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Biden aposta alto no começo do mandato, apesar da maioria frágil no Congresso

Elodie CUZIN
·4 minuto de leitura
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, durante a apresentação de seu plano para a infraestrutura, em 31 de março de 2021, em Pittsburgh, Pensilvânia

Com seu plano maciço de investimentos para criar "milhões de empregos" e pouco depois de aprovar outro pacote de estímulo igualmente robusto, o presidente Joe Biden começou apostando alto em suas primeiras semanas no comando dos Estados Unidos. É obrigado a fazê-lo, já que sua estreita margem de ação poderia terminar em 2022.

"Penso que ele sabe que seu legado será escrito nos próximos dois anos, seu legado como presidente, e está pensando grande", avaliou na terça-feira David Axelrod, ex-conselheiro de Barack Obama.

A eleição presidencial de 2020 deu a vitória aos democratas, junto com um conforto extra: o controle da maioria do Congresso, mas por uma estreita margem.

E tanto na Casa Branca quanto nos corredores do Capitólio, sede do Legislativo americano, ainda continuam muito vivas as lembranças dos últimos presidentes que, apenas dois anos depois de chegar ao poder, perderam suas maiorias legislativas nas eleições de meio de mandato: Donald Trump em 2018, Barack Obama em 2010, George W. Bush em 2006 e Bill Clinton em 1994.

Diante deste risco, os presidentes têm fundamentalmente duas opções: governar mais do centro, buscando consenso enquanto protegem sua maioria ou apostar tudo em uma tentativa ambiciosa de levar adiante grandes reformas desde o começo, ainda que sob o risco de perder o controle do Congresso.

A 19 meses das eleições de meio de mandato, em 2022, Biden já deixou clara a sua aposta: quer avançar rapidamente com planos ambiciosos para transformar os Estados Unidos.

O temo urge. Enquanto Biden - que, aos 78 anos, é o presidente mais idoso dos Estados Unidos - afirma que pretende voltar a disputar as eleições presidenciais em 2024, Axelrod acredita que as possibilidades de que o faça são "bastante remotas", declarou no podcast Hacks on Tap, que apresenta juntamente com o republicano Mike Murphy.

- Dura oposição -

"É grande, sim. É audacioso, sim. E nós podemos fazê-lo!".

Com esse tom determinado, Biden apresentou na quarta-feira seu plano para investir 2 trilhões de dólares para investir na infraestrutura americana em oito anos, com o objetivo de criar "milhões de empregos", combater as mudanças climáticas e fazer frente a uma China em ascensão.

E o anúncio chegou três semanas depois de seu gigante plano para estimular a maior economia do mundo e enfrentar a pandemia de covid-19 - também de cerca de 2 trilhões de dólares -, se tornar lei.

O custo total potencial dos dois planos poderia superar o PIB da Alemanha.

Biden, que não ignora os mecanismos do Congresso - onde passou mais de 35 anos como senador -, gosta de se mostrar como um defensor das negociações, com a mão sempre estendida ao outro lado.

Mas a Casa Branca deixou claro que não hesitará em avançar sem os republicanos, se for necessário.

A julgar pelas primeiras reações dos conservadores, a oposição será forte.

O influente líder republicano no Senado, Mitch McConnell, prometeu na quinta-feira que lutará contra o plano de infraestrutura "a cada passo", argumentando que falta a Biden mandato público para um pacote tão vasto.

- 'A arte do possível' -

Então, como Biden espera aprovar seu plano?

"A política eleitoral bem sucedida é a arte do possível", disse Biden a jornalistas em sua primeira coletiva de imprensa, em 25 de março.

Não será fácil.

Os democratas, com uma maioria apertada na Câmara dos Representantes, só podem se dar ao luxo de pouquíssimas deserções. Mas a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, uma experiente estrategista, expressou confiança em levar adiante o plano no começo do verão (no hemisfério norte).

A aprovação no Senado, no entanto, será um desafio mais complexo. Com uma exígua maioria, os democratas não podem se permitir nenhuma deserção na Casa. Mas levando em conta o grande alcance e a complexidade do plano, tensões já emergiram entre os centristas e os progressistas do partido.

- Contra a 'maldição' -

As negociações dos democratas ocuparão grande parte dos próximos meses, sempre sob a ameaça dos possíveis custos nas eleições de meio de mandato de 2022.

Sua esperança por enquanto é que uma forte recuperação econômica, somada ao possível fim da pandemia lhe permita fugir da "maldição" das derrotas nestas eleições.

"A maior exceção para esta tendência foram as eleições de metade de mandato de 2002. Foram logo depois dos atentados de 11 de setembro, uma tragédia nacional que uniu o país" e permitiu aos republicanos liderados por Bush, conquistar assentos, lembrou Miles Coleman, cientista político da Universidade da Virgínia.

"Biden e os democratas poderão evitar o eventual castigo de meio de mandato? Sim", afirmou.

Mas, acrescentou rapidamente: "devem contar com isso? Talvez não, especialmente considerando como são estreitas agora as maiorias democratas".

elc/bbk/dw/rs/dga/mvv