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Blazar revela o buraco negro supermassivo mais antigo já descoberto

Daniele Cavalcante

Cientistas descobriram o blazar mais antigo e distante já encontrado até agora. O objeto tem quase 13 bilhões de anos e revela um buraco negro que existe desde a época conhecida como “reionização” - quando as primeiras estrelas e galáxias começaram a se formar. Só foi possível detectá-lo porque a luz emitida pelo blazar está diretamente apontada para a Terra.

Este buraco negro primitivo tem 1 bilhão de vezes o tamanho do nosso Sol e já existia quando o universo tinha apenas 900 milhões de anos. Ele se alimentou com grandes quantidades de gás ionizado, formando assim o blazar que lançou um jato super quente de matéria brilhante no espaço. Mesmo mais de 12 bilhões de anos depois, ainda podemos contemplar esse evento.

Blazares são uma fonte de energia associada a um buraco negro supermassivo do centro de uma galáxia ativa. Eles “cospem” dois jatos de matéria relativística, ou seja, a uma velocidade próxima à da luz, em direções opostas. Esses jatos, por sua vez, emitem feixes estreitos de luz em diferentes comprimentos de onda e, quando estão apontados diretamente para a Terra, podemos detectá-los mesmo que estejam tão distantes.

Com a nova descoberta, “podemos dizer que, nos primeiros bilhões de anos de vida do universo, existia um grande número de buracos negros muito massivos emitindo jatos relativísticos poderosos”, disse Silvia Belladitta, co-autora do artigo publicado no jornal Astronomy & Astrophysics. Descobrir um blazar tão antigo sugere fortemente que havia muitos outros naquela época, de acordo com autores.

Dois jatos disparando para fora do centro de Cygnus A, uma galáxia não muito distante da nossa (Imagem: NRAO)

Se houvesse apenas um blazar nessa fase inicial do universo, teria sido um grande golpe de sorte seu feixe estreito ficar diretamente apontado para a Terra. As probabilidades dizem que havia muitos blazares mirando para todos os lados, e que um deles, por mero acaso, acabou jogando sua luz em nossa direção.

Esses blazares, de acordo com os autores do estudo, eram uma espécie de “sementes” dos buracos negros supermassivos que hoje estão nos núcleos das grandes galáxias em todo o universo - incluindo a Via Láctea, que tem o buraco negro Sagitário A* em seu centro. Por isso, esses fenômenos são tão importantes para a astronomia extragaláctica (que estuda os objetos localizados fora da Via Láctea).

Batizado de PSO J030947.49+271757.3, o blazar foi detectado através da combinação dos dados de vários observatórios - o Very Large Array (VLA) do NRAO em Novo México, o Panoramic Survey Telescope and Rapid Response System (Pan-STARRS) no Havaí, e o telescópio espacial Wide-field Infrared Survey Explorer (WISE). Medições do Large Binocular Telescope (LBT) no Arizona confirmaram que esse objeto é o blazar mais distante e antigo já observado. Já o telescópio espacial Swift, da NASA, mostrou que esse também é o “de alto rádio mais poderoso já descoberto”, a essa distância, segundo o estudo.

Segundo Belladitta, os cientistas estimam que, para cada descoberta desse tipo, devem existir outros 100 blazares similares. Mas a maioria tem sua luz apontada para direções diferentes e, portanto, "é fraca demais para ser vista diretamente". Ainda assim, encontrar um blazar tão antigo será de grande importância para que os astrofísicos reconstruam a história dos buracos negros supermassivos e do próprio universo. “Esse resultado coloca restrições rígidas para os modelos teóricos que tentam explicar as origens desses buracos negros enormes no nosso universo”, acrescentou Belladitta.

Fonte: Canaltech

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