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Bendito hambúrguer: dificuldade de vender imóveis levou corretor a sucesso na gastronomia

Regiane Jesus
·4 minuto de leitura

RIO — A receita que Samir Almeida usava para vender imóveis de repente desandou. A crise imobiliária que atingiu o país em 2014 fez o então morador de Quintino tirar do forno, às pressas, novos ingredientes para conseguir levar o sustento para casa. Estava decidido. A carreira de corretor seria deixada de lado para dar lugar a uma nova, que reuniria no mesmo bolo trabalho e prazer. Como preparar alimentos era paixão antiga, logo veio a ideia de botar a mão na massa no ramo da gastronomia. Só havia um detalhe: o negócio que mudaria sua vida precisava unir praticidade e baixo investimento. Afinal, se tinha uma coisa em falta naquele lar era dinheiro. Atento às tendências do mercado culinário, enxergou no preparo de hambúrgueres artesanais um promissor empreendimento. Era o momento de comprar chapa e fritadeira, divulgar a novidade para a vizinhança e fazer fumaça na cozinha de casa. Nascia assim a Hamburgueria Bob Beef.

As vendas logo se multiplicaram. As inimizades também. Reza a lenda que foi o povo que vivia de dieta que começou a fazer queixas do vaivém de entregadores no edifício residencial até altas horas da noite, assim como do aroma que invadia, sem pedir licença, os apartamentos que ficavam nas redondezas. O fato é que jogaram água no hambúguer do ex-corretor, que precisou procurar um imóvel para se mudar. O novo endereço, uma casa no Méier, só aumentou o alcance do negócio, que funciona exclusivamente em sistema de entrega e tem sua produção feita no bairro de uma gente “que não bobeia”, na Tijuca e também nas zonas Sul e Oeste. Quem diria. Os pedidos que, no início, giravam em torno de dez por dia chegam a dois mil nas noites de sexta-feira e aos sábados. Os planos de Almeida são ainda mais ambiciosos:

— Nunca esperei estar neste lugar que ocupo atualmente. Mas o meu foco é ser o melhor. Quero ser o maior vendedor de hambúrgueres do Rio. Vou lutar até conseguir!

A determinação não deve ser confundida com pretensão ou falta de humildade. O empresário, que continua morando no Méier, é parceiro dos funcionários, dá expediente de segunda a segunda e, muitas vezes, prepara pessoalmente os pedidos.

— Eu gosto de estar na operação, de colocar a mão na massa. No dia a dia, fico mais com o marketing e com a parte administrativa, mas vou para a chapa com um sorriso de orelha a orelha. Sou apaixonado pelo meu trabalho — derrete-se.

Quando tudo começou, Almeida criava e preparava os molhos e as combinações de ingredientes que transformaram a Hamburgueria Bob Beef em um caso de sucesso.

— Eu fazia absolutamente tudo, mas já há algum tempo conto com o talento do chef Pablo Lamar na equipe. Ele, além de assinar novas receitas, aprimorou muitas que eu tinha criado — diz.

Visionário, Samir Almeida investe no sistema de entrega desde muito antes da pandemia de Covid-19. Os clientes que pedem pelo aplicativo próprio da Hamburgueria Bob Beef ganham desconto.

— Há cinco anos que eu aposto exclusivamente no delivery. Sempre tive essa visão de oferecer ao cliente a possibilidade de fazer o seu lanche no conforto de casa. Eu até tive uma loja física, no Grajaú, mas não deu certo. O custo é maior, e o atendimento no salão atrapalhava as entregas. Eu sempre foquei na qualidade do meu produto e no serviço de entrega — observa o empresário, que aceita pedidos diariamente das 18h às 3h e disponibiliza o perfil @bobbeefartesanal no Instagram para contato.

A experiência neste formato fez com que a hamburgueria crescesse de março para cá.

—Estávamos prontos para atender à demanda que veio com a necessidade de se manter o distanciamento social. Então, o nosso faturamento até aumentou — afirma ele.

A alta nos preços dos alimentos, garante o empreendedor, não alterou a qualidade dos produtos usados na fabricação artesanal da hamburgueria:

— Só trabalhamos com carnes e queijos de marcas boas, absolutamente confiáveis. Apesar de estar tudo muito caro, não abro mão da qualidade, do sabor inconfundível dos nossos hambúrgueres. A batata, por exemplo, também é preparada por nós, não compramos nada pré-fabricado. É justamente por isso que o cliente que pede uma vez vai pedir sempre.

Para servir um público cada vez mais diversificado e exigente, Almeida oferece os oitos hambúrgueres disponíveis no cardápio tanto na versão tradicional, com carne bovina, quanto com carne vegetal.

— O nosso cardápio é 100% inclusivo, para ninguém ficar de fora. Atender a todas as preferências é uma forma de retribuir ao reconhecimento dos clientes, que são fiéis — diz.

O empresário também se diz grato à iguaria que mudou sua vida:

— Eu vivo bem graças ao hambúrguer. O meu lado financeiro, que estava complicado, deu uma guinada quando fui para a chapa.

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