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Bitcoin: o que explica sobe e desce da criptomoeda, com queda vertiginosa após valorização recorde?

·9 minuto de leitura

Enquanto muitas bolsas no mundo vêm subindo neste ano, com as economias de diversos países aguardando recuperação pós-pandemia nos próximos meses, um segmento em especial no mercado financeiro vem sofrendo um dos seus maiores revezes nas últimas semanas: as criptomoedas.

As criptomoedas estiveram entre os ativos mais valorizados ao longo da pandemia — com alta superior a 400%.

No ano passado, o valor do bitcoin (a criptomoeda mais popular do mundo) saltou 255% — indo de US$ 9.350 em janeiro para US$ 33.114 no fim do ano.

E no começo de 2021, em menos de três meses, esse valor praticamente dobrou para US$ 59 mil, antes de cair em maio para abaixo de US$ 34 mil.

As flutuações de valor do bitcoin costumam ser violentas — tanto para cima quanto para baixo — mas os motivos que determinam esta volatilidade são menos claros para especialistas e analistas de mercado.

O que aconteceu de novo no mundo das criptomoedas?

Como acontece com diversos outros produtos financeiros, a cotação das criptomoedas costuma variar de acordo com o noticiário sobre o setor.

E os últimos meses foram particularmente agitados no noticiário sobre criptomoedas:

- Em fevereiro, a empresa de carros elétricos Tesla anunciou que começaria a aceitar pagamentos em bitcoin na venda de seus veículos. Mais do que isso, o próprio balanço financeiro da empresa revelou que ela tinha US$ 1,5 bilhão em bitcoins. Os anúncios levaram a uma alta de 14% na criptomoeda, com a cotação atingindo US$ 44 mil.

- Em março, a cotação da moeda ultrapassou a marca de US$ 59 mil com a notícia de que a empresa de pagamentos PayPal passaria a permitir que consumidores americanos usassem o bitcoin para pagar em diversas lojas no mundo que aceitam PayPal. O anúncio original do projeto, feito em outubro do ano passado, já havia provocado uma alta repentina na moeda na ocasião.

- No mês de maio, no entanto, más notícias começaram a reverter a tendência de alta do bitcoin. Primeiro, houve o recuo da Tesla na sua intenção de aceitar criptomoedas para a compra de carros — provocando uma queda de 10% no valor do bitcoin. O fundador da Tesla citou a preocupação ambiental como motivo pela decisão, já que o processo de mineração de criptomoedas (que é a forma como elas são emitidas digitalmente) consome energia demais.

- Em seguida, a moeda voltou a cair cerca de 10% com autoridades chinesas proibindo bancos e firmas de pagamento de fornecer serviços relacionados a transações de criptomoeda. A China também alertou os investidores contra a negociação especulativa de criptomoedas.

- Na semana passada, o Banco Central americano disse que vai quer apertar o cerco contra empresas e milionários americanos que usam criptomoedas para evitar de pagar impostos. As autoridades estudam cobrar impostos em ativos de criptomoedas em carteiras avaliadas em mais de 10 mil dólares — o que repercutiu negativamente entre investidores em criptomoedas.

- Na mesma semana, o novo diretor da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA, Gary Gensler, afirmou que é preciso haver maior regulação em mercados de criptomoedas.

Tesla chief executive Elon Musk.
Tuítes de Elon Musk, da Tesla, ajudaram a impulsionar e depois derrubar a cotação do bitcoin

O que está acontecendo com as criptomoedas?

Mais do que só o noticiário, as criptomoedas vêm enfrentando também uma espécie de "crise de identidade" nos últimos anos que tem sido determinante na volatilidade recente desses ativos.

Existe uma grande controvérsia nas comunidades tecnológica e financeira sobre qual é o valor real das criptomoedas para a sociedade.

Elas seriam realmente uma inovação no sistema monetário internacional — capazes de um dia suplantar as moedas tradicionais? Ou seriam apenas um mecanismo de especulação sem valor intrínseco algum — e fadadas a desaparecerem quando "a bolha estourar"?

