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Bloodworm: por que a larva-vermelha possui dentes de metal?

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A larva-vermelha, também conhecida como bloodworm, possui dentes metálicos que há muito tempo vêm intrigando a ciência. No entanto, um estudo publicado na revista científica Matter finalmente lançou luz sobre as principais razões em torno dessa característica tão excêntrica desse animal do gênero Glycera.

Basicamente, esse verme feroz e venenoso conta com quatro dentes compostos de cobre, usados ​​tanto para morder presas quanto para lutar com rivais. As mandíbulas do bloodworm têm 10% de cristais de cobre e são tão resistentes que um único conjunto dura cerca de cinco anos (o que representa bastante para o tempo de vida da espécie).

Os dentes podem atuar como um catalisador, aumentando a velocidade com que o veneno atua na vítima. Segundo o recente artigo desenvolvido por pesquisadores da University of California, o segredo por trás dessas presas metálicas é uma proteína composta principalmente de glicina (um aminoácido com propriedades antioxidantes e imunomoduladoras) e histidina (que também é um aminoácido, com participação na via glicogênica e na estrutura de proteínas).

Proteínas ajudam na formação das presas metálicas do bloodworm (Imagem: Wonderly et al., 2022/Matter)
Proteínas ajudam na formação das presas metálicas do bloodworm (Imagem: Wonderly et al., 2022/Matter)

A larva-vermelha começa com um precursor de proteína, que junta cobre para se concentrar em um líquido viscoso. A proteína então usa o cobre para catalisar a conversão do derivado do aminoácido em melanina, um polímero que confere à mandíbula propriedades mecânicas que lembram metais. Por meio desse processo, o verme é capaz de sintetizar facilmente um material que, se criado em laboratório, dependeria de um processo complicado envolvendo muitos aparelhos, solventes e temperaturas diferentes.

“Bloodworms são muito desagradáveis, pois são mal-humorados e facilmente provocados. Quando encontram outro verme, geralmente lutam usando suas mandíbulas de cobre como armas", afirmam os pesquisadores por trás do estudo. "Nunca esperávamos que uma proteína com uma composição tão simples, ou seja, principalmente glicina e histidina, desempenhasse tantas funções e atividades não relacionadas", concluem.

Fonte: Canaltech

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