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BID lança iniciativas para financiar projetos sustentáveis na Amazônia

MARINA DIAS E BERNARDO CARAM
·4 minuto de leitura

WASHINGTON, ESTADOS UNIDOS, BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) lançou nesta quinta-feira (18) uma iniciativa para desenvolver projetos sustentáveis na Amazônia, celebrada pelo governo brasileiro em meio a críticas da comunidade internacional sobre as políticas negligentes de Jair Bolsonaro em relação ao meio ambiente. Indicado por Donald Trump para o posto no ano passado, o presidente do BID, Mauricio Claver-Carone, disse que a instituição está disposta a comprometer US$ 20 milhões em recursos para a elaboração de projetos sustentáveis na região da floresta --que, pela primeira vez, foi tema de um encontro do BID. Além disso, o chefe da instituição afirmou que o banco acolheu a sugestão do governo brasileiro de criar um fundo de bioeconomia para a Amazônia, e já está em contato com investidores para a arrecadação de recursos. "Os países amazônicos pediram que o BID desenvolvesse uma iniciativa, um marco financeiro e cooperativo para os próximos cinco anos", disse Carone. "Há vontade política e interesse do setor privado para isso", completou, acrescentando que o banco quer ver "resultados e não diagnósticos", dentro de prazos mais plausíveis. Após o discurso de Carone, o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, falou por cerca de cinco minutos em um pronunciamento gravado em vídeo. Bolsonaro agradeceu pela iniciativa de criação do fundo e afirmou que os países da região têm compromisso com a conservação e o uso sustentável da floresta. De acordo com o presidente, nos últimos seis meses, por iniciativa do governo, houve uma queda de 20% nos alertas de desmatamento em comparação com o mesmo período do ano anterior. Segundo ele, foi evitado o desmatamento de uma área equivalente a mil quilômetros quadrados. "O desenvolvimento sustentável e o fim do desmatamento ilegal dependem da valorização da economia amazônica e da melhoria da qualidade de vida da população local. Por isso, estamos trabalhando para criar empregos, produtos e serviços que utilizem de modo sustentável os recursos da floresta", disse. Essa foi a primeira vez que Bolsonaro falou sobre Amazônia para um público internacional desde a posse de Joe Biden, em 20 de janeiro. O discurso já estava agendado e foi gravado, mas acontece no mesmo dia em que o Planalto divulgou trechos de uma carta do presidente americano, datada de 26 de fevereiro, em que Biden cobra comprometimento do Brasil com as questões ambientais e disse esperar ações conjuntas com o líder brasileiro para combater as crises. Biden já deixou claro que as mudanças climáticas estão no centro de seu governo --e a preservação da floresta permeou conversas bilaterais entre autoridades dos governos brasileiro e americano que aconteceram até agora. O ministro Paulo Guedes (Economia) também participou do evento. Segundo ele, a pasta tem como prioridade estabelecer bases para uma agenda de crescimento verde. Entre as iniciativas citadas, afirmou que o governo tem feito regularização fundiária e destinação de terras na Amazônia, sob a justificativa de que isso gera segurança jurídica e leva os produtores rurais para a legalidade. "A floresta é um patrimônio que deve ser cuidado para usufruto das gerações atuais e futuras, produzindo bens e serviços ambientais que beneficiem a população local, o Brasil e o mundo. A exploração insustentável da floresta é um sintoma de sistema econômico de baixa produtividade, à margem da lei e com perspectivas limitadas a curto prazo", disse. Na reunião desta quinta, foi debatida a iniciativa do BID para priorizar a Amazônia em suas atividades. Clima e diversidade, por exemplo, já eram assuntos preferenciais do banco na alocação de recursos, mas agora, com a Amazônia de volta ao centro do palco mundial, a floresta também entrou na lista da instituição. De acordo com números divulgados pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o desmatamento na Amazônia voltou a bater recorde e cresceu 9,5% de 2019 a 2020. No total, a área derrubada na floresta foi de 11 mil quilômetros quadrados, a maior da última década. Biden e Bolsonaro ainda não se falaram diretamente, mas o ministro Paulo Guedes (Economia) já conversou por telefone com a secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, enquanto o chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, falou com o secretário de Estado americano, Anthony Blinken, e, depois, ao lado do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, teve uma reunião virtual com o chamado czar do clima do governo Biden, John Kerry. Como revelou a Folha, a ordem na Casa Branca é que as primeiras ações do governo americano em relação à Amazônia devem ser tratadas com diálogo e não envolvam sanções contra o Brasil. Uma das ideias é que haja um fundo de financiamento --com aportes públicos e privados-- em troca do comprometimento do Brasil com metas de preservação da floresta. No sábado (20) e domingo (21), acontecem as reuniões fechadas do BID, que devem ter caráter mais decisório entre os acionistas. Carone tenta aumentar o capital da instituição em US$ 80 milhões, mas não deve ter sucesso na empreitada. Sem apoio de Biden e dos democratas no Congresso, será difícil para o presidente do banco aprovar a ampliação de empréstimos para a América Latina. Ele diz que, em meio à pandemia, será preciso cortar despesas, e é apoiado pelo Brasil em suas decisões --os EUA são os maiores acionistas do BID, com 30% de participação, enquanto o Brasil tem 11,4%.