Quando o bitcoin foi inventado em 2009, por uma pessoa misteriosa (ou coletivo de pessoas, talvez) conhecida apenas como Satoshi Nakamoto, acreditava-se que as criptomoedas poderiam ser uma espécie de futuro das moedas e dos sistemas de pagamento.

As criptomoedas são sequências de dados criptografados com tecnologia que possuem um valor de troca no mercado. Ao contrário de uma moeda tradicional, como o dólar ou o real, a criptomoeda não é emitida por uma autoridade centralizadora, como um Banco Central.

Isso faz com que a cotação da moeda não fique diretamente exposta à política monetária de um país — que é geralmente determinada por fatores como o índice de inflação ou o ritmo de crescimento econômico.

Sem uma entidade reguladora, o preço de uma moeda como o bitcoin é formado pela oferta e demanda — além de outros fatores, como custo de mineração (o processo para efetivação de transações em criptomoeda), tentativas regulatórias por parte de governos e a existência de outras criptomoedas concorrentes.

Entusiastas das criptomoedas acreditam que com o aperfeiçoamento da tecnologia, elas vão bareatear o custo das transações financeiras futuras e eventualmente eliminar uma série de intermediadores no processo — como bancos, empresas de cartão de crédito e corretoras.

Além disso, pelo fato de o sistema ser descentralizado, ele seria em tese imune à intervenção direta de governos, que podem cometer equívocos nas suas políticas monetárias.

Quais são os problemas das criptomoedas?

Representação gráfica da Bitcoin com figura de brinquedo em posição de mineração
Representação gráfica da Bitcoin com figura de brinquedo em posição de mineração

As criptomoedas também têm muitos críticos.

Alguns críticos dizem que a promessa de inovação como tecnologia de pagamentos nunca foi cumprida.

"Já sabemos há uns anos que bitcoin não funciona como um meio de pagamento mainstream. Sua capacidade é muito baixa. Ele só consegue suportar cerca de sete transações por segundo, o que é bastante imprestável para o sistema global de transações. E quando as transações começam a aumentar em volume e o preço sobe, as tarifas começam a ficar altas demais", disse à BBC Frances Coppola, autora e especialista em criptomoedas.

Outro problema levantado é a altíssima pegada ambiental das criptomoedas. O processo conhecido como mineração — usado para validar transações em criptomoedas — consome quantidades enormes de energia elétrica. Na mineração, diversos computadores do mundo concorrem para resolver um problema matemático necessário para efetuar a transação financeira. O dono do computador vencedor nessa disputa ganha uma pequena parte em criptomoeda — que serve de incentivo financeiro para a atividade.

No entanto, a grande maioria dos computadores envolvidos na tentativa fracassa — consumindo enormes quantidades de energia elétrica que são desperdiçadas do ponto de vista ambiental.

O Centro de Finanças Alternativas, um instituto de pesquisas da Universidade de Cambridge (CCAF), calcula que o consumo total de energia do bitcoin é de algo entre 40 e 445 terawatts-hora ao ano (TWh). A estimativa mais baixa equivale a mais que toda a energia consumida pela Argentina em um ano.

Outro problema é que as criptomoedas vêm atraindo mais pessoas devido ao seu alto poder de especulação financeira do que por sua capacidade inovadora como meio de pagamento.

Em apenas cinco anos, o bitcoin valorizou-se em 56 vezes. Uma estimativa afirma que quase 100 mil americanos se tornaram "criptomilionários" por adquirirem as moedas — mas esse número é difícil de ser confirmado de forma independente.

No começo, as criptomoedas eram restritas apenas a pessoas com algum conhecimento em tecnologia — já que todo processo para aquisição de uma moeda envolvia a criação de uma carteira especial para armazenar a chave da moeda (que é usada pelo dono da moeda para acessar seu dinheiro). Esse processo envolve certos riscos — como o de a pessoa perder a sua chave ou ter seus dados roubados por um hacker.

Mas nos últimos anos as criptomoedas ficaram muito mais fáceis de serem adquiridas pelo público não especializado em informática, já que passaram a ser oferecidas indiretamente como partes de produtos financeiros em bancos e corretoras.

