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Biden assume maior compromisso contra o aquecimento global em cúpula do clima

Shaun TANDON y Alina Dieste
·5 minuto de leitura

O presidente Joe Biden aumentou drasticamente nesta quinta-feira (22) o compromisso dos Estados Unidos para conter o aquecimento global, liderando novas promessas de nações aliadas no que ele espera ser uma luta mundial contra as mudanças climáticas.

Ao abrir uma cúpula internacional no Dia da Terra patrocinada pela Casa Branca, o presidente anunciou que a maior economia do mundo reduzirá as emissões de gases de efeito estufa em 50-52% até 2030 em comparação aos níveis de 2005.

"O custo da inação continua subindo. Os Estados Unidos não vão esperar", disse Biden na cúpula que reúne cerca de 40 líderes por videoconferência nesta quinta e sexta-feira, incluindo os rivais China e Rússia.

"Temos que agir, todos nós", insistiu.

O Acordo de Paris de 2015 visa limitar o aquecimento global a 2 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais e, se possível, a + 1,5 °C, o nível que os cientistas consideram necessário para evitar os efeitos mais severos das mudanças climáticas.

Esse horizonte é inatingível com os compromissos nacionais atuais, mas Biden está confiante em novas metas ambiciosas, em total contraste com seu antecessor Donald Trump, um cético em relação às mudanças climáticas.

O Japão, a terceira maior economia do mundo, anunciou nesta quinta que pretende reduzir as emissões de CO2 em 46% até 2030, significativamente mais do que o prometido anteriormente.

E o Canadá anunciou uma redução em suas emissões entre 40% e 45% até 2030 em relação a 2005, em vez de 30% anteriormente.

"Precisamos agir agora. Porque não há vacina contra um planeta contaminado", exortou o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau.

- Brasil se compromete -

O presidente Jair Bolsonaro anunciou, por sua vez, que o Brasil terá como objetivo a neutralidade de carbono até 2050, uma década antes do previsto anteriormente.

"Determinei que nossa neutralidade climática seja alcançada até 2050, antecipando em dez anos a sinalização anterior", disse Bolsonaro, comprometendo-se ainda a "eliminar o desmatamento ilegal no Brasil até 2030".

A União Europeia anunciou esta semana que vai reduzir suas emissões em "pelo menos 55%" até 2030 em comparação com 1990, depois que o Reino Unido prometeu reduzir suas emissões em 78% até 2035 em relação aos níveis de 1990.

O primeiro-ministro britânico Boris Johnson, que sediará uma conferência da ONU em Glasgow em novembro, saudou o compromisso de Biden como um "divisor de águas".

Sob o pacto de Paris, o ex-presidente Barack Obama disse que os Estados Unidos reduziriam as emissões em 26-28% até 2025, uma meta que Biden, então vice-presidente, quase dobrou.

O presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, aproveitou a cúpula para dizer a Biden que o fenômeno migratório "não se resolve com medidas coercitivas, mas com justiça e bem-estar".

Os Estados Unidos registram um fluxo crescente de imigrantes na fronteira sul, a maioria deles centro-americanos fugindo da pobreza e de desastres naturais.

Biden declarou que Washington planeja dobrar sua ajuda oficial aos países em desenvolvimento para combater a mudança climática até 2024, em comparação com os níveis de 10 anos antes.

- Pressão sobre a China -

O compromisso de Biden aumenta a pressão sobre a China, a segunda maior economia do mundo e maior emissora de carbono, muito à frente dos Estados Unidos.

Pondo de lado suas divergências sobre comércio, direitos humanos e outras questões, Pequim e Washington se comprometeram no sábado a "cooperar" no âmbito do clima, após uma visita a Xangai do emissário americano John Kerry, que considerou "suicida" qualquer falta de colaboração.

O presidente chinês, Xi Jinping, reiterou nesta quinta-feira sua promessa do ano passado de atingir a neutralidade de carbono até 2060.

A China "seguirá um caminho verde de baixo carbono para o desenvolvimento" nas próximas décadas e "espera trabalhar com a comunidade internacional, incluindo os Estados Unidos", disse.

Xi prometeu que seu país reduziria o uso do carvão, a forma de energia mais poluente, embora seja uma questão politicamente delicada em razão dos empregos que a mineração proporciona.

A Índia, terceiro maior emissor de CO2, embora muito menor do que os países ocidentais em termos per capita, também não estabeleceu novas metas, mas prometeu uma nova "parceria" com Biden para impulsionar o investimento verde.

Em uma breve falha técnica na cúpula, o chefe da diplomacia dos EUA, Antony Blinken, cortou um vídeo pré-gravado do presidente francês Emmanuel Macron para ouvir o presidente russo Vladimir Putin, que parecia impaciente para falar.

Putin, que mantém uma relação especialmente tensa com Biden, afirmou que a Rússia está cumprindo suas obrigações de combater as mudanças climáticas.

Em seguida, o discurso de Macron foi repetido na íntegra.

- Mais do que promessas -

"Estou muito feliz em ver que os Estados Unidos estão de volta", disse a chanceler alemã, Angela Merkel.

Os Estados Unidos voltaram ao Acordo de Paris com Biden, depois que Trump se retirou por considerá-lo injusto. A saída de Trump não prejudicou muito o cumprimento da meta de Obama graças ao compromisso dos estados, especialmente da Califórnia, e uma queda acentuada na produção industrial durante a pandemia de covid-19.

Mas os especialistas apontam que o mundo precisa fazer mais para evitar uma catástrofe: um estudo da ONU no final do ano passado concluiu que o planeta caminha para um aquecimento de + 3ºC.

Para Biden, a mudança climática é "uma ameaça existencial", mas também "uma oportunidade".

O presidente busca que o Congresso aprove um pacote de infraestrutura de US$ 2 trilhões que inclui uma grande transição para uma economia verde, que criará milhões de empregos.

Resta saber se Biden terá sucesso em assegurar o compromisso de Washington, dada a relutância do Partido Republicano de Trump em ações climáticas.

Jennifer Morgan, diretora do Greenpeace International, disse que "é preciso muita vontade política e ação" para tomar medidas imediatas, não apenas fazer promessas de longo prazo.

"Os países mais ricos do mundo devem fazer mais do que cortar suas emissões pela metade até 2030, tendo se beneficiado das indústrias extrativas e poluentes que levaram à crise climática”, opinou.

sct-ad/mls/mr