Mercado abrirá em 2 h 28 min

Bilionário que quitou dívidas estudantis: 'Eu ainda sofro racismo'

Foto: Amy Harris/Invision/AP

Reed Hastings, CEO da Netflix, e Patty Quillin, sua esposa, estão doando US$ 120 milhões ao United Negro College Fund e às instituições de ensino Spelman College e Morehouse College, historicamente dedicadas à educação de estudantes negros. A doação, considerada a maior contribuição desse tipo, foi inspirada por Robert F. Smith, presidente e CEO da Vista Equity Partners. No ano passado, Smith anunciou que quitaria as dívidas estudantis de cerca de 400 alunos da Morehouse College. 

Baixe o app do Yahoo Mail em menos de 1 min e receba todos os seus emails em 1 só lugar

Siga o Yahoo Finanças no Google News

Smith falou ao Yahoo Finanças sobre a doação de Hastings, a desigualdade educacional e o esforço corporativo da América pela diversidade.

Leia também

"Ver líderes de negócios como Reed e Patty afirmando que atuarão a favor da causa é animador. Sabemos que o racismo sistêmico existe há séculos, e isso se reflete nas desigualdades educacionais, econômicas e de acesso a serviços de saúde. [...] [É uma] dinâmica que estamos enfrentando como uma crise urgente sobre como lidamos com a justiça equitativa", comenta Smith.

Filho de professores, Smith afirma que a educação é a chave para o crescimento econômico, assim como um meio de contato com pessoas diferentes.

"Tudo começa com as pessoas indo para a escola juntas, tocando na banda estudantil juntas, praticando esportes juntas, de forma que realmente haja um entendimento entre elas como seres humanos. [...] É importante criarmos ambientes com oportunidades educacionais igualitárias. É um grande passo na direção certa."

A necessidade de recursos financeiros

Segundo Smith, a sociedade precisa criar "plataformas de justiça" em todas as áreas da vida, "para garantir que não existam desertos bancários e de supermercados".

Ele também afirmou que as reformas devem receber apoio financeiro. "Da Educação infantil ao Ensino médio, precisamos conhecer a realidade dos alunos para que possamos fazer um investimento equivalente na escola. [...] [Quando] uma parte da comunidade recebe dez vezes mais investimento financeiro que a outra, temos desigualdade na educação e nas oportunidades. Na minha opinião, precisamos pensar em como equilibrar esses investimentos da Educação infantil ao Ensino médio."

Quanto à diversificação da América corporativa, Smith acredita que os estágios podem oferecer oportunidades importantes para comunidades afro-americanas e latino-americanas. Ele ajudou a criar o programa "Intern X", que vincula cerca de 12 mil estudantes universitários de disciplinas STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática) a empresas de tecnologia, onde eles possam treinar e desenvolver habilidades profissionais.

"Acredito que essas oportunidades criam um entendimento entre esses jovens e essas empresas e dão uma chance para eles se conhecerem, além de gerar exposição, experiência e oportunidades econômicas de longo prazo em termos de efetivação", diz Smith.

"Está enraizado na mentalidade dos americanos"

Smith disse que ainda luta contra o racismo. "Afeta todos os negros na América. Eu ainda passo por isso, é muito doloroso", afirma.

"Infelizmente, certas dinâmicas estão enraizadas, como quando converso com meus filhos adolescentes sobre os efeitos do racismo na vida deles ou percebo atitudes de racismo ao tentar levantar fundos para o projeto. É exatamente esse o significado de 'sistêmico', [está] enraizado na mentalidade dos americanos e das instituições americanas, e isso tem que acabar."

Smith pontua que é importante tirar proveito da conscientização sobre o atual movimento de justiça social. "Afeta cada instante da vida de uma pessoa afro-americana, quando ela entra no carro para ir comprar sorvete em uma loja com seus filhos ou [...] quando há uma dinâmica de policiamento excessivo por um lado e, por outro, falta de respeito [...] Precisamos resolver essa situação", ele diz.

"Isso afeta todas as pessoas que vivem na América [...] Precisamos resolver essa situação como um país e aproveitar a superioridade moral para implementar atividades que digam que somos quem dizemos ser, e não quem fingimos ser."

Reggie Wade

Siga o Yahoo Finanças no Instagram, Facebook, Twitter e YouTube e aproveite para se logar e deixar aqui abaixo o seu comentário.