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BCE tem que manter escalada dos juros para combater a inflação, dizem autoridades do banco

FOTO DO ARQUIVO: Logotipo do Banco Central Europeu (BCE) em Frankfurt, Alemanha

(Reuters) - O Banco Central Europeu (BCE) precisa seguir elevando a taxa de juros, priorizando a luta contra a inflação alta, mesmo que isso tenha um custo para o crescimento, disseram os formuladores de política monetária da instituição nesta sexta-feira.

O BCE elevou os juros em 75 pontos-base na quinta-feira, apenas algumas semanas após uma alta de 50 pontos-base, e prometeu várias outras medidas nos próximos meses, conforme a inflação da zona do euro atingiu um recorde de quase meio século e ameaça se entrincheirar na economia.

"A inflação continua inaceitavelmente alta", disse Peter Kazimir, presidente do banco central da Eslováquia. "A prioridade agora é continuar vigorosamente a normalização da política monetária."

Ecoando suas palavras, o presidente do banco central holandês, Klaas Knot, disse que a desaceleração do crescimento é um efeito colateral necessário da luta contra a inflação.

"Esperamos que a inflação continue subindo nos próximos meses, o que significa que temos apenas um problema em nosso prato: inflação", disse Knot em entrevista à emissora de rádio holandesa BNR. "E isso significará que teremos que desacelerar o crescimento econômico pelo menos um pouco para reduzir a inflação."

Embora o BCE tenha projetado um crescimento estagnado ao longo dos meses de inverno (no hemisfério norte), a presidente do BCE, Christine Lagarde, reconheceu que muitos dos riscos negativos para essa perspectiva já se materializaram, particularmente a perda de acesso ao gás russo, aumentando o risco de uma recessão total.

Lagarde disse que levará menos de cinco reuniões, incluindo a reunião de quinta-feira, para o BCE atingir o que chama de taxa neutra, que não estimula nem desacelera o crescimento.

Essa linha do tempo sugere aumentos em cada reunião até o início do próximo ano, em linha com as expectativas do mercado, que veem o pico do ciclo na próxima primavera (no hemisfério norte).

O BCE descreveu os movimentos de julho e setembro como "adiantamento" e Lagarde disse que o aumento de 75 pontos-base não é a norma, embora também tenha se recusado a descartar um passo semelhante em outubro.

(Reportagem de Robert Muller, Bart Meier e Dominique Vidalon)