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Bilionário que perdeu chance de comprar TikTok agora é rival

·4 minuto de leitura

(Bloomberg) -- Em 2017, Su Hua, fundador de uma startup chinesa chamada Kuaishou Technology, estava prestes a fechar o maior negócio de sua carreira: a aquisição de um novo serviço de vídeo que se tornaria o TikTok. Mas a arquirrival ByteDance venceu a disputa com uma oferta melhor, e Su perdeu o que se tornou um fenômeno global.

Agora, o empresário de 38 anos está sendo recompensado de alguma forma. Em fevereiro, a Kuaishou abriu o capital em Hong Kong e levantou mais de US$ 5 bilhões com a força de suas operações de vídeo e comércio em expansão. A ByteDance, por sua vez, entrou na mira do governo dos EUA e depois virou alvo de escrutínio da China, o que deve atrasar sua oferta pública inicial.

Su não está perdendo um minuto. Com bastante caixa do IPO, a Kuaishou aumenta os investimentos para recuperar o atraso em relação à ByteDance, cujo tamanho é quatro vezes maior. A Kuaishou planeja se expandir em países como Brasil e Indonésia em vez de crescer nos EUA, reduto do TikTok. A empresa pretende dobrar a força de trabalho global para 2 mil funcionários até o fim do ano para acelerar o lançamento dos produtos internacionais.

A Kuaishou pode ter uma vantagem sobre seu rival nesses mercados. Enquanto o TikTok tende a se apoiar em adolescentes dançarinos fotogênicos, as estrelas de Su são um grupo diversificado, às vezes simplório, muitas vezes de regiões rurais. Eles incluem um agricultor que bebe muito e um motorista de caminhão de longa distância.

“O TikTok é um grande líder à nossa frente globalmente, mas ainda há muito espaço para crescimento”, disse Su em sua primeira entrevista em quatro anos. “A filosofia da Kuaishou é bastante diferente da de nossos rivais, e isso se baseia em minhas experiências e valores pessoais.”

Para impulsionar a expansão da Kuaishou, o empresário está implementando uma estratégia testada e comprovada de criar o fórum de vídeo do cidadão comum, combinando recomendações baseadas em inteligência artificial com curadoria humana para oferecer uma experiência personalizada. A empresa pretende atingir 250 milhões de usuários mensais fora da China este ano, depois de triplicar essa base nos últimos seis meses. A Kuaishou tem cerca de 300 milhões de usuários diários na China.

Os aplicativos internacionais da Kuaishou incluem o Kwai, o SnackVideo e o Zynn. O Kwai, produto de exportação de maior sucesso e o gêmeo internacional da plataforma doméstica, foi baixado mais de 76 milhões de vezes no primeiro semestre de 2021 em países como Brasil e México, enquanto o SnackVideo conquistou seguidores em mercados como Indonésia e Paquistão.

Cerca da metade de seus 150 milhões de usuários estrangeiros mensais agora vêm da América Latina, um dos principais mercados do TikTok. No início deste ano, a empresa de Su fechou um acordo para patrocinar a Copa América 2021. Também se comprometeu a gastar US$ 10 milhões para incentivar criadores de conteúdo esportivo no próximo ano.

Como todas as empresas de tecnologia da China, Kuaishou tem motivação extra para se expandir no exterior enquanto o governo chinês aumenta o controle sobre o mercado doméstico. Autoridades chinesas têm se concentrado em líderes como Tencent Holdings e Alibaba Group, mas a incerteza sobre as regulamentações futuras provocou uma onda vendedora no mercado. A ação da Kuaishou quase quadruplicou depois do IPO e agora está perto do preço da oferta.

Orquestrando o impulso da empresa no exterior está o vice de Su, Tony Qiu, um ex-investidor da Bain Capital e executivo da Didi que ajudou a gigante chinesa a crescer no Brasil. Desde que entrou na Kuaishou em agosto passado, tem colocado seu conhecimento do mercado local à prova, liderando uma equipe com contratações de talentos do Google, Netflix e TikTok. Em abril, a Kuaishou também deu as boas-vindas a Wang Meihong, um ex-engenheiro sênior do Facebook, para supervisionar a tecnologia de seus produtos globais.

João Paulo Venancios, de 22 anos, é criador do Kwai e mora na Paraíba. Desde que começou a usar o Kwai em março de 2020, Venancios conquistou 2,6 milhões de seguidores com clipes em que ele e sua avó de 70 anos mostram seu dia a dia vida e cenas de filmes. Comerciantes locais o contratam para fazer apresentações nas lojas, o que rende cerca de R$ 6 mil por mês, o suficiente para alugar uma casa e perseguir seu sonho de se tornar cantor profissional. É uma fama que ele não poderia ter conseguido no TikTok ou no Instagram, cujos algoritmos tornam mais difícil para criadores pouco conhecidos se tornarem virais.

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©2021 Bloomberg L.P.

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