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Bilionário e bolsonarista estão entre empresários que lucram com a cloroquina

Colaboradores Yahoo Finanças
·2 minuto de leitura
O presidente Jair Bolsonaro divulga hidroxicloroquina durante live, antes de ingerir o medicamento para tratar a Covid-19.
O presidente Jair Bolsonaro divulga hidroxicloroquina durante live, antes de ingerir o medicamento para tratar a Covid-19.

Medicamento sem eficácia cientificamente comprovada para o tratamento da Covid-19, a cloroquina ganhou um garoto-propaganda importante nesta semana: Jair Bolsonaro. O presidente, que disse ter sido diagnosticado com o novo coronavírus, passou a divulgar com ainda mais frequência a substância. Segundo o Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma), o consumo de cloroquina pelos brasileiros cresceu 358% durante a pandemia.

O aumento da procura pelo medicamento, reprovado pela OMS (Organização Mundial de Saúde), ajudou a empurrar os negócios de cinco empresas autorizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a produzir o medicamento no País.

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Em abril, o laboratório Aspen triplicou a produção de Reuquinol, à base da substância, após Bolsonaro ter exibido a caixinha do produto em encontro virtual com líderes do G-20. O dono da indústria, o empresário Renato Spallicci, é militante bolsonarista e divulgou as imagens do presidente exibindo seu remédio.

Durante live na última quinta, o presidente exibiu a caixinha de um medicamento genérico, produzido pela EMS. A empresa faz parte do grupo controlado por Carlos Sanchez, empresário com fortuna avaliada em US$ 2,5 bilhões, apontado pela revista Forbes como o 16º homem mais rico do Brasil. Ele participou de duas reuniões com Bolsonaro desde o início da pandemia.

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No ano passado, o presidente visitou o laboratório Cristália, outro fabricante de cloroquina, comandado pelo empresário bolsonarista Ogari de Castro Pacheco, filiado ao DEM e segundo-suplente do líder do governo no Senado, Eduardo Gomes (MDB-TO). Segundo o congressista, o empresário está internado com Covid-19 e fez uso do medicamento que vende.

O único laboratório estrangeiro autorizado a vender cloroquina no país é o francês Sanofi-Aventis. O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, compartilhou uma foto de uma caixa de cloroquina da marca Plaquinol, da empresa que tem entre seus acionistas o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A imagem vinha acompanhada de uma notícia de que o grupo iria doar medicamento para infectados com a Covid-19.

Além do contato com os empresários, o governo acelerou a produção da hidroxicloroquina no laboratório do Exército. Segundo o Ministério da Defesa, até o fim de junho, 1 milhão de comprimidos da substância tinham sido distribuídos e havia um estoque de mais 1,85 milhão de unidades. A produção foi suspensa até que todos sejam enviados a hospitais e postos de saúde públicos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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