— Só tinha uma saída de emergência. Se tivesse mais, facilitava — declarou Pastl.

A porta, segundo o MP, tinha 1 metro e 20 centímetros de largura.

A segunda ouvida, Jéssica Rosado, que tem 33 anos e perdeu o irmão na tragédia, disse que Luciano Bonilha, um dos réus, encontrou seu pai após o incêndio e lhe pediu desculpas. Os dois teriam se abraçado. O relato chamou a atenção da defesa de Bonilha. O advogado solicitou ao juiz Orlando Faccini Neto para ouvir o pai de Jéssica, mas teve o pedido indeferido. O magistrado afirmou que ela estava ali não como testemunha, mas como vítima.

Logo depois, num momento de tensão, Faccini Neto chamou de "apelativo e desnecessário" um questionamento da defesa de Elissandro Spohr, o Kiko, a Jéssica. O advogado Jader Marques havia chamado seu cliente ao centro do auditório e perguntado à sobrevivente se ela "tem ódio" do ex-sócio da Kiss.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos