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Bcs apostam que economias toleram ômicron, mas não inflação

·3 min de leitura

(Bloomberg) -- Os principais bancos centrais do mundo deram um passo importante nesta semana, ao decidir que o coronavírus já não dá as cartas na economia e que a inflação agora é a maior ameaça.

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Por quase dois anos, o principal desafio de autoridades monetárias foi prever qual seria o próximo golpe da pandemia e amortecer o impacto sobre o crescimento econômico e o emprego.

Mas o cenário mudou. Nos últimos dias, bancos centrais dos Estados Unidos e da Europa apontaram um giro - em velocidades variadas - rumo a políticas de maior aperto monetário. Autoridades agora veem o controle dos preços com prioridade mais alta do que proteger o PIB e o emprego de novos estragos causados pela pandemia.

Na quinta-feira, o Banco da Inglaterra se tornou o primeiro banco central do Grupo dos Sete a aumentar as taxas de juros desde a chegada da Covid-19. O Federal Reserve disse na quarta-feira que vai antecipar o fim de seu programa de compra de títulos e sinalizou três aumentos dos juros em 2022. O Banco Central Europeu também começou a desacelerar as medidas emergenciais.

“Não parece que o Fed ou outros bancos centrais achem necessário ignorar os sinais muito fortes e relatórios de inflação elevada apenas por causa da Covid”, disse Mark Cabana, chefe de estratégia de juros dos EUA no Bank of America. “Na verdade, estamos vendo o contrário.”

Por trás da mudança está a avaliação de que, embora a Covid-19 ainda esteja presente, países ocidentais começam a aprender a conviver com a doença - e o impacto nas economias de variantes do coronavírus será menor do que o anterior.

“Muitas pessoas foram vacinadas, e campanhas de reforço foram aceleradas”, disse na quinta-feira a presidente do BCE, Christine Lagarde. “A sociedade melhorou o combate às ondas pandêmicas e restrições resultantes. Isso diminuiu o impacto da pandemia na economia.”

Além disso, como os bancos centrais agora já sabem mais sobre a inflação pandêmica, chegaram a uma visão diferente de como novos surtos do coronavírus afetam a economia.

No início da crise, o foco estava nos lockdowns como um amortecedor para a demanda do consumidor, que uma política monetária frouxa poderia ajudar a impulsionar. Agora, autoridades também se preocupam como as restrições da crise de saúde atingem a oferta e o transporte de bens, o que eleva os preços e fortalece o argumento para taxas de juros mais altas.

“As estruturas econômicas anteriores focavam no que acontece com o crescimento da demanda”, diz Sanjay Raja, economista do Deutsche Bank em Londres. “Agora, tem a ver com o impacto na demanda em relação ao impacto na oferta. Isso está mudando o cálculo.”

Nem todos caminham na mesma velocidade. Na sexta-feira, o Banco do Japão anunciou que planeja retirar o auxílio da pandemia lentamente. O banco central japonês estendeu a assistência de empréstimos para pequenas empresas em dificuldades por mais seis meses.

Para os que iniciam o giro da política monetária, fica claro, diante do caos trazido pela variante ômicron, que há muitos riscos na troca de marcha.

Especialmente na Europa, governos estão reimpondo algumas das restrições - desde a recomendação de trabalho remoto a barreiras para viagens - suspensas no início do ano devido ao aumento dos casos de Covid e hospitais novamente cheios. Criticados por uma postura muito confortável frente à inflação nos últimos meses, há o risco de as autoridades estarem minimizando o impacto da pandemia agora.

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