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BCE se prepara para inflação alta e fica de olho em fim do estímulo emergencial, dizem fontes

·2 minuto de leitura
Sede do BCE, em Frankfurt

Por Francesco Canepa e Balazs Koranyi

FRANKFURT (Reuters) - Autoridades do Banco Central Europeu estão se preparando para que a inflação ultrapasse as estimativas já altas do banco, abrindo caminho para que a autoridade monetária encerre suas compras emergenciais de títulos em março, disseram fontes envolvidas nas discussões.

O BCE, que planeja tomar uma decisão sobre o futuro de seu Programa de Compras de Emergência da Pandemia (PEPP) em dezembro, projeta que a inflação vai desacelerar em 2022-23 depois do salto deste ano, conforme a economia volta a sua trajetória pré-pandemia.

Mas conversas com oito membros do Conselho do BCE, que pediram para não serem identificados, mostrou que muitos, se não a maioria, já sentiam na reunião de política monetária de 9 e 10 de setembro que as novas estimativas estavam baixas demais -- elas calculam a inflação em 2,2% este ano, 1,7% no próximo e 1,5% em 2023.

Dados desde então ampliaram suas preocupações de que a inflação possa ficar perto ou mesmo acima da meta de inflação de 2% do BCE no próximo ano, uma potencial dor de cabeça já que a política do BCE tem como base que a inflação ficará abaixo da meta por anos à frente.

As fontes apontaram para gargalos de oferta que estão durando mais do que o esperado, escassez de mão de obra além do setor de hotelaria e um fluxo constante de dinheiro que está entrando na economia a partir das poupanças particulares e programas oficiais de estímulo -- incluindo o do próprio BCE.

A maioria das fontes concorda que a inflação mais alta ajuda a justificar o fim do programa de compras, no valor de 1,85 trilhão de euros, em março, conforme previsto, embora o debate ainda esteja começando.

Muitos estavam até mesmo abertos a um aumento temporário no volume do outro esquema de compra de títulos do banco central, o Programa de Compra de Ativos (APP), para evitar um "efeito penhasco" com o fim do PEPP.

Alguns disseram que poderiam conviver com o APP em um ritmo mais forte -- por exemplo em 40 bilhões de euros por mês, contra os atuais 20 bilhões -- desde que isso tenha um data clara para encerramento.

Outros, da parte mais conservadora, consideram mesmo 40 bilhões de euros demais dado que a emissão de dívida do governo deve cair com força no próximo ano.

Um porta-voz do BCE recusou-se a comentar esta reportagem.

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