Em vez de uma carteira para criptomoedas, é preciso apenas ter uma conta comum em banco ou corretora que ofereça esse produto.

Neste ano, em corretoras brasileiras, foram lançados fundos de investimentos cujos recursos estão aplicados em criptomoedas (parte do recurso investido nesses fundos ainda é atrelado em papéis do Tesouro brasileiro, como forma de expor investidores apenas parcialmente à flutuação das criptomoedas).

Em abril, a bolsa brasileira começou a negociar o primeiro ETF (Exchange-traded fund) em criptomoedas, que é uma espécie de fundo de investimento que funciona como se fosse uma ação.

O lançamento foi considerado um sucesso — e em poucos dias o ETF captou R$ 1 bilhão, se tornando o terceiro maior ETF da bolsa brasileira.

Ou seja — é possível comprar e vender ativos cuja cotação acompanha a das criptomoedas com uma simples operação de compra e venda na bolsa que dura segundos. A volatilidade do ETF brasileiro de criptomoedas é semelhante ao da cotação das criptomoedas — o preço do ETF já variou 56% em apenas um mês de existência, permitindo ganhos (e perdas) relativamente grande a investidores.

Outro problema que surge recentemente para os entusiastas das criptomoedas é regulação — que praticamente inexiste hoje. Mas autoridades reguladoras dos EUA e da China já sinalizaram que pretendem criar leis e melhorar a tributação desta classe de ativos, o que pode torná-los menos atraentes no futuro.

O que os especialistas pensam sobre o futuro das criptomoedas?

Mais de uma década desde a sua criação, o bitcoin continua dividindo opiniões na comunidade financeira internacional.

Não existe um consenso sobre se a moeda vai realmente se estabelecer no futuro, ou se um dia a "bolha vai estourar".

Mas alguns bancos tradicionais como Goldman Sachs e Morgan Stanley, que no passado duvidaram das criptomoedas, recentemente abraçaram a nova tecnologia e lançaram operações nesses ativos para seus clientes.

Mas as criptomoedas seguem sofrendo resistências de diversas outras vozes.

Na semana passada, novas vozes se levantaram contra o uso do bitcoin — entre eles a do vice-presidente do Banco Central Europeu, Luis de Guindos.

"Quando você tem dificuldades para descobrir quais são os verdadeiros fundamentos de um investimento, então o que você está fazendo não é um investimento real", disse Guindos sobre criptomoedas, em entrevista. "Este é um ativo com fundamentos muito fracos e que estará sujeito a muita volatilidade."

No mesmo dia, o economista Paul Krugman, vencedor do Prêmio Nobel e crítico de longa data das criptomoedas, escreveu: "Hoje em dia usamos o bitcoin para comprar casas e carros, pagar nossas contas, fazer investimentos comerciais e muito mais... Oh, espere. Nós não fazemos nenhuma dessas coisas. Doze anos depois, as criptomoedas quase não desempenham nenhum papel na atividade econômica normal".

"Já participei de várias reuniões com entusiastas da criptomoeda e/ou blockchain (a tecnologia das criptomoedas). Nessas reuniões, eu e outras pessoas sempre perguntamos, da maneira mais educada possível: 'Que problema essa tecnologia resolve? O que ela faz que outras tecnologias, muito mais baratas e fáceis de usar, não podem fazer tão bem ou melhor?' Ainda não ouvi uma resposta clara. Mesmo assim, os investidores continuam pagando grandes quantias por esses tokens digitais".

Também na semana passada, o diretor do Banco Central americano (Federal Reserve), Jerome Powell, surpreendeu ao anunciar que o próprio órgão acompanha de perto as criptomoedas e pode vir a adotar algum tipo de tecnologia para lançar uma moeda digital própria.

Em março, ele havia criticado fortemente o bitcoin por não cumprir uma das funções primordiais das moedas, que é a de servir como reserva de valor. Powell disse então que o bitcoin se comporta hoje mais como um substituto do ouro do que do dólar — servindo mais como mecanismo de especulação do que para reserva de valor.

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