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BID aumenta os empréstimos em até US$ 12 bilhões para enfrentar crise do coronavírus

O presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento Luis Alberto Moreno fala com a AFP em Washington

O Grupo BID, principal fonte de financiamento para o desenvolvimento da América Latina e do Caribe, anunciou nesta quinta-feira (26) que pode colocar à disposição dos países membros mutuários até 12 bilhões de dólares para enfrentar a pandemia de COVID-19.

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) afirmou que vai financiar uma resposta "imediata" à emergência de saúde devido ao novo coronavírus.

"Além de reprogramar o calendário existente de projetos de saúde para atender à crise, o BID pode direcionar 3,2 bilhões de dólares adicionais ao programa de empréstimos inicialmente estipulado para 2020", indicou em comunicado.

"Estes fundos, somados aos recursos disponíveis que já estavam programados para 2020, podem disponibilizar aos países até 12 bilhões de dólares, que podem ser destinados à crise e suas consequências", acrescentou.

O Grupo BID disse também que os governos podem pedir para redirecionar até 1,35 bilhão de dólares de projetos que já estão em execução para ter recursos para enfrentar a crise.

BID Invest, a instituição do Grupo BID que atende o setor privado, dedicará por outro lado até 5 bilhões de dólares a necessidades derivadas da pandemia, acrescentou.

O Grupo BID destacou que desde o fim de janeiro tem aumentado a disponibilidade de fundos e empréstimos para os países afetados pelo novo coronavírus, relatado pela primeira vez em dezembro na China.

Anunciou que agora concentrará seus esforços em quatro áreas: fortalecimento "imediato" dos sistemas de saúde pública, medidas para proteger as entradas das populações mais afetadas, apoio ao emprego e à produção - especialmente as PYMES (pequenas e médias empresas), que representam 70% do emprego na região-, e consultoria aos países para implementar políticas fiscais para aliviar impactos econômicos.

- Crise histórica -

"As dimensões históricas dessa crise exigem uma estratégia multissetorial que antecipa os impactos sociais e produtivos em médio e longo prazo", afirmou o presidente do BID, Luis Alberto Moreno, destacando que essas linhas de ação refletem as prioridades dos governos da região.

Moreno disse à AFP em meados de março que seu "grande medo" em relação a essa pandemia é que os países mais frágeis, entre os que mencionou a Venezuela e Haiti, não tenham um sistema de saúde capaz de conter uma explosão desse vírus.

O novo coronavírus provocou pelo menos 21.873 mortes no mundo desde que surgiu em dezembro, segundo um balanço feito pela AFP com base em fontes oficiais nesta quinta-feira às 11H00 GMT (8h00 no horário de Brasília).

Desde o início da epidemia foram contabilizados mais de 481.300 casos de contágio em 182 países ou territórios. O número de casos diagnosticados positivos, no entanto, reflete apenas uma parte da quantidade total de infecções devido às políticas díspares dos diferentes países para diagnosticar os casos.