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Biden dribla Bolsonaro e escala emissário para reunião com governadores da Amazônia

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*ARQUIVO* BRASILIA, DF,  BRASIL,  17-06-2014 - O  presidente americano Joe Biden. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
*ARQUIVO* BRASILIA, DF, BRASIL, 17-06-2014 - O presidente americano Joe Biden. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Em uma nova articulação para contornar o governo Jair Bolsonaro nas negociações sobre ambiente, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, escalou um emissário para se reunir com governadores da Amazônia e discutir projetos de preservação do bioma.

O encontro de Jake Sullivan, conselheiro de Segurança Nacional, com governadores do Consórcio Interestadual da Amazônia Legal está previsto para esta quinta-feira (5) em Brasília.

O governo federal não deve ter representante na reunião, segundo relataram interlocutores á Folha de S.Paulo.

Os nove governadores da Amazônia Legal foram convidados. Fazem parte do consórcio Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.

As autoridades dos EUA e os governadores devem discutir no encontro o desmatamento na Amazônia e mecanismos de financiamento internacional de projetos de proteção do bioma. Mas os americanos também estão interessados em ouvir os governadores sobre o relacionamento com a gestão Bolsonaro.

Sullivan ocupa um dos cargos mais estratégicos em Washington, sendo responsável por aconselhar diretamente Biden em temas de segurança nacional.

Uma das prioridades do governo Biden, a luta contra mudanças climáticas foi elevada a tema discutido no Conselho de Segurança Nacional, do qual Sullivan faz parte.

O americano estará em Brasília para uma série de conversas com autoridades do governo brasileiro, inclusive com o próprio Bolsonaro.

O foco da visita deve ser -novamente- a ofensiva diplomática contra a participação de empresas chinesas no futuro mercado do 5G no Brasil.

Mas o governo Biden quis incluir na agenda de Sullivan em Brasília conversas sobre ambiente sem a participação do Planalto.

O encontro desta quinta será a segunda reunião em uma semana entre um alto funcionário do governo Biden e governadores, em uma espécie de drible ao governo federal.

No comunicado enviado pela Embaixada dos EUA, não foi informado se Sullivan terá alguma reunião sobre ambiente com uma autoridade do governo federal.

Na sexta-feira (30), o enviado especial para o clima dos EUA, John Kerry, participou de uma videoconferência com outro grupo de governadores, a maioria deles adversários de Bolsonaro.

Estiveram na reunião Reinaldo Azambuja (PSDB-MS), Renato Casagrande (PSB-ES), Eduardo Leite (PSDB-RS), João Doria (PSDB-SP), Flávio Dino (PSB-MA), Wellington Dias (PT-PI) e Helder Barbalho (MDB-PA).

Na ocasião, de acordo com relatos, Kerry saudou os compromissos assumidos por Bolsonaro na Cúpula do Clima liderada por Biden, mas afirmou que falta ao Brasil mostrar como pretende alcançar esses objetivos.

No encontro de chefes de Estado realizada em abril, Bolsonaro prometeu acabar com o desmatamento ilegal até 2030 e atingir a neutralidade climática até 2050. Mas, na prática, o Brasil tem registrado números que mostram o avanço do desmatamento na Amazônia.

Na segunda (2), por exemplo, o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) disse que a redução do desmatamento na Amazônia, no atual ciclo, deve ser "muito irrisória" e que o país não deve conseguir atingir a meta de diminuir a atividade em 10%, como ele havia anunciado.

"Fechou o ciclo [medido pelo Prodes (Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite)] no dia 31 de julho. Provavelmente não vou cumprir aquilo que eu achava que seria o nosso papel, de chegar a 10% de redução [do desmatamento]", disse na ocasião.

"Acho que vai dar na faixa de 4% a 5% [de redução]. É uma redução muito pequena, muito irrisória, mas já é um caminho andado", afirmou o vice-presidente.

O Prodes, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), produz as taxas anualizadas de desmatamento por corte raso na Amazônia. A apresentação oficial da estimativa dos dados ocorre no final do ano.

Com os índices negativos de desmatamento no bioma, o governo Biden decidiu inaugurar uma nova estratégia nas negociações com o Brasil sobre proteção ambiental. Os americanos abriram frentes de conversa direta com os governadores, sem a participação do governo federal.

Até o final de junho, quando o ministério do Meio Ambiente ainda era comandado por Ricardo Salles, os Estados Unidos consideravam que não havia qualquer avanço nas rodadas de conversa sobre ambiente.

Tanto que uma série de reuniões entre a equipe de Kerry e os Ministérios do Meio Ambiente e das Relações Exteriores foram congeladas por decisão dos americanos.

Com a saída de Salles da pasta, os diálogos foram retomados. Mesmo assim, Biden deu luz verde para que as tratativas com o governo federal ocorram em paralelo às conversas com os governadores.

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