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"Berçário" de estrelas da Via Láctea é encontrado próximo ao Sistema Solar

Daniele Cavalcante

Astrônomos descobriram uma vasta estrutura na Via Láctea, composta de muitos “berçários” estelares, regiões ricas em gás e poeira onde as estrelas nascem. Os berçários encontrados estão interconectados na forma de um filamento longo e fino de 9.000 anos-luz de comprimento e 400 anos-luz de largura.

Essa estrutura está localizada a cerca de 500 anos-luz do nosso Sol, algo relativamente próximo, considerando que a Via Láctea mede 105.700 anos-luz. Sua posição na galáxia é no braço espiral mais próximo ao nosso Sistema Solar.

A estrutura foi encontrada quando uma equipe internacional de astrônomos analisava dados do observatório Gaia, da ESA (agência espacial europeia), para trabalhar em um novo mapa da nossa galáxia, e foi batizada de Radcliffe Wave (ou Onda Radcliffe, em português). O nome é uma homenagem ao Instituto Radcliffe de Estudos Avançados da Universidade de Harvard, em Cambridge.

Um dos autores do estudo, o astrônomo português João Alves, contou que essa “é a maior estrutura de gás coesa que conhecemos na galáxia”. Ele explica que o formato das nuvens foi por muito tempo alvo de questionamentos da comunidade científica, e descreveu o novo berçário como “um filamento maciço e ondulado”, e não em forma de anel.

O berçário de estrelas está localizado no braço espiral mais próximo ao nosso Sistema Solar. Essa é uma das maiores estruturas coesa da Via Láctea (Imagem: Alyssa Goodman / Harvard University)

Ainda não se sabe ao certo a causa do formato ondular da Radcliffe Wave, mas, de acordo com João Alves, ela também sofre interferência do Sol. "É como se estivéssemos surfando esta onda", diz.

Muitas das regiões encontradas na Onda Radcliffe eram anteriormente consideradas parte de uma estrutura chamada Cinturão de Gould, com cerca de 3.000 anos-luz de largura. Acreditava-se que esse cinturão era composto por regiões formadoras de estrelas que teriam a forma de um anel ao redor do Sol. O novo estudo, publicado na revista Nature, derrubou essa ideia, revelando que, na verdade, trata-se de um filamento.

Para a astrônoma norte-americana Alyssa Goodman, outra autora do estudo, essa descoberta foi algo inesperado. "Ficamos completamente chocados quando percebemos que a Onda Radcliffe aparentava ser de uma forma em nossas observações e depois percebemos, a partir de um modelo 3D, que era mais sinuoso”. Ela acrescentou que “a própria existência da onda está nos forçando a repensar nossa compreensão da estrutura 3D da Via Láctea".

E a pesquisadora Catherine Zucker disse que pode haver estruturas ainda maiores “que simplesmente não conseguimos contextualizar". Ela colaborou com a revisão do modelo de representação da Via Láctea em computação 3D, um trabalho que resultou em um catálogo com as distâncias precisas deste berçário. "Agora, podemos literalmente ver a Via Láctea com novos olhos", disse Zucker.


Fonte: Canaltech

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