Mercado abrirá em 2 h 10 min

Berçário espacial: astrônomos registram imagem direta de exoplaneta "bebê"

·3 min de leitura

Uma equipe de cientistas liderados pela Universidade do Havaí encontrou um exoplaneta tão jovem que pode ser considerado um "bebê", a cerca de 400 anos-luz de nós. Claro, outros milhares de exoplanetas já foram encontrados, mas o maior diferencial do 2M0437b é que ele acabou de se formar e, além disso, pôde ser registrado por meio de uma observação direta. Este mundo se junta a um grupo de objetos que vêm contribuindo para a compreensão da formação e evolução de planetas ao longo do tempo, nos ajudando também a saber mais sobre as origens do Sistema Solar.

Eric Gaidos, autor principal do estudo, descreve que a descoberta deste planeta o insere a uma “lista de elite”, formada por planetas que podem ser diretamente observados por telescópios. “Ao analisar a luz deste planeta, podemos especular algo sobre sua composição e, quem sabe, sobre onde e como se formou em um disco já desaparecido, formado por gás e poeira ao redor da estrela”, descreveu. Esta não é uma tarefa simples, já que, como os exoplanetas são bastante pequenos e escuros em relação à estrela que orbitam, dificilmente é possível conseguir imagens diretas deles.

Imagem do exoplaneta 2M0437b feita pelo telescópio Subaru, na luz infravermelha (Imagem: Reprodução/Subaru Telescope)
Imagem do exoplaneta 2M0437b feita pelo telescópio Subaru, na luz infravermelha (Imagem: Reprodução/Subaru Telescope)

O 2M0437b foi observado pela primeira vez em 2018 com o telescópio Subaru e, ao longo dos últimos anos, foi cuidadosamente estudado com o uso de outros telescópios. Então, Gaidos e seus colegas utilizaram o observatório W. M. Keck para monitorar a posição da estrela anfitriã dele conforme ela se move pelo céu. Assim, a equipe conseguiu verificar que o planeta era, de fato, um companheiro da estrela. “Eventualmente, podemos conseguir medir seu movimento orbital ao redor da estrela”, sugeriu o Dr. Adam Kraus, coautor do estudo.

O planeta recém-descoberto e sua estrela ficam na Nuvem Molecular do Touro, uma espécie de “berçário estelar”. De acordo com os autores, o 2M0437b tem uma órbita bem mais ampla que aquela dos planetas do Sistema Solar, com uma separação equivalente a cerca de 100 vezes à distância entre o Sol e a Terra. Apesar de esta característica facilitar as observações, a óptica adaptativa ainda é necessária para compensar os efeitos de distorção causados pela atmosfera. “Dois dos maiores telescópios do mundo, a óptica adaptativa e os céus limpos de Maunakea foi tudo o que precisamos para essa descoberta”, disse Michael Liu, coautor do estudo.

Os autores acreditam que o planeta é algumas vezes mais massivo que Júpiter e se formou junto de sua estrela há alguns milhões de anos. Aliás, o planeta é tão jovem que ainda está razoavelmente quente — devido aos processos de formação planetária, as temperaturas por lá ficam entre 1.400 a 1.500 K, o que faz com que este mundo brilhe na luz infravermelha.

Por conta dessas características, a equipe acredita que o sistema seria um ótimo candidato para observações de acompanhamento com outros telescópios, que podem ajudar a revelar as características da estrela e assinaturas químicas na atmosfera do planeta. “Observações com telescópios espaciais, como o Hubble e o James Webb, que será lançado em breve, podem ajudar a identificar gases na atmosfera dele e revelar se o planeta tem um disco de formação lunar”, acrescentou Gaidos.

O artigo com os resultados do estudo será publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society e pode ser acessado no repositório online arXiv, ainda sem revisão de pares.

Fonte: Canaltech

Trending no Canaltech:

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos