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Biografia de Wladimir conta como menino pobre virou líder da Democracia Corintiana

·4 min de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O movimento democrático que marcou o futebol brasileiro e o Corinthians no início dos anos 1980 tem a imagem, até hoje, de Sócrates e Casagrande. A importância de outro jogador daquela equipe é restabelecida pela biografia "Wladimir - O Capitão da Democracia Corinthiana", escrita pelo jornalista Hélio Alcântara (R$ 99, 640 págs., Editora Letras do Pensamento).

A obra será lançada neste sábado (11), às 17h, no Museu do Futebol, em São Paulo.

Na contramão do que acontecia no esporte nacional até então, a democracia corintiana foi movimento em que jogadores e comissão técnica discutiam e decidiam em votações diferentes aspectos da vida do clube, até mesmo mudanças de técnico. Iniciada em 1982, durou até 1984. No período, o Corinthians foi bicampeão paulista (1982 e 1983).

São anos que coincidiram com o final do regime militar brasileiro (1964-1985). A iniciativa no Parque São Jorge antecipou a campanha das Diretas Já (1984) e a eleição indireta de Tancredo Neves, o primeiro presidente civil do país depois de 25 anos (1985).

Em 640 páginas, a obra narra a vida de um dos mais importantes jogadores da história do Corinthians, onde atuaria 806 vezes, e sua transformação de menino baixinho, franzino e criado em família pobre, para líder de um dos maiores times do país. Mostra como ele deixa de ser o garoto que não queria confusão mesmo quando recebia ofensas raciais e passa a ser cidadão interessado em política e em movimentos sindicais.

"Quando assumimos esse projeto, a gente sabia que tinha que dar tudo certo dentro e fora de campo. Sempre, porque era só flecha que vinha na nossa direção", observa Wladimir na biografia.

A Democracia Corintiana virou também uma marca e o lateral esquerdo permanece para sempre associado a ela. Pela primeira vez um elenco de futebol profissional tinha um psicanalista (Flavio Gikovate) e decidia por si só até mesmo se aconteceria concentração.

Não foi um movimento aceito por todos dentro do elenco. Emerson Leão, goleiro em 1983, sempre foi crítico. Dizia que tudo era decidido por alguns, não por todos. Reclamação parecida também foi feita por Pelé, já ex-jogador.

Pela escrita de Hélio Alcântara, descobre-se que o Rei do Futebol era o ídolo de Wladimir, que torcida para o Santos quando criança por causa do camisa 10. Ele chegou a ser convidado por Pepe, ponta histórico do clube, para treinar na Vila Belmiro. Recusou por estar comprometido com o Corinthians.

O livro conta as vitórias e derrotas do jogador em campo. Dá detalhes de bastidores da traumática queda na final do Paulista de 1974 e também a alegria dos títulos: os estaduais de 1977, 1979, 1982 e 1983.

Comenta também a desilusão que foi a seleção brasileira na carreira de Wladimir. Ele vestiu a camisa amarela apenas sete vezes. Nunca foi chamado para a Copa do Mundo.

Apesar dos detalhes que vão satisfazer o torcedor corintiano e o mais fanático pelo futebol, o livro oferece mais quando fala sobre o lateral fora de campo. O pano de fundo é a estrutura militar e racial da sociedade brasileira. Como o episódio em que ele, já titular do Corinthians, é barrado por policiais na rua quando caminhava ao lado da mãe.

"Ei, neguinho, cadê os documentos? Encosta aí!", ouviu.

Quando foi reconhecido, teve de distribuir autógrafos para os integrantes da Polícia Militar. Ou o momento em que foi chutado em campo durante uma partida no Distrito federal e o adversário o desafiou: "E daí? Eu sou branco e você é negro."

O livro explica como Wladimir jogava mesmo lesionado porque não desejava perder nenhuma partida e tinha de enfrentar as negociações com o presidente Vicente Matheus (1908-1997) para renovar contratos. Episódios sempre desgastantes em que o atleta tinha de ouvir perguntas como "você ainda é jovem. Para que quer tanto dinheiro?"

Há a narração de como acontece o processo de politização e consciência social de um ídolo popular no esporte em que seus atletas ainda, volta e meia, são chamados de alienados. Relata como os jogadores enfrentaram pressões externas contra a chamada Democracia Corintiana, que ia na direção contrária do que era feito em todas as outras agremiações e como, aos poucos, ela foi se apagando.

"Para os conservadores, a autogestão da Democracia Corinthiana era um perigo. Éramos uma verdadeira ameaça à estrutura vigente", diz Wladimir.

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Título: Wladmir - o capitão da Democracia Corinthiana

Autor: Hélio Alcântara

Editora: Letras do Pensamento

Páginas: 640

Preço: R$ 99 (R$ 79 no lançamento)

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