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Biden tem poucas opções para responder à Opep+ sobre produção

·3 min de leitura

(Bloomberg) -- Para o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, a parte fácil era ameaçar uma resposta. Agora, vem o desafio mais difícil de responder.

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Quando Biden pressionou a Opep+ na semana passada para reduzir os preços do petróleo com um grande aumento da produção, ele alertou para as consequências caso o cartel rejeitasse seu apelo: “O que estamos considerando fazer sobre isso, reluto em dizer antes de fazer”.

Agora, Biden tem que combinar palavras com ação ou corre o risco de parecer impotente em sua disputa contra o cartel de petróleo. Na quinta-feira, a Arábia Saudita e aliados da Opep+ não só rejeitaram aumentar a produção acima de 400 mil barris por dia que já haviam planejado, mas também se recusaram a fazer até mesmo um gesto simbólico para acalmar o governo de Washington. Foi simplesmente um claro “não”.

“A bola está de volta ao campo de Biden”, disse Amrita Sen, analista-chefe de petróleo da consultoria Energy Aspects, em Londres.

Poucos minutos após o anúncio da Opep+, a Casa Branca acusou a aliança de petróleo de colocar em risco a “recuperação global de países ao redor do mundo”. “Vamos considerar toda a gama de ferramentas à nossa disposição para aumentar a resiliência e a confiança da população”, disse um porta-voz.

Biden certamente tem ferramentas à disposição. Talvez a mais forte seja a reserva estratégica de petróleo (SPR, na sigla em inglês) do país, um enorme estoque com mais de 600 milhões de barris guardado na Louisiana e do Texas para grandes emergências. A SPR tem petróleo suficiente para substituir todo o petróleo que os EUA importam da Opep+ por mais de um ano.

Existem opções mais radicais. Biden poderia proibir as exportações de petróleo dos EUA, mantendo mais barris em casa, ou incentivar o Congresso a aprovar legislação que permita ao governo federal processar a Opep por atuar como um cartel.

Mas todas essas medidas trazem grandes riscos políticos, diplomáticos e de mercado, segundo operadores, consultores e diplomatas.

Biden está em uma “posição difícil”, disse Bob McNally, presidente da consultoria Rapidan Energy e ex-funcionário da Casa Branca. “Ele elevou as expectativas de fazer algo enquanto, de forma correta, observou que nada do que faça pode realmente reduzir os preços da gasolina no curto prazo.”

O mercado de petróleo agora está agitado com rumores de liberação das reservas estratégicas, seja em coordenação com aliados da Agência Internacional de Energia, que inclui países como Alemanha, Reino Unido, Japão e Coreia do Sul, ou mesmo sozinho. Os EUA também podem tentar liberar as reservas em aliança com países não pertencentes à AIE, como China e Índia.

“A SPR certamente está na mesa como opção. O presidente terá mais a dizer sobre isso”, disse a secretária de Energia dos EUA, Jennifer Granholm, em entrevista à Bloomberg TV na sexta-feira. “O governo Biden está muito preocupado com o preço na bomba”, acrescentou.

Mas muitos especialistas no mercado de petróleo questionam se a situação atual justifica a liberação de estoques. Além das medidas esporádicas a cortes de oferta localizados de petróleo, os EUA apenas acessaram as reservas de petróleo algumas vezes, principalmente em resposta aos furacões em 2005 e conflitos armados: a Guerra do Golfo em 1991 e em 2011, durante a guerra civil na Líbia.

Para Biden, o maior problema, talvez, é que a diplomacia de seu governo não conseguiu provocar uma ação da Opep+, destacando os limites de sua influência pessoal com um grupo que antes prestava muita atenção ao que o governo de Washington tinha a dizer.

A Casa Branca disse que a batalha não acabou. “Vamos continuar a trabalhar nisso, não é o fim”, disse na quinta-feira a porta-voz da Casa Branca, Karine Jean-Pierre.

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