BM alerta para "frágil" recuperação mundial e pede que emergentes se protejam

Washington, 15 jan (EFE).- O Banco Mundial (BM) alertou nesta terça-feira que a recuperação econômica mundial continua sendo "frágil e incerta", fundamentalmente pela crise na zona do euro e pelos problemas fiscais e da dívida nos Estados Unidos, e pediu aos países emergentes que se protejam para melhorar seu potencial.

Em seu relatório "Perspectivas Econômicas Globais", que publica todo semestre, o BM apontou que o Produto Interno Bruto (PIB) mundial cresceu 2,3% em 2012, dois décimos menos do que tinha previsto em junho do ano passado.

Além disso, se em junho o organismo antecipou que a economia mundial cresceria 3% em 2013, neste último relatório rebaixou essa previsão para 2,4%.

Os principais riscos enfrentados hoje pela economia mundial, segundo o Banco Mundial, são a paralisação dos avanços para resolver a crise na zona do euro, os problemas fiscais dos Estados Unidos e a possibilidade de um corte abrupto dos investimentos na China.

Com um crescimento "magro" nos países de grandes receitas, as nações em desenvolvimento devem concentrar-se "em melhorar o potencial de suas próprias economias", segundo o relatório.

"Devemos seguir ajudando os países em desenvolvimento em seus investimentos em infraestrutura, saúde e educação. Isto criará as condições para o crescimento mais robusto que sabemos que podem conseguir no futuro", recomendou o presidente do BM, Jim Yong Kim.

Em 2012 os países em desenvolvimento registraram uma das piores taxas de crescimento da última década, de acordo com o organismo.

A produção se acelerou no ano passado nesses países, mas "se vê freada pela falta de investimento e pela débil atividade industrial nas economias avançadas".

Apesar de tudo, a solidez de sua demanda interna e os crescentes vínculos comerciais entre eles fizeram com que em 2012, pelo segundo ano consecutivo, os países emergentes fossem "responsáveis por mais da metade do crescimento mundial", destacou Hans Timmer, diretor do Grupo de Perspectivas de Desenvolvimento do BM.

O PIB dos países em desenvolvimento se expandiu 5,1% em 2012 e deve aumentar 5,5% em 2013, segundo o BM, que também revisou para baixo suas perspectivas de crescimento para estas nações em relação ao seu relatório de junho.

Para garantir sua resistência "perante os riscos de deterioração", os países em desenvolvimento "devem reconstruir gradualmente suas reservas fiscais e monetárias e melhorar suas redes de proteção social e de segurança alimentar", argumentou Andrew Burns, gerente de Macroeconomia Global e principal autor do relatório.

Em relação à zona do euro, o crescimento "só voltará aos números positivos" em 2014, quando o PIB se expandirá 0,9%, enquanto para 2013 o Banco Mundial prevê uma contração de 0,1%.

Sobre a América Latina e o Caribe, o organismo explica que o PIB da região cresceu 3% em 2012 contra 4,3% de 2011 por causa da "forte contração da demanda interna" em algumas de suas maiores economias.

A expectativa é que fluxos de capital mais estáveis, sobretudo de investimento estrangeiro direto, e um aumento na demanda externa impulsionem o crescimento regional a uma média de 3,8% durante o período 2013-2015.

"As reformas trabalhistas e tributárias iniciadas em algumas de suas principais economias e a determinação de aumentar o investimento em infraestrutura ajudarão a fazer frente a parte dos problemas estruturais que dificultaram o desenvolvimento" da América Latina e do Caribe, aponta o relatório.

Com relação ao crescimento da Ásia Oriental e do Pacífico, o BM afirma que reduziu seu ritmo de 8,3% de 2011 para 7,5% em 2012, fundamentalmente pelo enfraquecimento da demanda externa e pelas políticas da China para deter a inflação.

Na Ásia meridional o crescimento também se debilitou e caiu de 7,4% em 2011 até 5,4% no ano passado, arrastado pela "abrupta desaceleração" na Índia.

Já o crescimento no Oriente Médio e no Norte da África continua afetado "pela incerteza política e pelos distúrbios em vários países", de acordo com o relatório. EFE

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