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Blockbuster encerra operações na Austrália e fica com apenas uma loja no mundo

Felipe Demartini

Com o fechamento de sua última loja na cidade de Perth, a Blockbuster encerra suas operações na Austrália, o penúltimo país do mundo em que unidades da marca ainda existiam. Agora, além das memórias de seus franqueados, a empresa que já foi soberana no mercado de locação de vídeo permanece viva com uma única unidade localizada na cidade de Bend, nos Estados Unidos.

O fechamento da unidade australiana foi confirmado de maneira inusitada, por meio de uma postagem no Twitter daquela que, agora, é a loja derradeira da Blockbuster. Em vez de falar com tristeza, a filial que fica no estado americano do Oregon comemora o fato de ser a última locadora da marca aberta e em funcionamento no planeta, compartilhando imagens de fãs e investindo na nostalgia de um tempo que não volta mais.


E se você frequentava uma Blockbuster durante a época em que ela existiu no Brasil, vai ficar feliz em saber que a loja de Bend ainda funciona da maneira tradicional, com o aluguel de DVDs e Blu-rays de séries e filmes. Além disso, o local traz algumas memorabilias da história do cinema, como figurinos de atores como Russel Crowe no musical Os Miseráveis, e Denzel Washington em O Gângster.

Em seu auge, a Blockbuster teve mais de nove mil lojas em todo o mundo, sendo 4,5 mil apenas nos Estados Unidos. São números que a colocaram como a maior rede de locadoras do planeta, um segmento que prosperou desde meados dos anos 1980, com as fitas VHS, e foi evoluindo com a chegada dos discos digitais. A chegada das locações pelo correio, primeiro, e depois do streaming, entretanto, selaram o destino da companhia.

Decisões gerenciais erradas também foram responsáveis por esse fim. Entre elas, a mais citada foi a recusa em comprar a Netflix, na época, ainda uma pequena locadora de discos por via postal. O negócio de US$ 50 milhões foi recusado em prol de uma parceria com a Enron para criação de um sistema de streaming, ainda no início da década passada. O escândalo de fraudes contábeis em que a empresa se envolveu e, mais tarde, o fortalecimento de iniciativas diferentes da locação em loja colocaram tudo a perder, levando a Blockbuster a pedir falência em 2010.

Ainda assim, algumas lojas resistiam, como a de Bend, mas, aos poucos, os negócios deixaram de resistir. A inexistência de uma estrutura corporativa, por exemplo, obriga a gerência da unidade a comprar filmes como qualquer pessoa comum, para que eles possam ser alugados, uma vez que acordos com distribuidoras não existem mais. No ano passado, haviam três lojas nos Estados Unidos, sendo duas no Alaska, mas elas fecharam em dezembro. A unidade no Oregon, agora, permanece firme como a derradeira, mas os vídeos de frequentadores a mostram sempre vazia e com poucos funcionários, uma indicação de que essa memória pode, bem em breve, deixar de ser viva.

A Blockbuster também foi a maior rede de locadoras do Brasil, com mais de 100 lojas espalhadas pelas principais cidades do país. Em 2007, a marca foi adquirida pelas Lojas Americanas que, aos poucos, e com a queda no interesse dos consumidores, incorporou o modelo de locação às duas unidades até parar de utilizar o nome completamente, abandonando o setor de aluguel de filmes.

Fonte: Canaltech