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Benítez vendeu frutas, imitou Saviola e teve ajuda do tio para vingar no futebol

·5 minuto de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Morumbi estava vazio, sem torcedores para dar as boas-vindas ao novo reforço. Mesmo assim, em sua primeira visita ao estádio, o argentino Martín Benítez, 26, foi muito bem recepcionado.

Contratado por empréstimo do Independiente para a temporada 2021, o meio-campista recebeu, no dia de sua apresentação, a camisa 8 das mãos do ídolo tricolor Silas.

Além de compartilharem o número nas costas do uniforme, o ex-são-paulino foi o escolhido para apadrinhar o recém-chegado pois é um conhecedor da Argentina, figura ilustre também na história do San Lorenzo -conquistou o Clausura com a equipe em 1995.

Para Benítez, mais do que uma ação para a comunicação do clube, o encontro no Morumbi deu a ele uma sensação de familiaridade.

"Eu pertenço aos Atletas de Cristo, assim como o Silas. O conheci quando ele jogava no San Lorenzo. Depois, em 2001, estivemos juntos em um congresso dos Atletas de Cristo, em Buenos Aires. Temos uma amizade. E Martín foi comigo a esse congresso e conheceu o Silas", conta à reportagem Leopoldo Benítez, tio do jogador.

A carreira de sucesso do sobrinho, campeão continental com o Independiente e de bom desempenho pelo Vasco antes de chegar ao São Paulo, se deve em grande parte ao trabalho e à confiança que o tio sempre depositou no seu talento.

O torcedor são-paulino também confia nas qualidades do meio-campista, titular da equipe que busca nesta sexta-feira (14) contra a Ferroviária, às 21h30, no Morumbi, a classificação à semifinal do Campeonato Paulista -o SporTV transmite. Daniel Alves e Luciano, que se recuperam de lesão, devem ser desfalques.

Natural de Posadas, capital da província de Misiones (próximo das fronteiras com o Brasil e o Paraguai), Martín Benítez teve uma infância humilde, como tantos outros garotos argentinos que enxergam no futebol uma possibilidade de futuro.

Começou a trabalhar muito cedo, ajudando na quitanda do pai, Alfredo. O garoto e sua irmã mais velha, Noelia, saíam pelas ruas da cidade para tentar vender as frutas, algumas delas produzidas pela própria família, como as mangas e os limões.

O contato com o futebol também começou precoce, e Benítez deu seus primeiros chutes no Club Atlético La Picada. Quando criança, imitava os movimentos de Javier Saviola, revelado no River Plate, clube do coração de seu pai.

"Desde garotinho, a única coisa que ele queria brincar era de futebol. Treinei um time da região em um torneio do interior e, quando faltava alguém, Martín completava a equipe. Mesmo contra os grandes, já mostrava suas qualidades", afirma Leopoldo.

No início da adolescência de Benítez, olheiros do Boca Juniors foram a Posadas avaliar jovens da região e gostaram de seu futebol. A ligação para se mudar a Buenos Aires, contudo, nunca chegou. Uma negativa que desanimou Martín.

Seu tio resolveu então dar uma força ao sobrinho. Ex-jogador do Guaraní Antonio Franco, clube de Posadas, Leopoldo foi comandado no clube por Francisco "Pancho" Sá, ídolo do Independiente e jogador com mais títulos na história da Copa Libertadores: seis (quatro pelo time de Avellaneda e dois pelo Boca).

Sá arrumou para Martín Benítez um teste no Independiente. Na primeira prova, o jovem não passou. Mas retornou ao clube para um segundo teste e, com o incentivo do tio, que assistia do lado de fora do campo, agarrou a oportunidade e iniciou sua trajetória na instituição.

Sair ainda adolescente de uma cidade pequena e encarar a região metropolitana de Buenos Aires, longe dos pais e da família, pesou na adaptação do garoto. "Foi muito difícil. Ele me chamou um dia por telefone, dizendo que queria voltar porque um técnico havia lhe tratado mal", conta Leopoldo.

"Eu disse: 'Se você quiser, o tio vai te buscar aí amanhã. Mas você tem que entender algo. Todos os sonhos que você tem, de ajudar os seus pais, de jogar no futebol de elite, são muito difíceis estando aqui no interior. Mas estar aí, no Independiente, um clube grande, te dá essas possibilidades'."

Em 2011, disputou o Sul-Americano e o Mundial pela seleção sub-17 da Argentina. No mês de novembro do mesmo ano, ganhou sua primeira chance no profissional e estreou sob o comando de Ramón Díaz. No clube, ganhou um apelido: Tortuga (tartaruga em espanhol), por conta das costas curvadas.

O início no futebol adulto, entretanto, não foi simples. De novembro de 2012 a abril de 2015, não disputou uma única partida como titular do Independiente. Se não bastasse a falta de sequência, o clube foi rebaixado para a segunda divisão em 2013.

"Quando ele estreou no profissional, gerou grande expectativa por suas condições técnicas. Depois, como todo jogador jovem, teve seus altos e baixos", analisa Fernando Beron, que trabalhava no clube e comandou Benítez como interino entre os trabalhos de diferentes treinadores.

"No início ele era mais atacante, pela direita. Depois foi se colocando por trás do centroavante, como um 'mediapunta' (ponta de lança). É onde ele mais pode render."

Parentes, analistas e o próprio Martín são unânimes em dizer que seu crescimento futebolístico se deu a partir do trabalho com duas pessoas: o técnico Mauricio Pellegrino, que passou a dar mais oportunidades a ele na equipe, e Alejandro Kohan, preparador físico de Ariel Holan no Independiente e que hoje trabalha na comissão técnica de Hernán Crespo.

Também foi fundamental o apoio de Ricardo Bochini, ídolo máximo do clube de Avellaneda, que via em Benítez boas condições para seguirem apostando no atleta.

Com Alejandro Kohan, conhecido por ser um grande motivador, foram campeões da Copa Sul-Americana de 2017, contra o Flamengo, no Maracanã. O ápice na trajetória de um jogador formado nas categorias de base e que suportou um rebaixamento para ver o Independiente renascer na elite.

Pouco antes de se despedir do clube, em 2019, recebeu das mãos de Bochini a camisa 10 do Independiente. "Você é o melhor para usá-la", disse o "Bocha", em um gesto repetido por Silas (com a 8) na chegada do meia argentino ao São Paulo.

"É um jogador desequilibrante, tem muito boa técnica. O que acontece é que nem sempre teve em seu entorno qualidade para que pudesse render. Se estiver bem rodeado, poderá mostrar suas capacidades", diz Fernando Beron, que compartilha com o tio do atleta, Leopoldo, a visão de que Benítez pode ter futuro no Morumbi se o coletivo funcionar.

"Agora eu o vejo feliz, contente. Creio que vai ser uma figura importante no São Paulo, porque tem com quem jogar. O entorno ajuda muito", completa o parente, testemunha e apoiador de cada passo do sobrinho pelo futebol.