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BNDES pretende apoiar indústria automotiva, mas sem plano setorial

Bruno Villas Bôas e André Ramalho

O banco afirmou que tem a intenção de negociar apoio a montadoras de automóveis instaladas no país caso a caso O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pretende negociar apoio a montadoras de automóveis instaladas no país caso a caso, sem um plano setorial para auxiliar as companhias a cruzar a crise econômica.

Divulgação

Durante “live” realizada nesta segunda-feira no canal do banco no YouTube, o diretor de Privatizações do BNDES, Leonardo Cabral, explicou que manteve contatos em maio com Febraban e montadoras para colocar condições de financiamento.

“Soluções são mais individuais para o setor, diferentemente do setor de energia, que tem uma conta que alimenta distribuidoras. Bancos estão tendo conversas com as companhias visando investimentos específicos”, disse Cabral, acrescentando que a procura está “razoável” do setor.

Ele acrescentou que o setor automotivo teve crescimento “significativo” de crédito entre abril e maio, especialmente pelas linhas Finame e Pré-Embarque.

Sobre o interesse do setor aéreo em obter apoio financeiro do banco, Cabral confirmou que vem mantendo negociações com Gol, Latam e Azul.

O BNDES coordenou um sindicato de bancos que propôs ajuda ao setor por meio de títulos de dívidas. “A solução conta com debênture mais bônus de subscrição, oferecendo por um lado crédito com custo menor para companhias”, disse Cabral. “Temos negociado com as três companhias e a entrada da Latam com o chapter 11 nos EUA (Lei de Falência americana) não impactou aqui no país.”

Ele lembrou que nessas operações o BNDES tem uma limitação de adquirir até 60% da oferta, o que exige a presença de um co-investidor. Cabral, porém, se disse otimista com o interesse do mercado. “Houve certa retomada do mercado de capital. Até no Brasil houve algumas emissões de ações.”

Setor elétrico

Cabral disse acreditar numa solução ainda este mês para a “Conta Covid” – que disponibilizará cerca de R$ 16 bilhões às distribuidoras de energia. “Esperamos que Aneel [Agência Nacional de Energia Elétrica] chegue à conclusão esta semana sobre a resolução [que regulamenta os critérios para o financiamento] para investimento em pool no setor elétrico”, afirmou.

Segundo ele, a estimativa é que R$ 16 bilhões sejam necessários para equilibrar as contas das companhias. O valor será financiado por bancos públicos e privados. “Os bancos estão trabalhando internamente com seus comitês de créditos. É um setor bastante encaminhado para solução ainda no mês de junho”, complementou.