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BCE sinaliza que evitará crise que quase acabou com zona do euro

David Goodman (London) e John Ainger

(Bloomberg) -- O Banco Central Europeu não pode impedir que a zona do euro entre em recessão, mas tem como evitar outra devastadora crise da dívida que ameace a sobrevivência do bloco.

Com o plano de compra de títulos de 750 bilhões de euros (US$ 800 bilhões) do BCE - equivalente a cerca de 6% do PIB da zona do euro -, será mais fácil para os governos embarcarem em uma onda de gastos para combater a pandemia de coronavírus.

O programa já reduziu os juros no bloco e, principalmente, a diferença entre o rendimento dos títulos de economias em crise como a da Itália e opções mais seguras como a da Alemanha.

Menos de uma década após o aumento dos rendimentos dos títulos quase fragmentar a união monetária, os governos tentam se adiantar. Os países tomam medidas para amenizar a preocupação de que os gastos fiscais necessários para proteger empresas e cidadãos durante a pandemia possam gerar juros mais altos que afetariam ainda mais a economia.

Os governos mostraram que estão prontos para esbanjar. A Itália disse que gastará 25 bilhões de euros em estímulos diretos, e é provável que gaste mais. A França prometeu garantir até 300 bilhões de euros em empréstimos bancários para empresas, enquanto a Espanha divulgou um plano de 117 bilhões de euros para ajudar a manter empresas em atividade.

Até a Alemanha, que há muito tempo reluta em gastar apesar de registrar superávit fiscal há anos, estaria planejando um fundo no valor de 500 bilhões de euros para fornecer garantias de empréstimos e injeções de dinheiro às empresas.

Autoridades da zona do euro também buscam ativar o fundo de resgate da região para ajudar governos a levantar os recursos de que precisam.

Embora todos esses planos precisem ser financiados com maior emissão de títulos em um bloco que há muito se preocupa com o ônus da dívida, agora existe um grande comprador.

“A política monetária e a política fiscal agora estão unidas”, disse John Taylor, gestor de recursos da AllianceBernstein, que agora se sente mais à vontade para investir em dívida de economias periféricas. “Os bancos centrais precisam manter os juros extremamente baixos para incentivar governos a expandir a política fiscal, conforme necessário. Sem essa abordagem dupla, o crescimento econômico não poderá se recuperar desta parada repentina.”

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