"Black Friday" já gera filas e protestos sindicais nos EUA

Damià S. Bonmatí.

Washington, 22 nov (EFE).- Centenas de pessoas já estão acampadas nas portas das lojas de departamento para aproveitar as ofertas da chamada "Black Friday", o dia do consumismo nos Estados Unidos, onde os funcionários ameaçam o bom andamento da jornada com uma série de protestos.

Após o Dia de Ação de Graças, celebrado nesta quinta-feira nos EUA, a "Black Friday" fará da sexta-feira o dia de mais vendas no ano e, principalmente, o de maior disputa atrás das ofertas mais atraentes.

"Espero comprar dois laptops e um televisor", afirmou à emissora "ABC" Miriam Santamaria, que está acampada há dias na porta de umas lojas de departamento de Los Angeles com o objetivo de poupar US$ 600.

A "Black Friday" também costuma ser marcada pelas táticas comerciais mais agressivas, um fato que acabou gerando um mal-estar na rede Wal-Mart, a maior do país, na qual parte de seus empregados ameaçam realizar protestos e, inclusive, uma greve.

"É uma semana fundamental para a empresa e, por isso, queremos que todos os clientes que passarem pelas nossas lojas se deem conta dessa situação", declarou a funcionária Monique Velázquez, que participava de uma manifestação em Los Angeles.

Para compensar a má temporada de vendas, algumas grandes cadeias anunciaram que poderiam iniciar a "sexta-feira negra" já nesta quinta a partir das 20h.

Mas, ano após ano, essa hora antecipada foi avançando tanto que, atualmente, a "Black Friday" já coincide com o momento em que as famílias americanas estão reunidas em torno de um peru recheado, ou seja, celebrando o jantar do Dia de Ação de Graças.

O fato é que essa decisão acabou indignando muitos empregados. Os trabalhadores das lojas de departamento Target, por exemplo, recolheram cerca de 350 mil assinaturas para que a empresa não abra suas portas antes da manhã de sexta-feira.

Já os do Wal-Mart, os mais combativos, estão convocando uma série protestos e interrupções durante toda a semana, inclusive no próprio dia da "Black Friday".

"Essa atitude demonstra que o Wal-Mart só pensa em ganhar dinheiro ao invés de fechar sua loja por algumas horas para os funcionários poderem estar com suas famílias", comentou Monique, mãe solteira de cinco filhos e funcionária da loja de departamentos há um ano.

"Não nos deixam jantar e desfrutar da união familiar só para ter suas lojas sempre abertas", ressaltou à Agência Efe sua companheira de trabalho Maria Elena Jefferson.

A revolta dos trabalhadores do Wal-Mart por conta do "Black Friday" também fez explodir outras reivindicações, como melhorias salariais, melhores condições de trabalho e a redução da excessiva carga de trabalho.

No entanto, perante a escalada de protestos, o Wal-Mart apresentou nas últimas horas uma queixa formal perante a Junta Nacional de Relações Trabalhistas contra os dois sindicatos que promovem essa ação, informou o jornal "The New York Times".

Além disso, a Federação Nacional de Vendedores no Varejo defende a tática de seus filiados: "Há muita emoção em torno das vendas antecipadas. É normal para as empresas evoluir constantemente, assim como também fazem os consumidores", declarou em comunicado seu presidente, Matthew Shay.

Por trás deste conflito entre funcionário e empregadores, os números que movimentam este fim de semana de compras maciças são estratosféricos, já que os comerciantes esperam um crescimento de 4,1% nas vendas.

Segundo um estudo elaborado pela Federação Nacional de Varejo, aproximadamente 147 milhões de pessoas vão às compras neste final de semana no país. EFE

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