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Biden quer remodelar Fed com histórica diversidade em indicações para o banco central

·3 min de leitura
Vista do prédio do Federal Reserve em Washington, 16 de setembro de 2008. REUTERS/Jim YOUNG

Por Andrea Shalal e Ann Saphir

WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, nomeou nesta sexta-feira a ex-diretora do Federal Reserve Sarah Bloom Raskin para o principal cargo regulatório do Fed e os economistas Lisa Cook e Philip Jefferson para atuar na diretoria da instituição, no que representaria uma revisão demográfica histórica do banco central mais poderoso do mundo.

As nomeações --que podem enfrentar alguma oposição dos republicanos no Senado-- preencheriam as fileiras de um painel de sete membros que exerce tremenda influência sobre a maior economia do mundo e tornaria a liderança do Fed a mais diversificada por raça e gênero em seus 108 anos de história. Tanto Cook quanto Jefferson são negros.

As escolhas de Biden para o Fed seguiram sua decisão de nomear Jerome Powell para um segundo mandato como chefe do banco central e promover a diretora Lael Brainard ao cargo de vice-chair. Além disso, dão a Biden a oportunidade de deixar uma marca duradoura em um órgão que define políticas econômicas --particularmente sobre as taxas de juros-- que repercutem em todo o mundo.

As nomeações foram anunciadas num momento em que os próprios planos de Biden para a economia no pós-pandemia esbarraram num aumento inesperado na inflação e em disputas partidárias no Congresso --fator que também pode entrar em jogo durante o processo de confirmação dos indicados.

"Este grupo trará conhecimento, julgamento e liderança muito necessários ao Federal Reserve, ao mesmo tempo que trará uma diversidade de pensamentos e perspectivas nunca antes vistas no Conselho de Diretores", disse Biden em comunicado.

"Eles continuarão o importante trabalho de nos guiar no caminho para uma recuperação forte e sustentável, ao mesmo tempo que garantem que os aumentos de preços não se tornem enraizados no longo prazo."

DIRETORIA MAIS DIVERSA

Cook, professora de economia e relações internacionais da Universidade Estadual de Michigan, seria a primeira mulher negra a servir como diretora do Fed. Jefferson, professor e administrador sênior do Davidson College, na Carolina do Norte, seria apenas o quarto negro a participar do painel e o primeiro em mais de 15 anos.

Cook escreveu extensivamente sobre as consequências econômicas das disparidades raciais e desigualdade de gênero, e cresceu vivendo a violência da desagregação escolar no sul dos EUA. Jefferson, que trabalhou como pesquisador do Fed no início de sua carreira, escreveu extensivamente sobre salários, pobreza e distribuição de renda, embora não tenha publicado recentemente.

Kevin Hassett, que presidiu o Conselho de Assessores Econômicos do ex-presidente Donald Trump, disse que Jefferson é um "economista incrivelmente inteligente" e um acadêmico sério que deve ser confirmado pelo Senado rapidamente.

"Ele é o tipo de pessoa séria e honrada que o Federal Reserve deveria ter."

Raskin, que passou quatro anos como diretora do Fed antes de ser escolhida como vice-secretária do Tesouro de 2014 a 2017, deve exercer uma supervisão mais dura em Wall Street do que o vice-presidente de supervisão anterior do Fed, Randal Quarles, que deixou o banco central no fim do ano passado.

As escolhas de Biden implicam que o Conselho de Diretores de sete membros incluiria quatro mulheres, também algo inédito. Atualmente, a diretoria do Fed tem apenas cinco membros, todos brancos, embora essa contagem caia para quatro --dois homens e duas mulheres-- depois de o atual vice-chair, Richard Clarida, deixar o conselho nesta sexta-feira, conforme anunciado anteriormente.

"É claramente uma troca de guarda", disse Larry Katz, professor da Universidade de Harvard. Este é um "novo conjunto inovador de indicados que trará perspectivas e representação importantes para a diretoria".

(Reportagem de Andrea Shalal; reportagem adicional de Trevor Hunnicutt; gráfico de Ally Levine)

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