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Biden se reúne com presidente afegão para tratar da retirada de tropas dos EUA

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O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, recebe nesta sexta-feira (25) seu homólogo afegão, Ashraf Ghani, para discutir o futuro do Afeganistão, no momento em que a retirada das tropas americanas presentes no país abre um período de imensa incerteza.

O objetivo declarado da Casa Branca é trabalhar em estreita colaboração com o governo de Cabul para garantir que o Afeganistão "nunca mais se torne um refúgio para grupos terroristas que representam uma ameaça aos Estados Unidos".

Mas as perguntas são inúmeras: os talibãs assumirão o controle de Cabul, quando os últimos soldados ocidentais partirem? O que acontecerá com os milhares de afegãos que trabalharam com as forças americanas como intérpretes?

Espera-se que os dois líderes se reúnam à tarde no Salão Oval para discutir essas questões delicadas. Nenhuma conferência de imprensa está programada para o final da reunião.

- 11 de setembro -

Biden decidiu em abril retirar as 2.500 tropas americanas ainda presentes no Afeganistão até 11 de setembro. A data é bastante simbólica. Trata-se do 20º aniversário dos ataques contra os Estados Unidos que levaram Washington a invadir o Afeganistão e derrubar o regime talibã, que dava abrigo aos terroristas da rede Al-Qaeda.

A Casa Branca insiste em que continuará a "apoiar o povo afegão". Na quinta-feira, anunciou o envio de três milhões de doses de vacinas Johnson & Johnson para ajudar o país a lidar com a pandemia de covid-19.

Muitos congressistas e especialistas temem que os talibãs recuperem o controle do país e imponham um regime fundamentalista semelhante ao implementado entre 1996 e 2001.

Além disso, Ashraf Ghani parece cada vez mais isolado.

"Só escuta três ou quatro pessoas, entre elas seu chefe de gabinete, seu assessor de segurança nacional e, claro, sua esposa", declarou um diplomata ocidental em Cabul, falando em condição de anonimato.

"Ghani não tem muita legitimidade em seu país" e precisa de "reconhecimento internacional" mais do que nunca, aponta Andrew Watkins, do International Crisis Group.

Durante uma reunião no Pentágono com o ministro da Defesa dos Estados Unidos, Lloyd Austin, o presidente afegão descartou a hipótese de uma "tomada do poder pelo Talibã em seis meses" e destacou que esses cenários "se revelaram todos falsos".

"O Ministério da Defesa está profundamente comprometido com a segurança e estabilidade do Afeganistão e com a busca por um acordo negociado para encerrar a guerra", declarou o chefe do Pentágono ao seu lado.

Embora ainda espere convencer os talibãs a aceitar um papel em um governo provisório de unidade nacional, os insurgentes, encorajados por seus sucessos militares, parecem relutantes em negociar.

Enquanto isso, a retirada americana ocorre a toda velocidade, alimentando especulações de que será concluída em julho, muito antes do prazo final de 11 de setembro.

- Transferência para Guam? -

O destino de cerca de 18 mil afegãos que trabalharam com as forças americanas e que temem represálias, se os talibãs voltarem ao poder em Cabul, é objeto de atenção especial em Washington.

"Não abandonaremos aqueles que nos ajudaram", disse Joe Biden na quinta-feira (24).

Esses afegãos esperam obter um visto de imigração para os Estados Unidos, mas os procedimentos são complicados e demorados.

A Casa Branca anunciou que considera transferir alguns deles antes da retirada total das tropas, para que fiquem seguros enquanto seus pedidos de visto são analisados.

Mas ainda há muitos detalhes a serem definidos: por enquanto não foi especificado o número de pessoas envolvidas, nem seu destino.

Parlamentares e organizações de direitos humanos mencionaram a ilha de Guam, no Pacífico, como um possível destino.

Ashraf Ghani e Abdullah Abdullah, o principal negociador do governo com os talibãs, chegaram a Washington na quinta-feira e se encontraram com membros do Congresso.

Após a reunião, o líder republicano do Senado, Mitch McConnell, lamentou a decisão de Biden e disse esperar que a retirada das tropas americanas seja adiada.

"Os talibãs, encorajados por nossa retirada, farão retroceder o relógio de anos de progresso, especialmente nos direitos das mulheres afegãs", lamentou, temendo as consequências "trágicas" da possível queda de Cabul logo após a partida dos últimos soldados americanos.

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