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Bilionário da mineração evita Chile com aposta na Argentina

·2 minuto de leitura

(Bloomberg) -- Em um sinal da mudança dos ventos políticos na América do Sul, um clã bilionário da mineração adiou novos investimentos no Chile por causa do risco do país, ao mesmo tempo em que busca investir mais na Argentina.

A Lundin Mining, que recentemente gastou US$ 1 bilhão para modernizar sua operação de cobre no Chile, vai monitorar possíveis mudanças nas regras do país antes de prosseguir com uma expansão subterrânea estimada em US$ 500 milhões, disse o presidente do conselho, Lukas Lundin. Em San Juan, do outro lado dos Andes, o grupo sueco-canadense está em negociações com autoridades argentinas sobre um projeto multibilionário.

Regras favoráveis e estáveis além de depósitos gigantes tornaram o Chile o maior fornecedor global de cobre, enquanto a política volátil e heterodoxa da Argentina limitou o desenvolvimento de suas amplas reservas minerais. Essa diferença no risco pode diminuir depois que o Chile elegeu uma assembleia para redigir a nova Constituição dominada pela esquerda, o que torna as minas vulneráveis a regras mais rígidas. A votação do fim de semana também pode dar impulso a um projeto de lei que deve criar uma das cargas tributárias mais pesadas do setor.

A perspectiva de um ambiente operacional mais oneroso no Chile desacelera a indústria, justo quando o mercado global pede mais cobre com o início da transição para a energia verde.

“Vamos esperar para ver antes de colocarmos muito dinheiro nisso e tenho certeza que todo mundo está fazendo o mesmo”, disse Lundin em entrevista na terça-feira. “Se houver muita incerteza no próximo ano, ano e meio, obviamente não apertaremos o botão.”

Os obstáculos regulatórios no Chile resultam dos esforços para lidar com as persistentes desigualdades que levaram à pior agitação social em uma geração. As tensões foram agravadas pela pandemia e pelos preços recordes do cobre. No entanto, o processo constitucional vai durar um ano, e mineradoras estrangeiras têm acordos de estabilidade que as protegem de mudanças tributárias até pelo menos 2023.

“Os países querem uma receita mais alta, entendo isso”, disse Lundin. “Mas se você tributar muito, é muito difícil reinvestir novamente.”

As participações do grupo em mineração e energia no mundo todo totalizam cerca de US$ 4,3 bilhões. Na Argentina, a empresa busca desenvolver depósitos que acabaram de gerar “resultados de perfuração espetaculares”, disse Lundin.

No caso do cobre, oportunidades limitadas de crescimento da oferta e longos prazos de entrega para novas minas explicam, em parte, porque para Lundin o ciclo de valorização do metal pode continuar por mais uma década.

Mas ele não quer que os preços subam muito devido às demandas que isso pode gerar. “Se o preço se mantiver assim ou um pouco mais baixo, é muito bom para a indústria dar estabilidade e poder de fogo para colocar novos projetos em produção.”

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©2021 Bloomberg L.P.

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