Mercado fechado

Bioplástico é tão nocivo quanto o plástico tradicional, revela estudo

Natalie Rosa
·2 minuto de leitura

Como parte de esforços para criar inovações que tornem o mundo mais sustentável, surgiram nos últimos anos o plástico biodegradável que, diferente do tradicional, consegue se decompor facilmente no solo. Porém, de acordo com um novo estudo, o material não é tão seguro assim.

A pesquisa, publicada na revista científica Environment International, analisou 43 produtos diferentes com bioplástico, como talheres, embalagens de chocolates, garrafas de refrigerante e rolhas de vinho. Esses itens representam nove tipos de material bioplástico que estão disponíveis no mercado, que são desenvolvidos a partir de matérias orgânicas, como as algas e outras plantas.

Com a ajuda de uma análise genética chamada bioensaios in vitro e também a espectrometria, que observa as interações de um certo material quando em contato com a luz, os cientistas observaram que aproximadamente 80% dos produtos possuíam mais de 1.000 produtos químicos diferentes, alguns deles contando com até 20 mil deles.

<em>Imagem: Reprodução/Matthew Gollop/Pixabay</em>
Imagem: Reprodução/Matthew Gollop/Pixabay

A pesquisa mostrou que, em um geral, os materiais biodegradáveis não são mais seguros que o plástico tradicional e isso não significa, no entanto, que todos esses produtos químicos sejam ruins. Ainda será preciso mais estudos para determinar as consequências desses produtos para a saúde humana e quais, por exemplo, conseguem entrar no organismo.

Estudos anteriores já haviam mostrado que os bioplásticos comercializados com a promessa de serem compostáveis e biodegradáveis, na verdade, acabam não se decompondo se não forem enviados para instalações específicas. John Hocevar, diretor de campanha para oceanos do Greenpeace nos Estados Unidos, diz estar preocupado com o resultado da pesquisa.

"Bioplásticos, como todos os plásticos, costumam conter produtos químicos que não são regulamentados, mesmo sabendo que muitos deles podem causar câncer, problemas reprodutivos e outras doenças sérias", conta Hocevar. "Antes de introduzir novos materiais, os produtos químicos envolvidos devem ser divulgados, testados e regulamentados", completa, dizendo ainda que a melhor forma de combater a crise dos plásticos é com soluções que evitam o uso dos materiais descartáveis.

O plástico tem sido um problema para a sustentabilidade há muito tempo, seja na hora da fabricação com a emissão de poluentes, com o seu descarte em aterros ou com a incineração, que também é prejudicial para a atmosfera.

Fonte: Canaltech

Trending no Canaltech: